Foto: Divulgação/Semdes
Foto: Divulgação/Semdes

SUAS no Nordeste: região concentra 31,7% dos CRAS do país; saiba onde buscar atendimento

Sistema garante organização nacional e autonomia local na assistência social; 55,9% das unidades do território realizam o registro ou a atualização do CadÚnico

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A Região Nordeste concentra 31,7% dos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) do Brasil, o equivalente a cerca de 2,7 mil unidades, segundo dados do Censo SUAS 2023. A Bahia lidera o ranking regional, com 646 CRAS, seguida pelo Ceará, com 406, e por Pernambuco, com 343

A estrutura faz do território um dos principais pontos de acesso da população aos serviços de assistência social, como o Cadastro Único (CadÚnico) e o atendimento a famílias em situação de vulnerabilidade. Do total de centros da região, cerca de 55,9% realizam o registro ou a atualização do CadÚnico para Programas Sociais do Governo Federal, como o Bolsa Família.

Atendimento assistencial na Região Nordeste

Nos CRAS, a população é atendida principalmente pelo Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF), que desenvolve um trabalho social continuado com o objetivo de:

  • fortalecer a função protetiva das famílias;
  • prevenir a ruptura de vínculos, promover o acesso a direitos;
  • e contribuir para a melhoria da qualidade de vida.

O levantamento aponta ainda que mais de 323 mil pessoas compareceram regularmente aos atendimentos coletivos do PAIF na Região Nordeste. A maior participação foi registrada entre mulheres de 19 a 59 anos, que somaram aproximadamente 122 mil atendimentos.

Além dos CRAS, a rede do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) no Nordeste conta com:

  • 1.109 unidades do Centro de Referência Especializado de Assistência Social (CREAS);
  • 62 Centros de Referência Especializados para População em Situação de Rua (Centros POP);
  • 166 Centros-Dia de Referência para Pessoa com Deficiência e suas Famílias; e
  • 852 Unidades de Acolhimento.

SUAS: Unidades de assistência na Região Nordeste

UFs CRAS CREAS Centros POP Centros Dia Unidades de Acolhimento
AL 141 97 5 40 55
BA 646 257 18 63 271
CE 406 117 9 12 121
MA 324 122 9 7 68
PA 272 104 6 10 62
PE 343 193 10 8 140
PI 274 75 2 5 26
RN 223 64 2 16 50
SE 109 80 1 5 59

Fonte: Observatório Censo SUAS 2023

SUAS: Como ter acesso às unidades de atendimento?

Para facilitar o acesso da população aos serviços de assistência social, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) disponibiliza o Mapa Social, uma ferramenta pública e interativa que reúne informações sobre as principais unidades da rede socioassistencial em todo o país.

Fonte: Reprodução/MDS

A plataforma permite localizar pontos de atendimento como os CRAS, CREAS, Centros POP, unidades de acolhimento e outros serviços vinculados ao SUAS, de acordo com o município ou a região do usuário.

SUAS

O direito à assistência social no Brasil está assegurado desde a Constituição Federal de 1988. No entanto, foi a partir da criação do SUAS, em 2005, que essa política pública, vinculada ao MDS, passou a reconhecer, de forma estruturada, estados e municípios como entes federados responsáveis pela execução dos serviços.

Antes do SUAS, os programas existentes não consideravam as especificidades dos territórios. Segundo Rosilene Rocha, gerente de projetos da Secretaria Nacional de Assistência Social (SNAS), as iniciativas anteriores “não respeitavam as distinções, a autonomia e as singularidades” regionais.

“O Brasil é um país grande, muito diverso. Então, acho que essa é uma grande conquista. É você ter um sistema público, de política pública, com critérios claros de financiamento, critérios claros de partilha de recursos, que tem um ordenamento jurídico constitucional e infraconstitucional, que tem portarias, mas que, nessa regulamentação, considera as diferenças regionais e locais”, afirma a gestora.

