Foto: Marcello Casal/JrAgência Brasil
Foto: Marcello Casal/JrAgência Brasil

Simples Nacional: setor empresarial de Pernambuco defende atualização dos limites de faturamento

Representantes de entidades defendem correção dos limites de faturamento para compensar perdas inflacionárias acumuladas desde 2018 e evitar aumento da carga tributária sobre micro e pequenas empresas

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A atualização dos limites de faturamento do Simples Nacional voltou ao debate no Congresso Nacional por meio do PLP 108/2021. O texto prevê o aumento do limite de faturamento anual do MEI para até R$ 130 mil e autoriza esse perfil de empreendedor a contratar até dois empregados. 

Segundo representantes de entidades empresariais de Pernambuco, a medida busca evitar que empresas sejam desenquadradas do Simples apenas pelo crescimento nominal da receita. O presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Pernambuco (Facep), Ricardo Montenegro, afirma que o aumento do faturamento nem sempre é acompanhado por maior lucratividade.  

“A atualização dos limites do Simples é essencial porque muitas empresas crescem apenas nominalmente e não aumentam sua lucratividade. Sem essa correção, o pequeno negócio pode ser desenquadrado injustamente, passando a pagar mais impostos e enfrentar mais burocracia. O Simples é uma ferramenta importante para manter as empresas formalizadas, competitivas e gerando emprego”, explica o presidente da Facep.

Montenegro também avalia que a discussão ganha relevância diante da reforma tributária. “O Simples será mantido, mas as empresas terão que avaliar como vão tratar os novos tributos IBS e CBS, inclusive considerando crédito tributário e competitividade dentro de suas cadeias de venda”, completa.

Justiça Tributária

O empresário e ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Toritama (Acit), Edilson Tavares, afirma que a atualização dos limites contribui para a manutenção da competitividade e da geração de empregos pelas micro e pequenas empresas. 

Segundo ele, os limites permanecem sem atualização desde 2018, enquanto custos com matéria-prima, logística e mão de obra aumentaram ao longo do período. Com isso, empresas ultrapassam os tetos de faturamento sem registrar ganho real de lucratividade.

Para Tavares, a correção da tabela recompõe perdas acumuladas pela inflação. “Corrigir a tabela do Simples Nacional não significa conceder benefício fiscal, absolutamente, mas sim recompor as perdas causadas pela inflação. Trata-se de uma medida de justiça tributária, que evita que empresas sejam penalizadas por um aumento nominal do faturamento que não representa, necessariamente, um crescimento econômico real”, salienta Tavares.

Atualização da tabela

Sob a liderança da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), a atualização da tabela do Simples Nacional mobiliza entidades empresariais em todo o país.

O objetivo é corrigir os limites de faturamento para microempreendedores individuais (MEIs), microempresas e empresas de pequeno porte e, assim, permitir que os negócios permaneçam enquadrados no regime tributário simplificado mesmo após ampliarem suas receitas. 

Para a confederação, o aumento do teto anual do MEI deve ser para R$ 144,9 mil.  Para microempresas, o limite sugerido é de cerca de R$ 869,4 mil, enquanto empresas de pequeno porte poderiam alcançar faturamento de até R$ 8,69 milhões. 

O presidente da CACB, da Federação das Associações Comerciais do Estado de São Paulo (FACESP) e da Associação Comercial de SP (ACSP), Alfredo Cotait Neto, defende que atualizar a tabela do Simples é importante para evitar que empresas deixem o regime simplificado ou migrem para a informalidade.

“O que nós precisamos é conscientizar os nossos políticos da importância da aprovação do aumento do limite do Simples Nacional, pelo menos para o MEI, o microempreendedor individual, e para o micro e a microempresa. Sem isso, as empresas ou vão mudar o seu regime ou vão para informalidade”, destaca Cotait.  

Tramitação 

Em março de 2026, a Câmara dos Deputados aprovou o regime de urgência para o PLP 108/2021. Com a urgência, o texto poderia seguir para votação direta em plenário, sem passar pelas comissões temáticas. Em contrapartida, os parlamentares criaram uma comissão especial para aprofundar o debate. A discussão reúne especialistas, representantes do governo e do setor produtivo antes da votação final. 

