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LOC.: A nova faixa de isenção do Imposto de Renda beneficia contribuintes que ganham até CINCO MIL REAIS POR MÊS. A medida ainda estabelece redução gradual do imposto para rendas de até SETE MIL TREZENTOS E CINQUENTA REAIS. No entanto, algumas entidades manifestam preocupação, já que não há definição comprovada sobre como o ajuste deixará de comprometer as finanças municipais.
Entre elas está a Confederação Nacional de Municípios, a CNM, que estima perdas anuais de pelo menos CINCO BILHÕES DE REAIS para os entes locais, caso não haja compensação. Segundo a instituição, a medida também pode afetar os recursos do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM, com perda estimada em mais de QUATRO BILHÕES E MEIO DE REAIS.
Para tentar compensar a perda de arrecadação, o governo retomou a tributação sobre a distribuição de lucros e dividendos. Para pessoas físicas residentes no Brasil, a alíquota será de DEZ POR CENTO sobre valores que ultrapassarem CINQUENTA MIL REAIS mensais — ou SEISCENTOS MIL anuais — por empresa.
O especialista em orçamento público Cesar Lima considera a preocupação legítima, pois não há indícios concretos de que as perdas serão integralmente compensadas, sobretudo no caso do FPM.
TEC./SONORA: Cesar Lima, especialista em orçamento
“Não existe na legislação atual um mecanismo que obrigue a União a fazer uma complementação direta no FPM para cobrir perdas decorrentes de mudanças em alíquotas ou faixas de isenção. Também não há comprovação de que a tributação adicional de 10% sobre rendas acima de R$ 50 mil mensais será suficiente, especialmente considerando a possibilidade de planejamento tributário para reduzir essa incidência.”
LOC.: O tema também é debatido no Congresso Nacional. O deputado federal Sidney Leite (PSD-AM) afirma que, além das alterações no Imposto de Renda, a reforma tributária também deixou lacunas quanto aos recursos destinados aos municípios.
As novas regras modificaram as cobranças em relação ao Imposto Sobre Produtos Industrializados, o IPI, que também compõe o FPM.
TEC./SONORA: Sidney Leite, deputado federal (PSD-AM)
“Havia um acordo com o ministro da Fazenda para que, após a votação da reforma tributária, fosse encaminhado um projeto de lei tratando da questão dos fundos. A informação é que isso virá do Imposto Seletivo. No entanto, quando discutimos e aprovamos a reforma, o Imposto Seletivo não tinha função arrecadatória relevante. É preciso esclarecer como o governo pretende repor e garantir o financiamento desses fundos.”
LOC.: Atualmente, o FPM é composto por VINTE E DOIS E MEIO POR CENTO da arrecadação da União com o Imposto de Renda e o com o IPI, que a partir de 2027, terá alíquota reduzida a zero para quase todos os produtos, permanecendo apenas para itens que concorram com a Zona Franca de Manaus.
Reportagem, Marquezan Araújo