Para Rosilene, o diferencial do SUAS está justamente na combinação entre organização nacional e autonomia local. “Os municípios e estados têm todos uma unidade em torno do sistema, mas, ao mesmo tempo, a possibilidade de considerar seus diagnósticos, seus dados, seus números e suas realidades locais”, ressalta.

O Piauí tem se destacado como um exemplo desse processo. Nas últimas duas décadas, o estado registrou avanços em indicadores sociais. Relatórios elaborados em parceria entre o governo estadual, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) e o MDS apontam que o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) subiu de 0,480 em 2000 para 0,710 em 2020, patamar classificado internacionalmente como “alto desenvolvimento humano”.

De acordo com a Pasta, essa evolução está relacionada à expansão da rede de assistência social e a iniciativas complementares, como o Programa Cisternas, que entregou cerca de 11 mil unidades no território piauiense. A tecnologia garante acesso à água para consumo e produção de alimentos em períodos de estiagem, além de movimentar a economia local ao priorizar mão de obra comunitária. 

Criada em 2003, a medida já entregou mais de 1,3 milhão de unidades em todo o país, a maioria no Semiárido nordestino. Entre 2023 e 2025, foram construídas 104,3 mil cisternas, das quais 88,6% na Região Nordeste.

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LOC.: No Nordeste, a presença do Sistema Único de Assistência Social, o SUAS, é significativa. Dados do Censo SUAS 2023 mostram que a região concentra TRINTA E UM POR CENTO dos Centros de Referência Especializados de Assistência Social, os CRAS, do país - cerca de DOIS MIL E SETECENTOS.

Mais da metade desses centros realiza o registro ou a atualização do Cadastro Único para Programas Sociais.

A Bahia lidera o ranking regional, com SEISCENTOS E QUARENTA E SEIS centros, seguida pelo Ceará, com QUATROCENTOS E SEIS, e por Pernambuco, com TREZENTOS E QUARENTA E TRÊS.

Para localizar os serviços, o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome, o MDS, disponibiliza o Mapa Social, ferramenta online que permite encontrar pontos de atendimento do SUAS por estado e município em todo o país.

O direito à assistência social é garantido no Brasil desde a Constituição de 1988. Mas foi em 2005, com a criação do SUAS, que estados e municípios passaram a ter responsabilidades bem definidas na oferta desses serviços.

Antes do SUAS, os programas sociais não levavam em conta as realidades de cada território. 

Segundo Rosilene Rocha, gerente de projetos da Secretaria Nacional de Assistência Social, as iniciativas anteriores não respeitavam a autonomia nem as características locais.

TEC./SONORA: Rosilene Rocha, gerente de projetos da Secretaria Nacional de Assistência Social

“O Brasil é um país grande, muito diverso. Então, acho que essa é uma grande conquista. É você ter um sistema público, de política pública, com critérios claros de financiamento, critérios claros de partilha de recursos, que tem um ordenamento jurídico constitucional e infraconstitucional, que tem portarias, mas que, nessa regulamentação, considera as diferenças regionais e locais.”


LOC.: O Piauí é um exemplo desse processo. De acordo com o MDS, nas últimas décadas, o estado apresentou uma das maiores evoluções sociais do país. 

Relatórios do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento e da Pasta mostram que o Índice de Desenvolvimento Humano subiu de 0,480 em 2000 para 0,710 em 2020, patamar considerado como “alto desenvolvimento humano” internacionalmente.

Essa transformação também está relacionada a iniciativas em áreas de educação, saúde e renda, como o Programa Cisternas. 

Criada em 2003, a tecnologia garante acesso à água em períodos de estiagem, fortalece a agricultura familiar e movimenta a economia local.

Entre 2023 e 2025, foram construídas ONZE MIL cisternas no Piauí. No mesmo período, mais de CENTO E QUATRO MIL unidades foram entregues em todo o país, das quais cerca de OITENTA E OITO POR CENTO na Região Nordeste.

Para mais informações, acesse gov.br/mds.

Reportagem, Maria Clara Abreu