Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados
Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

Expansão do mercado de gás natural pode baratear energia elétrica no Rio Grande do Sul

Falta de infraestrutura ainda é barreira para o crescimento do uso do combustível no estado; só 8% dos municípios gaúchos recebem gás encanado


Apesar de o Brasil ter capacidade para duplicar a produção de gás natural em 10 anos, 40% do produto consumido no país é importado da Bolívia, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Ainda assim, a operação para trazer o combustível do país vizinho é complexa por conta da estrutura precária. O gasoduto Brasil-Bolívia, conhecido como Gasbol, cruza os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, mas só abastece grandes centros. Por conta disso, somente 8% dos municípios gaúchos são atendidos e recebem o gás encanado.

O diretor do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Edilson Deitos, aponta que a falta de infraestrutura é a principal barreira para a expansão do uso de gás natural no estado. Para ele,  ampliar a oferta e ter condições mínimas para fornecer essa fonte de energia aos municípios do interior pode significar queda no preço de produtos e da conta de luz.

“Atualmente, o Rio Grande do Sul está operando no limite da capacidade do gasoduto que vem da Bolívia. Possuímos duas termelétricas que poderiam estar participando de leilões de energia e operar a plena carga, o que hoje não ocorre. A própria refinaria Alberto Pasqualini é uma grande consumidora de gás natural. O maior fornecimento de gás natural poderia beneficiar também as indústrias no setor metal-mecânico, da alimentação e do plástico, que hoje operam com GLP ou com recursos ainda mais caros”, ressalta.

Nas contas da entidade que representa a indústria gaúcha, a redução do preço do gás natural em 50%, a partir da entrada de novas empresas no setor de gás, pode gerar ganhos de US$ 41,6 milhões nas chamadas indústrias energo-intensivas (que consomem muita energia) e atrair até US$ 31 bilhões em investimentos até 2030, no Brasil.

No entendimento do deputado Alceu Moreira (MDB-RS), o potencial do gás natural pode ser ainda mais explorado a partir da aprovação da proposta que ficou conhecida como Nova Lei do Gás (PL 6.407/2013), inclusive no campo. O texto, que pode ser votado nas próximas semanas na Câmara dos Deputados, propõe reduzir a burocracia para construção de gasodutos e facilitar a entrada de investidores em toda a cadeia de gás natural.

“Para a indústria, o PL [6.407/13] vai reduzir o custo da energia. Para nós daqui do Sul, que gastamos energia na produção de arroz irrigado, a partir da energia do gás, teremos condição de reduzir o custo. A matriz energética brasileira será totalmente modificada a partir da Nova Lei do Gás e da estruturação de uma rede de fornecimento de gás para a energia do país”, argumenta.

O diretor de eletricidade e gás da Abraceel e coordenador-adjunto do Fórum do Gás, Bernardo Sicsú, reforça que quanto mais o mercado de gás natural for estimulado no Brasil, maiores serão os ganhos do consumidor. 

“O segmento do gás tem um papel relevante na matriz energética mundial. O preço do gás se alastra por vários produtos, logo o custo é multiplicado por toda a cadeia econômica. A redução de seu preço vai gerar benefícios para toda a economia em um efeito cascata”, esclarece.

O atual relator da Nova Lei do Gás, deputado Laercio Oliveira (PP-SE), estima que a matéria seja votada ainda em julho no Plenário da Câmara, a depender da aprovação de um requerimento de urgência apresentado pelo deputado Paulo Ganime (NOVO-RJ) e de acordo entre líderes e o presidente Rodrigo Maia.

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LOC.: Apesar do Brasil ter capacidade para duplicar a produção de gás natural em 10 anos, 40% do produto consumido no país é importado da Bolívia, segundo dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE). Ainda assim, a operação para trazer o combustível do país vizinho é complexa por conta da estrutura precária. O gasoduto Brasil-Bolívia, conhecido como Gasbol, cruza os estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo, Santa Catarina, Paraná e Rio Grande do Sul, mas só abastece grandes centros. Por conta disso, somente 8% dos municípios gaúchos são atendidos e recebem o gás encanado.

O diretor do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS), Edilson Deitos, aponta que a falta de infraestrutura é a principal barreira para a expansão do uso de gás natural no estado. Para ele,  ampliar a oferta e ter condições mínimas para fornecer essa fonte de energia aos municípios do interior pode significar queda no preço de produtos e da conta de luz.

TEC/SONORA: Edilson Deitos, diretor do Conselho de Infraestrutura da Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul (FIERGS)

“O Rio Grande do Sul está operando no limite da capacidade do gasoduto que vem da Bolívia. Possuímos duas termelétricas que poderiam estar participando de leilões de energia e operar a plena carga, o que hoje não ocorre. O maior fornecimento de gás natural poderia beneficiar também as indústrias no setor metal-mecânico, da alimentação e do plástico.”

LOC.: Nas contas da entidade que representa a indústria gaúcha, a redução do preço do gás natural em 50%, a partir da entrada de novas empresas no setor de gás, pode gerar ganhos de US$ 41,6 milhões nas chamadas indústrias energo-intensivas (que consomem muita energia) e atrair até US$ 31 bilhões em investimentos até 2030, no Brasil.

No entendimento do deputado Alceu Moreira (MDB-RS), o potencial do gás natural pode ser ainda mais explorado, inclusive no campo, a partir da aprovação da Nova Lei do Gás (PL 6.407/2013) no Congresso Nacional.

TEC/SONORA: Deputado Alceu Moreira (MDB-RS)

“Para a indústria, o PL [6.407/13] vai reduzir o custo da energia. Para nós daqui do Sul, que gastamos energia na produção de arroz irrigado, a partir da energia do gás, teremos condição de reduzir o custo. A matriz energética brasileira será totalmente modificada a partir da Nova Lei do Gás e da estruturação de uma rede de fornecimento de gás para a energia do país.”

LOC.: O texto, que pode ser votado nas próximas semanas na Câmara dos Deputados, propõe reduzir a burocracia para construção de gasodutos e facilitar a entrada de investidores em toda a cadeia de gás natural. O atual relator da Nova Lei do Gás, deputado Laercio Oliveira (PP-SE), estima que a matéria seja votada ainda em julho em Plenário.

Reportagem, Daniel Marques