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LOC.: A conta é simples: quando se gasta mais do que se ganha, alguma conta acaba ficando sem pagamento. E é essa também a realidade de grande parte dos municípios brasileiros neste fim de ano. Tendo o Fundo de Participação dos Municípios (FPM) como a principal fonte de arrecadação, 60% das cidades brasileiras estão com as contas desequilibradas, por conta das quedas que vêm sofrendo nesse repasse desde julho.
Um exemplo é a situação do Pará, onde 88 das 144 prefeituras têm dificuldades em fechar as contas e pagar o 13º salário dos servidores. Segundo Nélio Aguiar, prefeito de Santarém e presidente da Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará, a Famep, para pagar a folha de dezembr, os prefeitos costumam fazer — ao longo do ano — uma reserva de recursos.
TEC/SONORA: Nélio Aguiar, prefeito de Santarém e presidente da Federação das Associações dos Municípios do Estado do Pará (Famep)
“Com a situação de crise, muitos municípios não estão conseguindo fazer essa reserva. Com isso, existe um risco grande de chegar ao prazo de pagamento do 13º (na primeira quinzena de dezembro) e não ter o recurso para pagar.”
LOC.: O prefeito de Alexânia, em Goiás, Allysson Lima, também é vice-presidente da Amab (Associação dos Municípios Adjacentes a Brasília) que engloba 29 cidades de Goiás e quatro de Minas Gerais. Segundo ele, os municípios são a parte mais fraca da federação.
TEC/SONORA: Allysson Lima, prefeito de Alexânia e vice-presidente da Amab (Associação dos Municípios Adjacentes à Brasília)
“É onde as pessoas moram, é onde elas precisam ser atendidas na ponta em todas as suas necessidades: seja saúde, educação, assistência social e infraestrutura. Ainda assim, os municípios são os que ficam com a menor parcela do que é arrecadado.” Desabafa o gestor.
LOC.: Além dos repasses reduzidos do FPM e ICMS em 2023, segundo o assessor de orçamento Cesar Lima, os municípios precisam melhorar a gestão dos gastos que têm hoje, além de aumentar a arrecadação.
TEC/SONORA: César Lima, assessor de orçamento
“O grande problema hoje da administração pública é que além do grande gasto, temos um gasto ruim. As prefeituras precisam se organizar melhor, tentar preservar o máximo possível a prestação de serviços à população, automatizar seus processos administrativos — de forma que de
LOC.: O assessor ainda explica que, hoje, a maioria das prefeituras está na margem a prudencial — ou até mesmo acima do limite prudencial — e a maior parte do gasto vem com folha de pessoal.
Reportagem, Lívia Braz