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LOC.: Após o Ministério da Saúde decretar surto da Doença de Chagas em Ananindeua (PA), no início de 2026, o Governo Federal anunciou no último dia 14 de abril o repasse de quase R$ 12 milhões para fomentar ações de vigilância e controle da Doença de Chagas em 17 estados do país.
O repasse foi publicado por meio da Portaria GM/MS Nº 9.628/2025 e os valores deverão ser aplicados em atuação contínua nas localidades , com medidas de captura e monitoramento de vetores, vigilância e resposta rápida a focos.
Conforme a pasta, dados preliminares de 2025 indicam 627 casos agudos da doença, sendo 97% na Região Norte.
Apesar de o Ministério decretar surto no município paraense no início de 2026, especialistas da Fiocruz descartam risco de epidemia no país.
No entanto, alertam para o risco de novos surtos ligados a alimentos contaminados pelo protozoário causador da doença. O fruto pode ser contaminado com as fezes do inseto conhecido “barbeiro” ou durante a manipulação do açaí – que pode esmagar o inseto.
O farmacêutico bioquímico e pesquisador do Instituto Gonçalo Muniz (Fiocruz Bahia), Fred Luciano Santos, avalia que, como a doença segue ativa no país, há risco de ocorrência de novos surtos.
TEC./SONORA: Fred Luciano Santos, farmacêutico bioquímico e pesquisador do Instituto Gonçalo Muniz (Fiocruz Bahia)
“O grande problema da doença nessa fase [crônica] é que cerca de 30 a 40% das pessoas vão desenvolver alguma forma grave da doença, e as principais complicações são os problemas do coração, como arritmias, insuficiência cardíaca, aumento do tamanho do coração, e também a risco de morte súbita.”
LOC.: Segundo o Ministério da Saúde, o cenário epidemiológico do país reforça a urgência das medidas de combate à Doença de Chagas.
Em 2024, foram registrados 3.750 óbitos, com o maior índice na Região Sudeste. No mesmo período, houve 520 casos agudos, principalmente no Norte, com destaque para o Pará.
Para evitar a transmissão oral da doença de Chagas, a população deve consumir produtos de origem confiável. Especialistas indicam observar a adoção de boas práticas de higiene, como pontua o infectologista e pesquisador do Laboratório de Pesquisa Clínica em doença de Chagas (LapClin Chagas) do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz, Roberto Saraiva:
TEC./SONORA: Roberto Saraiva, pesquisador do Laboratório de Pesquisa Clínica em doença de Chagas (LapClin Chagas) do Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas da Fiocruz
“Por isso, o diagnóstico da doença de Chagas é importante para que possamos identificar pacientes que já tenham problemas no coração, mesmo que não sintam nada, para que tomemos medidas para prevenir a insuficiência cardíaca, morte súbita e acidente vascular cerebral.”
LOC.: Para seleção dos municípios prioritários que receberão repasses voltados a reforçar ações de combate à Doença de Chagas, o Ministério da Saúde considerou diversos critérios técnicos, considerands municípios com alta prioridade e de muito alta prioridade, para a forma crônica da Doença de Chagas, concentrados especialmente nas regiões Nordeste e Sudeste.
O repasse totaliza R$ 11,7 milhões e contempla 17 estados. Entre as UFs, o Pará recebe o maior valor, R$ 5,3 milhões.
Os valores foram divididos entre os municípios com valores que variam de R$ 20 mil a R$ 250 mil por cidade, em parcela única. Entre as cidades contempladas estão Cavalcante (GO), Calçado (PE) e Novo Horizonte (BA).
A lista completa dos 155 municípios contemplados pode ser consultada em Brasil61.com ou na Portaria do Ministério da Saúde Nº 9.628 de 2025.
Reportagem, Bianca Mingote