Foto: Valter Campanato/Agência Brasil
Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

R$ 1,142 trilhão é o valor da produção agropecuária de agosto. O número é 2.4% maior ao obtido em 2022

Mato Grosso lidera a lista dos estados com maior faturamento seguido por Paraná, São Paulo e Minas Gerais


Um cenário favorável para o agronegócio brasileiro com o Valor Bruto da Produção Agrícola (VBP) estimado em R$ 1,142 trilhão para 2023. Os dados são do Ministério da Agricultura e Pecuária. O valor representa um aumento de 2,4% em relação a 2022, que obteve R$ 1,115 trilhão. Para o advogado especialista em agronegócio Francisco Torma é um bom resultado. Mas ele acredita que o número poderia ser ainda melhor.

“Na verdade, nós tivemos, e pode ser analisado dessa forma, um decréscimo no valor da nossa produção de soja. A colheita foi muito maior e isso significou um percentual de valor muito, quase, insignificante. Ou seja, a commodity perdeu preço no mercado. O especialista diz que os produtores têm encontrado um cenário mais difícil. 

“Os insumos estão caros, o custo da produção é caro, o arrendamento é caro e a nossa commodity não está mais valendo o que valia antes. Por isso que numa produção aí da ordem dos 20% acima, em relação ao ano passado, nós tivemos tão pouco valor agregado em cima. Então o número parece positivo, mas ele poderia ser muito melhor”, avalia.

O advogado especialista em direito ambienta Alessandro Azzoni acredita que a participação do PIB no primeiro trimestre do agro foi elevado, o que também pode ter contribuído para esse resultado: “Justamente por causa dos estoques de grãos e escoamento das produções, agora nós tivemos uma retração nessa participação do PIB, mas era esperado por causa da grande movimentação que foi no primeiro trimestre. A safra recorde de grãos foi realmente um fator que fez essa puxada. Os preços agrícolas e as exportações são os principais fatores que ainda potencializam”, observa.

O faturamento das lavouras foi 4,2%, um valor estimado de R$ 804,3 bilhões. De acordo com o levantamento, os principais fatores responsáveis pelos resultados estão relacionados à safra recorde de grãos deste ano, os preços agrícolas e as exportações. O analista e consultor de SAFRAS & MERCADO Fernando Iglesias explica: “Nós temos uma safra enorme, em especial de soja, tem outros produtos também que tiveram uma participação bem importante — uma safra recorde nessa temporada, o que ajuda esse faturamento”.

Mato Grosso apresentou melhor resultado na produção, seguido por Paraná, São Paulo e Minas Gerais. O faturamento foi de R$ 588,7 bilhões, que corresponde a 51,5% do VBP do país. “Nós percebemos que o Centro-Oeste vem puxando o agronegócio brasileiro com números muito interessantes porque o Centro-Oeste é um grande produtor de grãos”, aponta o advogado especialista em agronegócio, Francisco Torma.

Pecuária

Já a pecuária teve retração de 1,6%, um faturamento de R$ 338,3 bilhões. Franscico Torma explica que a pecuária está em retração porque o setor está passando por uma crise financeira. “O preço da carne está baixo, o valor do leite está baixo, por conta do fomento às exportações de outros países do Mercosul, como Uruguai e Argentina. O Brasil está fazendo o trabalho de viabilizar o produtor de outros países, com dificuldade. O preço do leite está baixando e isto impacta diretamente o produtor de leite que está aí na cadeia pecuária, recebendo muito pouco pelo valor do litro”, revela.

O amendoim, com aumento real de 11,7% no VBP, arroz 11,6%, banana 16,9%, cacau 13,1%, cana de açúcar 13%, feijão 7,3%, laranja 27,2%, mandioca 40,3%, soja, 3,0%, milho 1,1%, tomate 17,3% e uva 9,7% estão entre os produtos que apresentaram melhor resultado este ano. Já a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão são os cinco produtos que responderam por 81,7% do VBP das lavouras e que tiveram melhor desempenho. 

Economia brasileira

Na opinião do consultor de Agronegócio da BMJ Consultores Associados, Victor Nogueira, o crescimento do setor é muito importante porque a agropecuária é bastante relevante para a economia brasileira. “Ela muitas vezes é responsável pelos resultados positivos no PIB e na balança comercial, como por exemplo o que aconteceu no começo do ano, no primeiro trimestre, quando o setor cresceu 21,6%, que foi o principal impulsionador para o PIB ter crescido 1,6%”.

O consultor ainda acrescenta: “Se a agropecuária não tivesse crescido tanto, o resultado trimestral teria sido negativo. Então, quanto mais alto for o valor bruto da produção agropecuária, melhor para a economia brasileira”, aponta.

Já o advogado especialista em agronegócio, Francisco Torma, entende que o agronegócio brasileiro sempre dá resultado positivo na economia do país. Ele lembra que, mesmo com a pandemia, com perdas em setores de comércio, serviços, industrial, o agronegócio se manteve crescendo. Mas, ainda assim, ele acredita que o cenário pode evoluir. 

