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FPM: municípios podem ter aperto nas contas com mudanças na tributação do Imposto de Renda

Confira as cidades com maiores perdas, em valores absolutos e proporcionais à arrecadação 

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No fim da última semana, os municípios brasileiros partilharam cerca de R$ 6,4 bilhões, referentes ao primeiro decêndio de abril do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Apesar de o valor representar uma alta de 13% frente ao mesmo período do ano passado, ainda há um cenário de incerteza quanto ao volume dos próximos repasses, tendo em vista as novas regras de isenção do Imposto de Renda. 

Dados do Tesouro Nacional mostram que, levando em conta o que foi orçado ao longo de 2025, alguns municípios teriam uma perda significativa de recursos, caso as medidas de compensação anunciadas pelo governo não sejam efetivas. 

O município de São João da Baliza (RR), por exemplo, arrecadou cerca de R$ 5,2 milhões em 2025 referente ao FPM. Caso não haja uma reparação, a cidade deixaria de receber R$ 210 mil apenas de valores do Fundo. A quantia representa cerca de 1% do que foi investido em Infraestrutura na cidade. Considerando o volume de receita da prefeitura, o município estaria entre os mais impactados. 

Outro exemplo é a cidade amapaense de Cutias que, ao longo do ano passado, recebeu R$ 7,3 milhões relativos ao FPM. Sem compensação, a perda em relação ao Fundo seria de R$ 292 mil – cerca de 3% do que foi investido em saúde no município. 

Assis Brasil, no Acre, também teria uma queda de receita significativa, de R$ 361 mil, diante de uma arrecadação de R$ 9 milhões no ano passado. O valor da perda corresponde a 1,3% do que foi investido na área da educação.

Confira os municípios com maiores perdas, em valores absolutos e proporcionais à arrecadação 

 

Sem levar em conta o montante da receita no ano passado, mas apenas o valor absoluto da perda, as capitais Fortaleza, Salvador e Manaus seriam as mais afetadas, pois deixariam de receber R$ 59 milhões; R$ 53 milhões; e R$ 41 milhões, respectivamente.

Sobre as medidas compensatórias

O especialista em orçamento público Cesar Lima afirma que o governo chegou a anunciar medidas de compensação com a intenção de assegurar que os valores retornem aos cofres das prefeituras, porém não há garantia de que isso realmente aconteça. Diante desse cenário, ele avalia que existe o risco de comprometimento na execução de serviços básicos oferecidos à população.

“De maneira geral, vai impactar em todos os serviços que o município presta, como nas áreas de saúde e educação. Alguns já prestam segurança pública através de suas guardas civis municipais. Então, isso, com certeza, vai fazer falta para os municípios, o que muito provavelmente pode preceder de bloqueios orçamentários nos municípios”, afirma.

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O governo federal, por sua vez, informou que, com o objetivo de conter a queda na arrecadação, voltou a cobrar em 2026 imposto sobre a distribuição de lucros e dividendos. Para pessoas físicas residentes no país, será aplicada uma alíquota de 10% sobre os valores que ultrapassarem R$ 50 mil mensais — ou R$ 600 mil por ano — recebidos de cada empresa.

Efeitos nas finanças municipais e nos repasses federais

Um levantamento divulgado pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) indica que, se não houver compensação, a medida pode resultar em uma perda anual de pelo menos R$ 9,5 bilhões para os municípios.

Desse montante, cerca de R$ 5 bilhões correspondem à redução na arrecadação própria do Imposto de Renda, enquanto aproximadamente R$ 4,5 bilhões estão ligados à diminuição dos repasses do Fundo de Participação dos Municípios.
 

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LOC.: O repasse do Fundo de Participação dos Municípios, o FPM, segue com crescimento no início de abril, com mais de SEIS BILHÕES DE REAIS distribuídos no primeiro decêndio do mês, alta de TREZE POR CENTO em relação ao ano passado. Ainda assim, prefeitos e gestores municipais já demonstram preocupação com possíveis perdas futuras diante das mudanças na tributação do Imposto de Renda.

Em municípios menores, os impactos estimados chamam atenção porque atingem diretamente áreas essenciais do orçamento. Em São João da Baliza, em Roraima, a projeção é de perda de cerca de DUZENTOS E DEZ MIL REAIS no FPM. Em Cutias, no Amapá, o impacto seria de aproximadamente DUZENTOS E NOVENTA E DOIS MIL REAIS. Já Assis Brasil, no Acre, poderia ter redução de cerca de TREZENTOS E SESSENTA E UM MIL REAIS nos repasses.

Nas capitais, os valores são ainda mais expressivos em termos absolutos. Fortaleza pode ter redução estimada de cerca de CINQUENTA E NOVE MILHÕES DE REAIS. Salvador teria perda próxima de CINQUENTA E TRÊS MILHÕES. E Manaus aparece com impacto estimado de QUARENTA E UM MILHÕES DE REAIS.

Diante desse cenário, o especialista em orçamento público Cesar Lima alerta para possível aperto nas contas públicas municipais. O contexto é de preocupação com a sustentabilidade dos serviços básicos, já que o FPM é uma das principais fontes de receita de grande parte das prefeituras brasileiras.
 

TEC./SONORA: Cesar Lima, especialista em orçamento 

“De maneira geral, vai impactar em todos os serviços que o município presta, como nas áreas de saúde e educação. Alguns já prestam segurança pública através de suas guardas civis municipais. Então, isso, com certeza, vai fazer falta para os municípios, o que muito provavelmente pode preceder de bloqueios orçamentários nos municípios.”
 


LOC.: Após o alerta dos especialistas, o governo federal afirma que trabalha com medidas de compensação para reduzir o impacto das mudanças. Entre as principais ações está a retomada da cobrança de imposto sobre distribuição de lucros e dividendos. Pela proposta, pessoas físicas residentes no país pagarão alíquota de DEZ POR CENTO sobre valores que ultrapassem CINQUENTA MIL REAIS mensais por empresa — ou SEISCENTOS MIL por ano — recebidos em dividendos.

Segundo a Confederação Nacional de Municípios, se não houver compensação efetiva, as perdas podem chegar a pelo menos NOVE BILHÕES E MEIO DE REAIS por ano, sendo cerca de CINCO BILHÕES ligados à arrecadação do Imposto de Renda e outros QUATRO BILHÕES E MEIO diretamente ao Fundo de Participação dos Municípios.

Reportagem, Marquezan Araújo