Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Governo deixa de blindar ida de ex-ministro Gonçalves Dias à CPI Mista do 8 de Janeiro

Parlamentares da base governista recuaram da posição anterior e apoiam convocação de ex-GSI de Lula para depor na CPMI que investiga atos de invasão e depredação na Esplanada dos Ministérios, em Brasília; analista elogia tática


O governo parou de trabalhar contra a ida do ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Gonçalves Dias, à CPI Mista (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) instalada no Congresso Nacional para investigar os atos de vandalismo que aconteceram no dia 8 de janeiro passado, nos prédios da Praça dos Três Poderes. Os membros da CPI se reuniram nesta terça-feira (20) e aprovaram novas convocações, entre elas a do ex-ministro que cuidava da segurança do presidente Lula.

Gonçalves Dias foi parar no centro do furacão político de Brasília depois que apareceu em um vídeo vazado pela Imprensa, onde confraternizava com os invasores que depredaram o Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro. Além disso, o general é acusado pela oposição de ser o responsável pela fraude detectada em três relatórios de segurança da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), sobre a depredação dos prédios.

Diferentemente do que aconteceu na semana passada, desta vez todos os parlamentares governistas foram favoráveis à convocação, quando o presidente da CPI, deputado Arthur Maia (União-BA), leu os requerimentos.

"Tática interessante"

Na opinião do cientista político André César, a decisão “foi uma tática interessante”, porque não faz sentido continuar tentando impedir a ida do ex-ministro à Comissão, já que - de qualquer forma - o general já terá que depor à CPI que investiga o mesmo assunto na Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) instalada com o mesmo propósito da CPI Mista do Congresso Nacional. 

"Já que ele vai à Câmara Distrital não tem porque segurar, mas [eu vejo que a decisão] é algo interessante nesse momento, em termos de tática dos governistas. E já que eles têm maioria, fica mais fácil escolher a data", observou. "Então bota hoje o Dias, ele não faz cena, não faz barulho, e como ele vai ser - lá na frente, também - vai ser chamado para ser ouvido, para comparecer, então realmente é algo que fica assim tranquilo, vamos dizer, para o governo", analisou.

Outras convocações

Além de G. Dias, os parlamentares da Comissão devem ouvir, após o recesso parlamentar: Saulo Moura, ex-diretor da Abin, e o coronel Jean Lawand Jr., ex-subchefe do Estado-Maior do Exército. Jean Lawand é acusado de enviar mensagens a Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, pedindo para que ele convencesse o então presidente a decretar uma intervenção militar no Brasil. 

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LOC: O governo parou de trabalhar contra a ida do ex-ministro do GSI (Gabinete de Segurança Institucional), general Gonçalves Dias, à CPI Mista (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), instalada no Congresso Nacional para investigar os atos de vandalismo que aconteceram no dia 8 de janeiro passado, nos prédios da Praça dos Três Poderes - em Brasília. Os membros da CPI se reuniram nesta terça-feira (20) e aprovaram novas convocações, entre elas a do ex-ministro que cuidava da segurança do presidente Lula.

Gonçalves dias foi parar no centro do furacão político de Brasília depois que apareceu em um vídeo vazado pela Imprensa, onde confraternizava com os invasores que depredaram o Palácio do Planalto no dia 8 de janeiro. Além disso, o general é acusado pela oposição de ser o responsável pela fraude detectada em três relatórios de segurança da Abin (Agência Brasileira de Inteligência), sobre a depredação dos prédios.

Diferentemente do que aconteceu na semana passada, desta vez todos os parlamentares governistas foram favoráveis à convocação, quando o presidente da CPI, deputado Arthur Maia (União-BA), leu os requerimentos.

 

SONORA: Deputado Arthur Maia, presidente CPMI 8 de Janeiro

"Os itens 13 a 19 tratam por diversos deputados da convocação do general Marcos... Marco Edson Gonçalves Dias. Em apreciação esse requerimentos, aqueles que forem a favor da aprovação permaneçam como se encontram. Está aprovado." 


LOC: Na opinião do cientista político André César, a decisão “foi uma tática interessante”, porque não faz sentido continuar tentando impedir a ida do ex-ministro à Comissão, já que - de qualquer forma - o general já terá que depor à CPI que investiga o mesmo assunto na Câmara Legislativa do Distrito Federal, instalada com o mesmo propósito da CPI Mista do Congresso Nacional. 

SONORA: André César, cientista político

 "Já que ele vai à Câmara Distrital não tem porque segurar. É algo interessante nesse momento, em termos de tática dos governistas. E já que eles têm maioria, fica mais fácil. Bota hoje o Dias, ele não faz cena, não faz barulho, e como ele vai ser - lá na frente, também - vai ser chamado para ser ouvido, para comparecer, então realmente é algo que fica assim tranquilo, vamos dizer, para o governo." 


LOC: Além do ex-ministro do GSI, general Gonçalves Dias, os parlamentares da CPI Mista convocaram o ex-diretor da Abin, Saulo Moura, e o coronel Jean Lawand Jr., ex-subchefe do Estado-Maior do Exército. Jean Lawand Jr. é acusado de enviar mensagens a Mauro Cid, ex-ajudante de ordens de Jair Bolsonaro, pedindo para que Cid convencesse o então presidente a decretar uma intervenção militar no Brasil. A CPI foi instalada para investigar até que ponto o vandalismo do dia 8 de janeiro aconteceu por responsabilidade ou omissão de autoridades do atual governo ou do governo passado.

Reportagem: José Roberto Azambuja