“O que nós percebemos é que o Brasil precisa fazer o seu dever de casa, principalmente para depender menos da importação de insumos do exterior. E nós temos condições de produzir isso. Depende muito da burocracia estatal de resolver esses licenciamentos. Mas eu acho que a partir desse cenário em que nós começamos a ser mais autossuficientes na produção, na questão dos insumos, nós começamos a ter mais previsibilidade nos nossos números do setor agropecuário”, destaca.

Projeções para o agro

Francisco Torma diz que a tendência é aumentar cada vez mais a produção. “Se o clima ajudar, certamente isso impacta em maiores valores agregados ao agronegócio. Também é importante a abertura de novos mercados”. Torma avalia a questão:

“O Brasil já fez mais de 200 acordos de comércio internacional, e isso reflete a preocupação do mundo com a segurança alimentar. O mundo começou a olhar o Brasil com olhos de consumidor, com preocupação de vir aqui buscar insumos para poder se alimentar. Nós precisamos incentivar isso. A projeção é sempre positiva desde que esses outros fatores não impactem negativamente na nossa produção”, ressalta.

Expectativa

O consultor de Agronegócio da BMJ Consultores Associados, Victor Nogueira espera que fatores como produção, preços agrícolas e volume de exportações, se mantenham favoráveis. “A expectativa é que ocorra outro recorde na produção agrícola, mas isso dependerá principalmente das condições climáticas. A gente precisa ver o quanto que o El Nino vai influenciar a temperatura e as chuvas ao longo de sua duração, mas até o momento eu acredito que as perspectivas são positivas”, observa.

O analista e consultor de SAFRAS & MERCADO Fernando Iglesias acrescenta: “Podemos ter uma breve recuperação dos preços do setor carnes que podem também, ali para 2024, já pensando em 2024, contribuir para valores melhores quando se trata de VPB”.

Já o advogado especialista em direito ambiental Alessandro Azzoni vê com preocupação as proibições que estão sendo colocadas pela comunidade europeia em relação à proibição de produção em áreas desmatadas. 

“Isso é um problema que pode afetar esses números até o final do ano, porque se a carta dos países que fizeram o manifesto contra essa proibição, podem afetar diretamente a questão das nossas exportações. Os resultados tendem a ficar positivos, mas com a ressalva de como ficará esse veto da comunidade europeia aos produtos agropecuários, principalmente para o Brasil em relação a áreas desmatadas”, lamenta.

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LOC.: Um cenário favorável para o agronegócio brasileiro com o Valor Bruto da Produção Agrícola (VBP) estimado em R$ 1,142 trilhão para 2023. Os dados são do Ministério da Agricultura e Pecuária. O valor representa um aumento de 2,4% em relação a 2022, que obteve R$ 1,115 trilhão. Mato Grosso lidera a lista entre os estados com maior faturamento seguido por Paraná, São Paulo e Minas Gerais. Para o advogado especialista em agronegócio, Francisco Torma, é um bom resultado. Mas ele acredta que o número poderia ser ainda melhor.

TEC./SONORA:  advogado especialista em agronegócio, Francisco Torma

“Na verdade, nós tivemos, e pode ser analisado dessa forma, um decréscimo no valor da nossa produção de soja. A colheita foi muito maior e isso significou um percentual de valor muito, quase, insignificante. Ou seja, a commodity perdeu preço no mercado. Os insumos estão caros, o custo da produção é caro, o arrendamento é caro e a nossa commodity não está mais valendo o que valia antes. Por isso que numa produção aí da ordem dos 20% acima, em relação ao ano passado, nós tivemos tão pouco valor agregado em cima. Então o número parece positivo, mas ele poderia ser muito melhor”


LOC.: Na opinião do consultor de Agronegócio da BMJ Consultores Associados Victor Nogueira o crescimento do setor é muito importante porque a agropecuária é bastante relevante para a economia brasileira. 
 

TEC./SONORA: consultor de Agronegócio da BMJ Consultores Associados, Victor Nogueira

“Ela muitas vezes é responsável pelos resultados positivos no PIB e na balança comercial, como por exemplo o que aconteceu no começo do ano, no primeiro trimestre, quando o setor cresceu 21,6%, que foi o principal impulsionador para o PIB ter crescido 1,6%. Se a agropecuária não tivesse crescido tanto, o resultado trimestral teria sido negativo. Então, quanto mais alto for o valor bruto da produção agropecuária, melhor para a economia brasileira”
 


LOC.: O analista e consultor de SAFRAS & MERCADO Fernando Iglesias ainda acrescenta:

TEC./SONORA: analista e consultor de SAFRAS & MERCADO, Fernando Iglesias

“Podemos ter uma breve recuperação dos preços do setor carnes que podem também, ali para 2024, já pensando em 2024, contribuir para valores melhores quando se trata de VPB”


LOC.: O amendoim, com aumento real de 11,7% no Valor Bruto da Produção, arroz, banana, cacau, cana de açúcar, feijão, laranja, mandioca, soja, milho, tomate e uva estão entre os produtos que apresentaram melhor resultado este ano. Já a soja, o milho, a cana-de-açúcar, o café e o algodão são os cinco produtos que responderam por 81,7% do VBP das lavouras e que tiveram melhor desempenho. 

Reportagem, Lívia Azevedo