Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal jr/Agência Brasil

Mais de 2 milhões de brasileiros vivem com alguma forma de demência

Número pode triplicar até 2050, Ministério da Saúde e Unifesp preparam relatório para a elaboração de políticas públicas


A demência é caracterizada pelo declínio em uma função cognitiva superior, ligada à capacidade de responder às dinâmicas do dia a dia - memória, linguagem, atenção, velocidade de processamento etc. A doença de Alzheimer prevalece entre as demências na população mundial acima de 65 anos. 

No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas vivem com alguma forma de demência. A expectativa é que esses números tripliquem até 2050. Isso mostra que a Alzheimer deve ser entendida como uma prioridade em saúde pública.

De acordo com o Ministério da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou, em Genebra, na Suíça, o Plano de Ação Global para as Demências 2017 – 2025. A necessidade urgente de medidas por parte dos governos quanto ao cuidado às pessoas com demência foi reconhecida por 194 países que aderiram ao plano. 

Em resposta a essa demanda, o governo brasileiro, por meio da Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa na Atenção Primária, do Departamento dos Ciclos da Vida (SAPS/MS), desenvolveu iniciativas que incluem o financiamento de uma pesquisa com a Unifesp. O objetivo é estimar o número de pessoas com demência hoje e com projeções para o futuro, além de dados sobre a mortalidade e o estigma relacionados à doença e as taxas de subdiagnóstico. Assim, será possível planejar ações no cuidado dessas pessoas e de suas famílias. 

A partir dos estudos para esse levantamento, estimativas prévias sugerem que mais de 70% das pessoas com demência no Brasil não estão diagnosticadas. No final do mês de setembro, quando se comemora o Dia Mundial da Doença de Alzheimer (21), o Ministério da Saúde promoveu uma mesa-redonda virtual, com especialistas da área para falar sobre as impressões iniciais do Primeiro Relatório Nacional sobre a Demência, a ser finalizado em 2023. 

A neurologista Adriana Barros explica que ainda não existem formas bem definidas de prevenção para a doença. Porém evidências científicas mostram que praticar atividades físicas regulares por pelo menos 150 minutos por semana, exercitar constantemente o cérebro com novos aprendizados e interagir socialmente podem diminuir o risco de demência. 

Tratamentos e cuidados

Segundo a médica, o tratamento vai depender do estágio em que o paciente se encontra. “Nós temos dois grupos de medicamentos, os anticolinesterásicos que ajudam a estimular mais as sinapses dos neurônios e a gente tem a memantina que é um medicamento que vai evitar ação tóxica de alguns outros neurotransmissores”, completa Adriana.

O envelhecimento populacional tem gerado um desafio não só para o paciente, mas para as famílias, para a sociedade e para a gestão pública. A melhor forma de melhorar a qualidade de vida desses pacientes é manter um cuidado regular, um acompanhamento médico com equipe multidisciplinar, com enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, na medida das necessidades do paciente. Além disso, a recomendação é tentar mantê-lo com o máximo de interação possível, sobretudo com a família.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, os idosos representavam 14,3% da população total do Brasil. A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa orienta um modelo de saúde voltado para o cuidado com foco na recuperação, permanência, promoção da autonomia e independência. Dentre as diretrizes da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, estão a promoção do envelhecimento ativo e saudável e o fortalecimento da participação social. 
 

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LOC.: A doença de Alzheimer prevalece entre as demências na população mundial acima de 65 anos. A demência é caracterizada pelo declínio em uma função cognitiva superior, ligada à capacidade de responder às dinâmicas do dia a dia. Por exemplo: memória, linguagem, atenção, velocidade de processamento...

No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas vivem com alguma forma de demência. A expectativa é que esses números tripliquem até 2050. Isso mostra que a Alzheimer deve ser entendida como uma prioridade em saúde pública.

Em resposta a essa demanda, o governo brasileiro desenvolveu iniciativas que incluem o financiamento de uma pesquisa da Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa na Atenção Primária, do Departamento dos Ciclos da Vida do Ministério da Saúde, com a Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp. O objetivo é estimar o número de pessoas com demência hoje e com projeções para o futuro, além de dados sobre a mortalidade e o estigma relacionados à doença e as taxas de subdiagnóstico. Assim, será possível planejar ações no cuidado dessas pessoas e de suas famílias. 

A neurologista Adriana Barros fala sobre a prevenção. 
 

TEC./SONORA:  Adriana Barros - Neurologista

“As principais formas de prevenção, a gente ainda não tem isso muito bem estabelecido. O que a gente já tem em termos de evidência científica, que tem uma correlação positiva com o menor risco de demência. Fazer atividade física regularmente pelo menos 150 minutos por semana. Então três vezes de 50, 5 vezes de 30 minutos com atividades tanto aeróbica que é a caminhada, corrida, quanto de reforço muscular, musculação, pilates e hidroginástica.”
 


LOC.: Segundo a médica, o tratamento vai depender do estágio em que o paciente se encontra.
 

TEC./SONORA: Adriana Barros - Neurologista

“Nós temos dois grupos de medicamentos, os anticolinesterásicos que ajudam a estimular mais as sinapses dos neurônios e a gente tem a memantina que é um medicamento que vai evitar ação tóxica de alguns outros neurotransmissores”.   


LOC.:  O envelhecimento populacional tem gerado desafios não só para o paciente, mas para as famílias, a sociedade e a gestão pública. Segundo especialistas, a melhor forma de melhorar a qualidade de vida desses pacientes é manter o cuidado regular.  O acompanhamento médico deve ser feito com equipe multidisciplinar, com enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, na medida das necessidades do paciente. Além disso, a recomendação é tentar manter o máximo possível de interação, sobretudo com a família.

Reportagem, Sophia Stein