Saúde - Saúde·06 de outubro de 2022

Mais de 2 milhões de brasileiros vivem com alguma forma de demência

Número pode triplicar até 2050, Ministério da Saúde e Unifesp preparam relatório para a elaboração de políticas públicas

Por Sophia Stein
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A demência é caracterizada pelo declínio em uma função cognitiva superior, ligada à capacidade de responder às dinâmicas do dia a dia - memória, linguagem, atenção, velocidade de processamento etc. A doença de Alzheimer prevalece entre as demências na população mundial acima de 65 anos. 

No Brasil, cerca de 2 milhões de pessoas vivem com alguma forma de demência. A expectativa é que esses números tripliquem até 2050. Isso mostra que a Alzheimer deve ser entendida como uma prioridade em saúde pública.

De acordo com o Ministério da Saúde, a Organização Mundial da Saúde (OMS) aprovou, em Genebra, na Suíça, o Plano de Ação Global para as Demências 2017 – 2025. A necessidade urgente de medidas por parte dos governos quanto ao cuidado às pessoas com demência foi reconhecida por 194 países que aderiram ao plano. 

Em resposta a essa demanda, o governo brasileiro, por meio da Coordenação de Saúde da Pessoa Idosa na Atenção Primária, do Departamento dos Ciclos da Vida (SAPS/MS), desenvolveu iniciativas que incluem o financiamento de uma pesquisa com a Unifesp. O objetivo é estimar o número de pessoas com demência hoje e com projeções para o futuro, além de dados sobre a mortalidade e o estigma relacionados à doença e as taxas de subdiagnóstico. Assim, será possível planejar ações no cuidado dessas pessoas e de suas famílias. 

A partir dos estudos para esse levantamento, estimativas prévias sugerem que mais de 70% das pessoas com demência no Brasil não estão diagnosticadas. No final do mês de setembro, quando se comemora o Dia Mundial da Doença de Alzheimer (21), o Ministério da Saúde promoveu uma mesa-redonda virtual, com especialistas da área para falar sobre as impressões iniciais do Primeiro Relatório Nacional sobre a Demência, a ser finalizado em 2023. 

A neurologista Adriana Barros explica que ainda não existem formas bem definidas de prevenção para a doença. Porém evidências científicas mostram que praticar atividades físicas regulares por pelo menos 150 minutos por semana, exercitar constantemente o cérebro com novos aprendizados e interagir socialmente podem diminuir o risco de demência. 

Tratamentos e cuidados

Segundo a médica, o tratamento vai depender do estágio em que o paciente se encontra. “Nós temos dois grupos de medicamentos, os anticolinesterásicos que ajudam a estimular mais as sinapses dos neurônios e a gente tem a memantina que é um medicamento que vai evitar ação tóxica de alguns outros neurotransmissores”, completa Adriana.

O envelhecimento populacional tem gerado um desafio não só para o paciente, mas para as famílias, para a sociedade e para a gestão pública. A melhor forma de melhorar a qualidade de vida desses pacientes é manter um cuidado regular, um acompanhamento médico com equipe multidisciplinar, com enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia, na medida das necessidades do paciente. Além disso, a recomendação é tentar mantê-lo com o máximo de interação possível, sobretudo com a família.

Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2020, os idosos representavam 14,3% da população total do Brasil. A Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa orienta um modelo de saúde voltado para o cuidado com foco na recuperação, permanência, promoção da autonomia e independência. Dentre as diretrizes da Política Nacional de Saúde da Pessoa Idosa, estão a promoção do envelhecimento ativo e saudável e o fortalecimento da participação social. 

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SOBRE

Sophia Stein

Formada em Jornalismo pela Universidade Paulista (Unip) desde 2022. Atuou como editora na Rede Vitoriosa de Comunicações (afiliada do SBT em Uberlândia) e foi repórter no Brasil 61. Atualmente, além de escrever, é responsável pela programação e distribuição das publicações no sistema do portal Brasil 61.

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