Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Ministério dos Transportes autoriza Ecopistas a captar mais de R$ 1 bi para obras em rodovias

Investimento será feito no corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto. Recursos serão obtidos por meio da emissão de debêntures incentivadas, fontes alternativas de financiamento para projetos de infraestrutura


O Ministério dos Transportes autorizou, no dia 2 de março, a concessionária Ecopistas a captar até R$ 1,1 bilhão para financiar obras de ampliação e manutenção de rodovias sob sua concessão no estado de São Paulo. A empresa espera obter os recursos por meio da emissão de debêntures incentivadas. 

Segundo o governo federal, a Ecopistas terá 2 anos para captar os recursos e, em seguida, fazer as obras previstas no projeto autorizado. Entre as melhorias estão a criação de uma faixa adicional do km 45 ao km 56 na rodovia Ayrton Senna, entre Mogi das Cruzes e Guararema. 

Além disso, o projeto prevê a melhoria do asfalto; implantação de elementos de segurança ao longo da rodovia; revitalização e troca de equipamentos e sistemas de controle e a conservação de 213 obras de arte especiais. 

O que são debêntures

As debêntures são títulos de dívidas que as empresas emitem para captar recursos junto a investidores. Elas funcionam como uma alternativa a fontes tradicionais de financiamento, como os empréstimos bancários. 

Na prática, a empresa consegue os recursos necessários para aplicar no negócio e quem empresta dinheiro a ela (investidor) tem a promessa de que terá o aporte devolvido, no futuro, acrescido de uma remuneração. 

O advogado especialista em direito societário e mercado de capitais e sócio do Schuch Advogados, Fabiano Diefenthaeler, explica que as debêntures são vantajosas para as empresas e os investidores.  

"Para uma empresa que objetiva realizar algum tipo de investimento fazer uma captação via banco costuma ter um custo muito elevado. É muito mais barato emitir uma debênture no mercado e você estabelece quais as condições de pagamento de juros ao investidor e, também, o prazo de amortização da dívida", explica.  

Existem vários tipos de debêntures, entre elas as incentivadas que, de acordo com a lei, têm relação com o setor de infraestrutura, como a construção ou melhoria de aeroportos, ferrovias, portos e rodovias e investimentos em energia, saneamento básico e telecomunicações, por exemplo. 

As debêntures incentivadas recebem esse nome porque o governo isenta do Imposto de Renda o lucro das pessoas físicas que investem nesses títulos. Já as pessoas jurídicas são tributadas em 15%. 

Debêntures de infraestrutura

Já aprovado na Câmara dos Deputados, o PL 2646/20 cria as debêntures de infraestrutura. O objetivo é que essa seja mais uma forma de atrair investimentos para o setor. Mas, em vez de direcionar os incentivos fiscais aos investidores, a proposta tem como alvo as empresas que precisam de crédito para projetos de infraestrutura. 

Segundo a proposta, elas poderiam deduzir da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) os juros pagos aos investidores quando do vencimentos das debêntures. Como consequência, poderiam emitir debêntures mais atrativas para o mercado, com retornos maiores aos investidores. 

"Toda vez que você cria um mecanismo de fomento que reduza custos para as empresas e para a captação de crédito, é sempre positivo", Fabiano Diefenthaeler. 

O deputado federal João Maia (PL-RN), relator do projeto, afirma que as debêntures incentivadas são ferramentas importantes para garantir competitividade ao setor produtivo. "O Brasil é muito competitivo no que a gente chama de 'porteira para dentro', da porta da fábrica para dentro. Mas as ferrovias são poucas e não tão boas, os portos não funcionam, as estradas nem se fala. Essa parte externa precisa ter, porque não adianta ser competitivo numa fábrica e sair numa estrada esburacada. Então, trazer o investimento privado para infraestrutura é absolutamente crucial para o Brasil". 

João Maia explica que essas fontes de financiamento trazem melhorias que vão além das obras de infraestrutura. 

"Uma obra dessa, por exemplo, de R$ 1 bilhão da Ecorodovias, gera quantos empregos? Esses empregados vão no comércio, vão nos serviços, consomem e geram [arrecadação de impostos], que é de 30% sobre o consumo, em média, no Brasil". 

O projeto de lei está parado no Senado. 

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LOC.: O Ministério dos Transportes autorizou a concessionária Ecopistas a captar mais de um bilhão de reais para financiar obras de ampliação e manutenção de rodovias no corredor Ayrton Senna/Carvalho Pinto. A empresa espera obter os recursos por meio da emissão de debêntures incentivadas. As obras incluem uma faixa adicional do km 45 ao km 56 na rodovia Ayrton Senna, entre Mogi das Cruzes e Guararema, a melhoria do asfalto e dos elementos de segurança ao longo das pistas. 

As debêntures são títulos de dívidas que as empresas emitem para captar recursos junto a investidores. Na prática, a empresa consegue os recursos necessários para aplicar no negócio e quem empresta dinheiro a ela tem a promessa de que terá o aporte devolvido, no futuro, acrescido de uma remuneração. Como se tratam de investimentos em infraestrutura positivos para o país, o governo isenta ou diminui o Imposto de Renda sobre os lucros obtidos pelos investidores, o que torna as debêntures atraentes. 

Advogado especialista em direito societário e mercado de capitais, Fabiano Diefenthaeler explica que as debêntures são fontes de financiamento vantajosas para as empresas e os investidores.  

TEC/SONORA: Fabiano Diefenthaeler, advogado especialista em direito societário e mercado de capitais e sócio do Schuch Advogados
"Uma empresa que objetiva realizar algum tipo de investimento, fazer uma captação via banco costuma ter um custo muito elevado para as empresas. É muito mais barato emitir uma debênture no mercado e você estabelece quais as condições de pagamento de juros ao investidor e, também, o prazo de amortização da dívida". 
 


LOC.: Um projeto de lei que tramita no Congresso Nacional cria uma modalidade específica de debênture de infraestrutura. Mas em vez de direcionar os incentivos fiscais aos investidores, a proposta permite que as empresas que precisam captar dinheiro no mercado deduzam da base de cálculo de alguns impostos os juros pagos aos investidores quando do vencimentos das debêntures. A expectativa é de que isso atraia mais aportes para o setor. O deputado federal João Maia (PL-RN), relator do projeto, explica que a autorização vai também incentivar a economia local. 

TEC/SONORA: deputado federal João Maia (PL–RN)
"Além de você melhorar a infraestrutura do país, que é fundamental, você melhora o caixa do Tesouro, porque uma obra dessa, por exemplo, de um bilhão de reais da Ecorodovias, gera quantos empregos? Esses empregados vão no comércio, vão nos serviços, consomem e geram [arrecadação de impostos], que é de 30% sobre o consumo, em média, no Brasil". 
 


LOC.: O projeto de lei já foi aprovado na Câmara dos Deputados e agora aguarda apreciação do Senado Federal. 

Reportagem, Felipe Moura.