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LOC.: Parlamentares e representantes de setores produtivos se reuniram nesta terça-feira, dia 10 de março, em Brasília, para discutir a modernização da jornada de trabalho.
O seminário foi promovido pela coalizão das Frentes Parlamentares Produtivas e teve como foco os impactos econômicos da proposta de alteração da jornada de trabalho.
A Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, representada no evento pelo presidente da FACIEG, Márcio Luís da Silva, ressaltou a importância do tema para o país, mas alertou para o momento da discussão no Congresso Nacional.
TEC./SONORA: Márcio Luís da Silva, presidente da FACIEG
“Nós entendemos a importância dessa discussão, inclusive nós a apoiamos, mas realmente nos aflige e gera muita inquietação o momento desse debate. Estamos à véspera de um período eleitoral, naturalmente os ânimos se exaltam e alguns parlamentares têm uma dificuldade de fazer um efetivo debate sobre o que é melhor para o nosso país. Então a preocupação é que uma medida de alto impacto como essa, que vai afetar a vida de milhões de empreendedores, seja tomada de maneira açodada.”
LOC.: Um dos organizadores do evento, o deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo, destacou que o fim da escala 6x1 precisa ser debatido com profundidade e com base em análises técnicas. Segundo o parlamentar, é fundamental avaliar os efeitos da proposta sobre o custo de vida, a inflação e, principalmente, sobre o bolso do trabalhador.
TEC./SONORA: Deputado Joaquim Passarinho (PL-PA), presidente da Frente Parlamentar Mista do Empreendedorismo
“Nós precisamos entender, com essas pessoas que empregam 80% da população brasileira, o que elas pensam, como desejam essa modernização e como podemos realizá-la sem um impacto muito grande, principalmente no custo de vida, na inflação e no bolso do trabalhador.”
LOC.: Na ocasião, entidades divulgaram estudos sobre os possíveis impactos da redução da jornada.
Um levantamento encomendado pela Abrasca e conduzido pelos professores José Pastore, José Eduardo Gibello Pastore e André Portella apontou que a diminuição de 44 para 36 horas semanais elevaria em cerca de VINTE E DOIS POR CENTO o custo por hora do trabalho.
O estudo também mostrou que os efeitos variam de setor para setor e que empresas poderiam reagir aumentando preços, investindo em automação ou reorganizando atividades, o que pode ampliar a informalidade.
Já a Confederação Nacional da Indústria apresentou cálculos sobre a adoção de uma jornada de 40 horas semanais. A estimativa indica aumento de custos de até SETE POR CENTO na economia nacional, equivalente a aproximadamente DUZENTOS E SETENTA BILHÕES de reais.
As análises mostram que os impactos da proposta não são uniformes e dependem de fatores como produtividade, custos e níveis de informalidade.
Reportagem, Maria Clara Abreu