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LOC.: Por um lado, elevação da arrecadação e alívio inicial nas contas públicas. Por outro, aumento da inflação e do gasto público. Esses devem ser os principais efeitos macroeconômicos da guerra travada entre Estados Unidos e Irã nos próximos meses sobre o Brasil.
O Relatório de Acompanhamento Fiscal de abril divulgado pela Instituição Fiscal Independente do Senado estima redução do déficit primário, que calcula a diferença entre despesas e receitas brutas, em até 0,6% do Produto Interno Bruto. Seriam 52 bilhões de reais em receitas a mais, caso o preço de referência do barril de petróleo fique abaixo de US$ 87. Já em um cenário com o preço médio próximo a 97 dólares o barril, entrariam até quase 100 bilhões de reais nos cofres do governo, reduzindo o déficit para cerca de 0,1%.
Para 2027, os resultados simulados apresentam rombos de 1,2% a 0,6% do PIB, dependendo da cotação do barril. O impacto adicional é estimado entre 42 bilhões a 121 bilhões de reais na arrecadação.
Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI, explica como ocorre o ganho de arrecadação.
TEC./SONORA: Marcus Pestana, diretor-executivo da IFI
“Por um lado, a inflação eleva as receitas tributárias. Quanto maior a inflação, maior é a arrecadação do governo. Em segundo lugar, há receitas vinculadas ao petróleo – royalties, participações especiais –, e isso tudo vai gerar um efeito positivo, onde as despesas de combate à crise vão ser sobejamente compensadas pelas receitas.”
LOC.: O efeito positivo para o resultado fiscal, no entanto, tende a ser temporário. A IFI calcula que a alta do petróleo deve adicionar de 0,7 a 1,0 ponto percentual à inflação de 2026. Isso faria o IPCA, índice que mede a inflação, subir para uma faixa de 4,5% e 4,9% já neste ano.
Como cita o pesquisador, a mesma inflação que injeta mais dinheiro nos cofres públicos no curto prazo também faz crescer gastos obrigatórios, principalmente aqueles vinculados ao salário mínimo, como benefícios previdenciários, seguro-desemprego e o abono salarial.
Esse incremento de despesas e os mecanismos de compensação para reduzir os impactos da escassez de combustíveis no mercado devem abocanhar parte do alívio arrecadatório. Com isso, a perspectiva apontada pela IFI é de manutenção de juros mais altos por um período prolongado e de desaceleração da economia global, que também devem limitar o crescimento econômico.
Reportagem, Álvaro Couto.