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LOC.: O Senado aprovou nesta terça-feira a Medida Provisória que altera as regras de cálculo dos valores mínimos do frete rodoviário. Pelo texto, o piso da atividade deve refletir os custos operacionais reais e os descumprimentos passam a gerar sanções.
A ANTT, Agência Nacional de Transportes Terrestres, passa a ser responsável por atualizar os pisos periodicamente e sempre que houver variações relevantes no preço do combustível, em parceria com a Infra S.A. – empresa pública federal vinculada ao Ministério dos Transportes.
O piso mínimo salarial nacional de R$ 5 mil mensais para caminhoneiros que percorrem longas distâncias, incluído em outras fases da análise, foi retirado pelos senadores. A avaliação é que o dispositivo seria inconstitucional. Para evitar o retorno da proposta à Câmara, a exclusão não foi tratada como alteração do texto, e sim como supressão.
Entre as principais mudanças está a obrigatoriedade do registro de todas as operações de transporte. A medida estabelece também multas de até R$ 1 milhão para quem contratar frete abaixo do mínimo legal, suspensão ou cancelamento do Registro Nacional de Transportadores Rodoviários de Cargas em caso de reincidência e anistia das multas aplicadas a caminhoneiros por manifestações em 2022.
Criada para atender a uma das principais reivindicações dos caminhoneiros durante a greve nacional de 2018, a política de preços mínimos determina que a tabela seja reajustada sempre que o gatilho de 5% na variação no valor do combustível for atingido, para mais ou para menos.
A análise no plenário do Senado ocorreu após paralisação de caminhoneiros autônomos no Porto de Santos, em São Paulo, que pressionavam pela apreciação do texto. Diante da pressão, o governo federal conseguiu um acordo para viabilizar a votação.
Apesar das alterações, que fizeram a MP se transformar no projeto de lei de conversão (PLV) 6/2026, a proposta segue agora para sanção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A expectativa é que, por ter preservado muitas das ideias do Executivo, o texto seja sancionado quase na íntegra, com exceção do trecho da anistia das multas nas últimas eleições.
Reportagem, Álvaro Couto.