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LOC.: A Proposta de Emenda Constitucional que pretende reduzir a jornada semanal de trabalho de seis para quatro dias úteis reacendeu o debate sobre produtividade, bem-estar e os impactos econômicos no Brasil. A ideia, defendida pela deputada Erika Hilton, do PSOL, busca ampliar o tempo livre dos trabalhadores, mas divide opiniões entre especialistas e empresários.
Entre eles está a empresária Geovana Cavalcante Bandeira, que comanda uma marca de moda em Maceió, Alagoas. Ela avalia que a mudança pode trazer custos e desafios para a operação de pequenos negócios.
TEC/SONORA: Geovana Cavalcante Bandeira, empresária
“Uma redução da jornada de trabalho poderia afetar diretamente os prazos de produção, encarecer os custos e exigir reestruturação dos processos internos. Como valorizamos a mão de obra local e justa, nosso compromisso continua sendo com o ambiente de trabalho saudável. Mas ajustes desse tipo sem sentido ou planejamento podem comprometer nossa margem de inovação e competitividade.”
LOC: A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB) reforça essa preocupação. Para a entidade, mudanças estruturais como a proposta exigem amplo diálogo com o setor produtivo para evitar impactos negativos na geração de empregos. A CACB defende que eventuais alterações na jornada venham acompanhadas de medidas de compensação e políticas que aumentem a competitividade, garantindo equilíbrio entre a valorização do trabalhador e a sustentabilidade financeira das empresas.
O economista e pesquisador da Unicamp, Sillas Souza, alerta que a proposta pode ter efeito contrário ao esperado, levando trabalhadores a buscar outros empregos e pressionando os salários para baixo.
TEC/SONORA: Sillas Souza - economista e pesquisador
“Pode acontecer. Muitos desses trabalhadores, me arrisco a pensar que a maioria, tentarão conseguir outros empregos em suas folgas maiores. Dois efeitos, ambos ruins para a economia, decorrerão disso. Primeiro: para os que conseguirem, teremos o efeito oposto da proposta, pois ao invés de 36 horas semanais, serão agora 72. Menos ócio, portanto, equivalerá a uma menor produtividade.
Segundo: A maioria não irá conseguir, mas mais gente ofertando emprego quer dizer mais concorrência pelas vagas o que motivará os empresários a diminuírem os salários médios. Temos uma situação potencial na qual muita gente trabalhará o dobro, para ganhar um pouco mais do que ganhava antes. Isso não me parece vantajoso e esse é o cenário que deverá afetar a maior parte dos trabalhadores. Será, então, que o ganho concentrado nos celetistas mais ricos compensa a perda nos mais pobres? Temo que não.”
LOC.: Enquanto o Congresso analisa a PEC, empresários e especialistas concordam que qualquer mudança na jornada de trabalho precisa considerar não apenas o tempo, mas também as condições estruturais que garantam produtividade, competitividade e equilíbrio econômico.
Reportagem, Livia Braz