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LOC.: 142 municípios do Rio Grande do Sul alegam enfrentar falta de óleo diesel. O conflito no Oriente Médio criou um cenário de escassez no mercado internacional de petróleo e obrigou prefeitos gaúchos a suspenderem obras e atividades dependentes de maquinário para racionalizar o combustível.
Serviços na área da saúde, como o abastecimento de ambulâncias para o transporte de pacientes, estão sendo priorizados, enquanto o transporte escolar e a coleta de lixo em diversas cidades são revistos.
O questionário da Federação das Associações de Municípios do Rio Grande do Sul foi respondido por mais de 300 prefeituras. A presidência da entidade afirma que vai acionar os governos federal e estadual na busca de alternativas.
A guerra jogou pressão sobre os estoques existentes no Brasil e sobre a Petrobras, principal fornecedora do mercado interno. A Agência Nacional do Petróleo estima que o volume de combustíveis importado caiu quase 60% na primeira quinzena de março deste ano em relação ao mesmo período do ano passado. Cerca de 30% do diesel consumido no país e 10% da gasolina vêm de fora.
Quem define o preço do combustível cobrado pelas refinarias das distribuidoras é a Petrobras. Cálculos da Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis indicam que há uma defasagem entre o preço interno e o externo equivalente a R$ 2,68, quase três quartos do valor. Para a Abicom, a prática desincentiva a produção e o refino em solo nacional, o que leva à redução da oferta dos produtos e amplia o risco de desabastecimento. A tendência é que as localidades mais afastadas de grandes centros de distribuição sejam as mais impactadas.
O último aumento anunciado pela estatal brasileira sobre o diesel foi no dia 14 de março. Um reajuste de R$ 0,38 por litro. Um dia antes, o governo federal isentou o PIS-Cofins sobre o combustível, além de oferecer um subsídio para produtores e importadores nacionais e determinar ações de fiscalização para garantir a efetividade das medidas. A expectativa é de uma redução de R$ 0,64 por litro de diesel.
Apesar disso, os preços dos combustíveis no Brasil estão em alta pela terceira semana seguida, conforme pesquisa da ANP. De R$ 6,03 na última semana de fevereiro, data do ataque dos Estados Unidos e Israel ao Irã, para R$ 7,26 na semana encerrada no sábado passado, dia 21.
Reportagem, Álvaro Couto.