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LOC.: Modernizar a legislação, reduzir a morosidade e aumentar a competitividade do agronegócio brasileiro, sem prejudicar a saúde humana e o meio ambiente, são benefícios esperados com o Novo Marco dos Defensivos Agrícolas. Após mais de duas décadas de debate no Congresso Nacional, o texto foi aprovado e sancionado. No entanto, a discussão deve continuar em 2024. Isso porque o presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva vetou 17 dispositivos do projeto aprovado. Os vetos serão analisados pelo Legislativo, que pode derrubá-los ainda no primeiro semestre.
Dentre os pontos vetados está a concentração dos processos de registro e reavaliação dos defensivos no Ministério da Agricultura e Pecuária, mantendo a atual estrutura que divide a competência entre o MAPA, a Anvisa e o Ibama. Para a advogada e especialista em agronegócio Michele Lima, os vetos presidenciais “desvirtuaram” a proposta discutida e aprovada no Congresso.
TEC./SONORA: Michele Lima, advogada e especialista em agronegócio
“E por que o projeto de lei trazia essa disposição? Porque na verdade no Brasil hoje o procedimento é extremamente burocrático, esses três órgãos envolvidos geram uma demora e uma morosidade muito grande no processo de registro. A gente tem exemplos de pedidos que foram realizados há mais de dez anos e até hoje estão sem análise, a gente não tem uma posição definitiva. O que foi discutido lá no Congresso era que o MAPA seria responsável, levando em consideração os princípios da saúde humana, que são regulados pela Vigilância Sanitária, levando em consideração o meio ambiente, que é uma preocupação do IBAMA.
LOC.: O vice-presidente da Frente Parlamentar Agropecuária (FPA), senador Zequinha Marinho, do Podemos do Pará, afirma que “a bancada do agro tem condições e certamente derrubará os vetos que acabaram descaracterizando o projeto”. O parlamentar destaca que a matéria foi debatida por 24 anos e o texto aprovado desburocratiza e moderniza o sistema de registro de defensivos agrícolas.
TEC./SONORA: senador Zequinha Marinho (Podemos-PA)
“O intuito é que a análise seja feita em até dois anos, em vez de oito a dez anos de fila necessários hoje para a regulamentação de uma nova molécula. Veja, não estamos falando em acabar com a fiscalização, pelo contrário. A fiscalização continuará sendo parte do processo que, com a nova lei, se tornará mais eficiente, moderno e menos burocrático.”
LOC.: Em sua justificativa, o governo argumenta que “o veto visa evitar que as avaliações sobre aspectos ambientais e de saúde passem a ser conduzidas, exclusivamente, pelo Ministério da Agricultura e Pecuária, que não detém competência legal, nem especialização técnica para atuar nesses temas.”
Reportagem, Fernando Alves