Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo
Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Emendas de vereadores já alcançam quase metade dos municípios brasileiros

Estudo da CNM aponta que prefeituras têm complementado com recursos próprios obras e serviços previstos nas emendas impositivas

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Quase metade das prefeituras brasileiras já convive com emendas impositivas de vereadores, mecanismo que, segundo levantamento da Confederação Nacional de Municípios (CNM), tem gerado desafios para a gestão orçamentária local e levado parte dos municípios a complementar com recursos próprios projetos inicialmente financiados por esses instrumentos.

O estudo, realizado com 3,2 mil entes locais de todas as regiões do país, aponta que 47% dos prefeitos afirmaram possuir emendas impositivas de vereadores. Para a CNM, esse percentual pode alcançar 60% nos próximos anos.

As emendas parlamentares são instrumentos que permitem ao Poder Legislativo participar da elaboração do orçamento público. Por meio delas, deputados estaduais, deputados federais, senadores e vereadores podem direcionar recursos previstos no Projeto de Lei Orçamentária Anual (PLOA) para ações e projetos considerados prioritários.

De acordo com a pesquisa, 85% dos municípios que adotaram o mecanismo já incluíram as emendas na Lei Orgânica municipal, o que torna sua manutenção praticamente definitiva. Entre os prefeitos ouvidos, 52% afirmaram precisar complementar com recursos da própria administração os valores destinados pelos vereadores para garantir a execução de obras e serviços.

A insuficiência de recursos, segundo o levantamento, está relacionada principalmente ao fracionamento das emendas sem a definição de um valor mínimo. Esse fator foi apontado por 53% dos gestores consultados.

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O estudo também indica que a adoção das emendas tem dificultado o cumprimento de metas previstas nos orçamentos municipais. Com base na extrapolação dos dados coletados, a CNM estima que aproximadamente 2,6 mil prefeituras brasileiras já possuam emendas impositivas de vereadores.

Em cerca de um terço dessas cidades, o percentual destinado às emendas ultrapassa o limite de 1,55% da Receita Corrente Líquida estabelecido pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF). A pesquisa ainda identificou a existência de emendas de bancada em mais de um terço dos municípios que possuem previsão de emendas parlamentares — o equivalente a até 915 prefeituras na projeção realizada pela entidade. A legalidade desse modelo está sendo discutida na Justiça e deve ser analisada pelo STF.

Recursos insuficientes 

Outro dado apontado pelo levantamento é que 44% dos gestores que responderam à pesquisa consideram os recursos destinados às emendas insuficientes para a execução das obras e serviços previstos. Nesses casos, as prefeituras acabam assumindo parte dos custos para viabilizar os projetos.

Para o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski, o avanço desse modelo amplia as dificuldades financeiras enfrentadas pelos governos locais.

“A existência de emendas municipais tem agravado ainda mais o subfinanciamento da esfera local, pois, além de manter intacto o duodécimo do Poder Legislativo, fragiliza a realização de políticas públicas efetivamente estruturantes. A repetição, em nível local, de mecanismo existente na esfera federal, desconsidera as assimetrias federativas e a profunda disparidade entre o excesso de arrecadação por parte da União e a histórica deficiência financeira identificada nos Municípios”, ressalta o presidente da CNM, Paulo Ziulkoski.

Diante desse cenário, a entidade pretende ampliar o debate sobre os impactos das emendas impositivas com a sociedade e com os poderes Executivo e Legislativo municipais. O objetivo, segundo a CNM, é discutir as atribuições de cada poder e buscar maior eficiência na implementação de políticas públicas.

Aumento no volume de emendas 

O estudo também mostra o crescimento do volume de emendas parlamentares nos últimos anos. Somadas as esferas federal e estadual, os recursos passaram de R$ 56,7 bilhões em 2024 para R$ 63 bilhões em 2026. 

Desse total, R$ 49,9 bilhões correspondem às emendas federais e R$ 13,2 bilhões às estaduais. A participação dos estados nesse montante aumentou de 15,6% para 20,9% no período analisado. 
 

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LOC.: Quase metade das prefeituras brasileiras já trabalha com emendas impositivas de vereadores. É o que mostra um levantamento da Confederação Nacional de Municípios, a CNM.

A pesquisa ouviu cerca de TRÊS MIL E DUZENTOS municípios de todo o país e identificou que QUARENTA E SETE POR CENTO dos prefeitos afirmaram ter esse tipo de emenda em suas cidades. A entidade estima que esse percentual possa chegar a SESSENTA POR CENTO nos próximos anos.

O estudo aponta que OITENTA E CINCO POR CENTO dos municípios que adotaram o mecanismo já incluíram as emendas na Lei Orgânica Municipal. Além disso, CINQUENTA E DOIS POR CENTO dos prefeitos disseram que precisam complementar com recursos da própria prefeitura os valores destinados pelos vereadores para garantir a execução de obras e serviços.

Segundo o levantamento, a principal causa desse problema é o fracionamento das emendas em valores pequenos. Esse fator foi citado por CINQUENTA E TRÊS POR CENTO dos gestores entrevistados.

A CNM também estima que cerca de DOIS MIL E SEISCENTOS municípios brasileiros já possuam emendas impositivas de vereadores. Em aproximadamente um terço dessas cidades, os valores destinados superam o limite definido pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal.

Outro dado revela que QUARENTA E QUATRO POR CENTO dos gestores consideram insuficientes os recursos previstos nas emendas para executar obras e serviços, o que acaba exigindo investimento adicional das prefeituras.

O levantamento ainda mostra o avanço das emendas parlamentares no país. Somados os recursos federais e estaduais, o volume passou de CINQUENTA E SEIS BILHÕES E SETECENTOS MILHÕES DE REAIS, em 2024, para SESSENTA E TRÊS BILHÕES DE REAIS em 2026.

Reportagem, Marquezan Araújo