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LOC1: Aos dezenove anos, Adriel Caldas acorda com a alvorada, sente o cheiro da terra ainda úmida, e sabe que o dia de trabalho será intenso e promissor. Ele mora no núcleo rural Santos Dumont, em Planaltina, há 40 quilômetros de Brasília. Cada manhã de Adriel segue o mesmo caminho que seu pai cultivava e que ele agora abraça como projeto de vida.
TEC./SONORA: Adriel Caldas
"Eu vi ali uma chance de a gente talvez crescer um pouco mais ali em questão do plantio, e aí a gente ir cada vez crescendo mais."
LOC2: Na região do Centro-Oeste, viver do que se planta significa enfrentar desafios diários: solo que demanda irrigação e adubo, mercados distantes, custos que se acumulam. Mas há também uma força que cresce: produtores familiares, como o jovem Adriel, desejam investir mais, produzir melhor, transformar sua roça em fonte de renda digna para suas famílias.
TEC: Vinheta da campanha AgroAmigo
LOC3: É aí que entra o AgroAmigo, o microcrédito produtivo do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional em parceria com a Caixa Econômica Federal. A iniciativa disponibiliza um bilhão de reais para as regiões Norte e Centro-Oeste. Desde o lançamento do programa no Centro-Oeste, em março deste ano, pequenos produtores movimentaram mais de onze milhões de reais em crédito. Na região, onde está Adriel, pelo menos 100 mil famílias podem ter acesso ao microcrédito. Para ele, esse recurso pode fazer toda a diferença no dia a dia, já que a renda do plantio ajuda nas despesas da família: os pais e duas irmãs menores.
TEC./SONORA: Adriel Caldas
Rapaz, na roça tem de todos.Tudo na roça é um obstáculo. Às vezes a gente pega uma verdura no mercado e acha caro, às vezes. Mas só Deus sabe o que o produtor passou pra produzir aquilo ali.
LOC4: Ele está numa contagem regressiva de cinquenta dias: é nesse intervalo que suas duas mil mudas de tomate vão alcançar a maturação. Se tudo der certo, as caixas de tomate, pesando cerca de 20 quilos cada, poderão render mais de 80 reais no mercado. Um valor que vai além do fruto: é investimento no futuro, no sustento da casa, na promessa de crescimento.
TEC./SONORA: Adriel Caldas
"A gente vinha ali tentando com diversas outras coisas, como quiabo, maxixe, abobrinha, jiló, berinjela, já plantamos de tudo. O tomate, o custo pra você se produzir hoje se torna alto. Porém, a probabilidade de dar certo em questões lucrativas é maior, né? Por conta ali da procura maior. E aí a gente foi e optou por investir."
LOC5: O jovem nunca tinha acessado crédito para ajudar nas despesas do sítio. Até que sua prima, que atua em uma associação agrícola na região, o convidou para participar de uma reunião sobre o microcrédito produtivo AgroAmigo.
TEC./SONORA: Adriel Caldas
"E aí ela foi e me contatou. Falou ‘Adriel, vai ter uma reunião assim, assim, assado, de um microcrédito, você não tem interesse não?’ Falei, rapaz, vamos lá, vamos tentar, que às vezes esse trem do governo a gente fica até meio assim cismado, a gente tem esse receio."
LOC6: Quando chegou à reunião, Adriel conheceu um agente de microfinanças da CACTVS, a agência de pagamentos credenciada no programa pela Caixa. Ele explicou como pedir o crédito direto pelo celular, no aplicativo Conquista Mais. Adriel precisou enviar alguns documentos, como o Cadastro da Agricultura Familiar, o CAF, preencheu as informações sobre o que queria financiar e logo teve o pedido aprovado. Depois que o contrato de doze mil reais foi assinado, o dinheiro ficou disponível em cerca de trinta dias. Ele enviou o orçamento dos itens e, em uma semana, os fornecedores receberam o pagamento liberando as compras.
TEC./SONORA: Adriel Caldas
"No caso, eu investi ali em adubação orgânica, adubação química, calcareamento da terra, desde a muda, que hoje, graças a Deus, tá na terra, mas desde a muda até o preparo da terra, semeio, semente, tudo, tudo eu utilizei com o valor do microcrédito. e ainda sobrou ali um pouquinho que aí deu pra mim, quitar umas dívidas antigas na roça que tinha."
LOC7: Adriel pretende vender os tomates nas principais feiras livres do Distrito Federal, como a Feira do Produtor de Planaltina, o CEASA e a Feira do Produtor de Ceilândia. Apesar dos planos, o jovem é realista com as dificuldades que podem acontecer.
TEC./SONORA: Adriel Caldas
"Eu plantei pensando mais na venda de novembro e dezembro que ali é mês festivo, natal, então talvez a venda possa ser um pouco melhor. Nada é certeza, tem dia que dá bom, tem dia que dá ruim, tem dia que não vende nada. Aí vai devagarzinho."
LOC8: As variações nos preços das hortaliças e as flutuações de oferta e demanda no mercado impactam diretamente o trabalho de agricultores autônomos. Para Adriel, a principal dificuldade são os altos custos de produção. O microcrédito AgroAmigo foi, então, o reforço que faltava para investir nos insumos e ampliar o plantio.
TEC./SONORA: Adriel Costa
"Eu acho que é um programa que visou mesmo ajudar o pequeno produtor. A gente tem muitas adversidades. Hoje em dia de insumo, se torna muito caro, em questão de semeio se torna muito caro, estacamento, arame, então tudo tem um custo muito alto. E às vezes a gente plantando por conta própria, não tem essa condição de talvez dar um pulo pra frente ali no plantio."
LOC9: O AgroAmigo começou como um projeto-piloto em 2024, e vai ser expandido para promover o empreendedorismo e a inclusão financeira, como explica o ministro da Integração e do Desenvolvimento Regional, Waldez Góes.
TEC./SONORA: Ministro Waldez Góes
“Obviamente que esses volumes só vão aumentar. Então é um bilhão de reais onde nós vamos poder oferecer para os agricultores, para os extrativistas, para os pescadores, para os artesãos locais, para os que fazem o desenvolvimento do turismo local, através do Pronaf B, oportunidade para o jovem, para a mulher, para o produtor numa mesma família.”
LOC10: O microcrédito AgroAmigo tem juros de 0 vírgula 5 por cento ao ano, bônus de até quarenta por cento para quem paga em dia, e o melhor: oferece de um a três anos para terminar o pagamento com calma. O AgroAmigo também pode transformar a sua história. Quer saber mais? Acesse: gov .br /agroamigo Com edição de texto e áudio de Alexandra Fiori, reportagem, Giulia Luchetta.