Imagem aérea de Altamira (PA). Foto: Wellyngton Coelho / Ag.Pará
Imagem aérea de Altamira (PA). Foto: Wellyngton Coelho / Ag.Pará

Isenção ampliada do Imposto de Renda pode reduzir receita de aproximadamente 1,7 mil municípios

Estudo da Confederação Nacional de Municípios aponta maior impacto em cidades com até 50 mil habitantes, mais dependentes do FPM

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A possível perda de arrecadação por parte dos municípios brasileiros ocasionada pela nova faixa de isenção do Imposto de Renda será sentida, principalmente, pelos entes de menor porte. A projeção consta em estudo divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM).

Segundo o levantamento, caso as medidas compensatórias anunciadas pelo governo não produzam os efeitos esperados, cerca de 1,7 mil cidades perderão recursos financeiros. Dessas, aproximadamente 1,2 mil têm população inferior a 50 mil habitantes.

O especialista em orçamento Dalmo Palmeira explica que essa relação está ligada ao fato de os municípios menores serem mais dependentes dos recursos do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), composto em parte pelo que a União arrecada com o Imposto de Renda.

“Normalmente, a arrecadação de tributos municipais é menor, em alguns casos, do que o próprio FPM que é recebido. Se o FPM cair, isso vai gerar um impacto bastante grande nesses municípios, especialmente nos menores, que são mais dependentes. Então, existe realmente esse risco, apesar da garantia que tem na Lei 15.270 para que haja a compensação dessas perdas”, pontua.

“Temos que ter atenção em relação a esse ponto, especialmente nos municípios menores, para saber qual é o impacto, porque isso é caso a caso. Cada município vai ter um impacto diferenciado, a depender de qual grau de dependência que tem do FPM e também em relação aos seus próprios impostos locais”, complementa.

Dalmo, porém, destaca que, mesmo diante desse cenário, a nova faixa de isenção também pode causar algum efeito positivo para as finanças municipais.

“Isso vai fazer com que as pessoas tenham mais dinheiro na mão e vai fazer com que a economia local possa girar mais. Então, nesse aspecto, pode ser que haja uma melhoria na economia local e, logicamente, pode inclusive gerar mais tributos municipais, já que em cada um desses municípios vai haver pessoas com mais recursos nas mãos para poder estar utilizando e melhorando o consumo e, logicamente, melhorando também a atividade comercial nos municípios”, considera.

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Ainda de acordo com o estudo da CNM, a perda de receita será generalizada entre municípios de todos os portes populacionais e também entre as Unidades da Federação.

O estudo mostra que, sem compensação, a medida poderá retirar ao menos R$ 9,5 bilhões por ano dos cofres municipais. Desse total, cerca de R$ 5 bilhões referem-se à redução da arrecadação própria do Imposto de Renda, enquanto R$ 4,5 bilhões dizem respeito à diminuição dos recursos FPM.   

Sobre a nova faixa de isenção do IR

A nova faixa de isenção do Imposto de Renda, em vigor desde janeiro deste ano, beneficia contribuintes com rendimentos mensais de até R$ 5 mil e prevê redução gradual do imposto para quem recebe até R$ 7.350.

Segundo o governo federal, para mitigar a perda de arrecadação, foi retomada em 2026 a tributação sobre a distribuição de lucros e dividendos. Para pessoas físicas residentes no Brasil, aplica-se uma alíquota de 10% sobre valores que ultrapassem R$ 50 mil mensais — ou R$ 600 mil anuais — por empresa.

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LOC.: A ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda pode trazer impacto nas contas das prefeituras brasileiras, principalmente nas cidades menores. O alerta faz parte de um estudo divulgado pela Confederação Nacional de Municípios.

Desde janeiro deste ano, contribuintes que recebem até CINCO MIL REAIS por mês estão isentos do Imposto de Renda. A medida também prevê redução gradual do imposto para quem ganha até SETE MIL TREZENTOS E CINQUENTA REAIS.

Apesar do alívio para o bolso do trabalhador, a mudança pode reduzir a arrecadação federal e, consequentemente, os repasses feitos aos municípios por meio do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM.

O estudo mostra que, caso as medidas de compensação anunciadas pelo governo não tenham o efeito esperado, cerca de MIL E SETECENTAS cidades podem perder recursos. Desse total, aproximadamente MIL E DUZENTAS têm menos de CINQUENTA MIL habitantes.

De acordo com o especialista em orçamento Dalmo Palmeira, os municípios menores são justamente os mais vulneráveis, porque dependem mais desses repasses federais.
 

TEC./SONORA: Dalmo Palmeira, especialista em orçamento 

“Normalmente, a arrecadação de tributos municipais é menor, em alguns casos, do que o próprio FPM que é recebido. Se o FPM cair, isso vai gerar um impacto bastante grande nesses municípios, especialmente nos menores que são mais dependentes.”
 


LOC.: O estudo aponta que, sem compensação, a perda para os cofres municipais pode chegar a pelo menos NOVE BILHÕES E MEIO DE REAIS por ano. Desse total, cerca de CINCO MILHÕES correspondem à redução na arrecadação própria do Imposto de Renda e aproximadamente QUATRO BILHÕES E MEIO à diminuição dos recursos do FPM.

Mesmo assim, especialistas avaliam que a nova faixa de isenção também pode gerar efeitos positivos para a economia local. Segundo Dalmo Palmeira, com menos imposto sendo descontado, mais dinheiro pode circular no comércio das cidades.
 

TEC./SONORA: Dalmo Palmeira, especialista em orçamento 

“Isso vai fazer com que as pessoas tenham mais dinheiro na mão e vai fazer com que a economia local possa girar mais. Então pode haver melhoria na economia local e até aumento de tributos municipais, já que as pessoas terão mais recursos para consumir.”
 


LOC.: Para compensar a queda na arrecadação, o governo federal retomou em 2026 a tributação sobre lucros e dividendos. A cobrança é de DEZ POR CENTO para valores que ultrapassem CINQUENTA MIL REAIS por mês, ou SEISCENTOS MIL REAIS por ano, por empresa.

Reportagem, Marquezan Araújo