Após eventual aprovação na Câmara, o projeto retorna para o Senado Federal – local em que teve origem. 

A instalação do colegiado especial é considerada uma conquista para o G50+ – grupo estratégico criado pela CACB com o intuito de ampliar a representação empresarial junto ao Congresso Nacional e ao governo federal.

Defasagem 

Criado para simplificar o pagamento de tributos e estimular o empreendedorismo, o Simples Nacional reúne diversos impostos em uma única guia e é hoje o principal regime tributário para pequenos negócios no país.

Os limites de faturamento, em vigor desde 2018, são:

  • R$ 81 mil por ano para o Microempreendedor Individual (MEI)
  • R$ 360 mil para microempresas (ME)
  • R$ 4,8 milhões para empresas de pequeno porte (EPP)

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LOC.: Empresários pernambucanos defendem a atualização dos limites de faturamento do Simples Nacional. A medida está em debate no Congresso Nacional por meio do Projeto de Lei Complementar 108 de 2021, que trata das faixas de enquadramento do regime tributário utilizado por micro e pequenas empresas.  

A proposta estabelece o aumento do limite de faturamento anual do MEI para até 130 mil reais e autoriza que a faixa possa empregar até dois funcionários.

Representantes do setor produtivo afirmam que os limites atuais estão sem atualização desde 2018 e que muitas empresas acabam ultrapassando os tetos de faturamento em razão da inflação e do aumento dos custos operacionais, sem registrar ganho real de lucratividade. 

O presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Pernambuco, Ricardo Montenegro, afirma que a correção da tabela pode evitar o desenquadramento de pequenos negócios. 
 

TEC./SONORA:  Ricardo Montenegro, presidente da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Estado de Pernambuco

“A atualização dos limites do Simples é essencial porque muitas empresas crescem apenas nominalmente e não aumentam sua lucratividade. Sem essa correção, o pequeno negócio pode ser desenquadrado injustamente, passando a pagar mais impostos e enfrentar mais burocracia. O Simples é uma ferramenta importante para manter as empresas formalizadas, competitivas e gerando emprego.”


LOC.: O empresário e ex-presidente da Associação Comercial e Industrial de Toritama, Edilson Tavares, também defende a atualização dos limites.
Segundo ele, o aumento dos custos com matéria-prima, logística e mão de obra fez com que muitas empresas atingissem os limites atuais sem registrar crescimento econômico real.
 

TEC/SONORA: Edilson Tavares, empresário

“Corrigir a tabela do Simples Nacional não significa conceder benefício fiscal, absolutamente, mas sim recompor as perdas causadas pela inflação. Trata-se de uma medida de justiça tributária, que evita que empresas sejam penalizadas por um aumento nominal do faturamento que não representa, necessariamente, um crescimento econômico real.”


LOC.:  A pauta também mobiliza entidades empresariais de outros estados. Sob a liderança da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, a CACB, o setor defende a atualização da tabela do Simples Nacional e a ampliação dos limites de faturamento para microempreendedores individuais, microempresas e empresas de pequeno porte. 

A entidade propõe que o teto anual de faturamento do MEI passe dos atuais 81 mil reais para cerca de 144 mil e 900 reais. 

Para o presidente da CACB, Alfredo Cotait Neto, atualizar a tabela do Simples é importante para evitar que empresas deixem o regime simplificado ou migrem para a informalidade.
 

TEC./SONORA: Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB

“O que nós precisamos é conscientizar os nossos políticos da importância da aprovação do aumento do limite do Simples Nacional, pelo menos para o MEI, o microempreendedor individual, e para o micro e a microempresa. Sem isso, as empresas ou vão mudar o seu regime ou vão para informalidade.”


LOC.: A Câmara dos Deputados analisa a proposta que estabelece o aumento do limite de faturamento anual do MEI para até 130 mil reais por meio de uma Comissão Especial. Esse colegiado promove debates que reúnem especialistas, representantes do governo e do setor produtivo antes da votação final. Após eventual aprovação na Câmara, o projeto retorna para o Senado Federal – local em que teve origem. 

Reportagem, Bianca Mingote