Saúde - Saúde·25 de março de 2023

Dia Mundial da Conscientização Sobre a Epilepsia é celebrado neste domingo (26)

Conhecido como Dia Roxo, a data tem como objetivo chamar atenção do mundo para a condição que afeta cerca de 50 milhões de pessoas

Por Fernando Alves
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No dia 26 de março celebra-se, desde 2008, o Dia Mundial da Conscientização sobre a Epilepsia. O Dia Roxo, como é conhecido, é um esforço internacional que visa aumentar a compreensão sobre a epilepsia. A condição afeta cerca de 2% da população brasileira e aproximadamente 50 milhões de pessoas no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS).

De acordo com o Ministério da Saúde, no Brasil, 25% dos pacientes  com a condição são portadores em estágio grave. No geral, o tratamento é feito por meio de medicamentos que evitam as descargas cerebrais anormais. A epilepsia é uma condição neurológica que afeta pessoas de todas as idades. Durante segundos ou minutos, parte do cérebro emite sinais incorretos e causa crises que podem se manifestar em convulsões ou outros sintomas, como explica a neuropsicóloga Simone Lavorato. 

“As crises epiléticas acontecem quando um determinado grupo de neurônios passa a disparar de uma forma anormal e sincronizada criando um excesso de atividade cerebral. Isso pode acontecer em diversas condições, como  infecções, traumas, anormalidades metabólicas. E a epilepsia, propriamente dita, é essa anormalidade na conectividade cerebral, que faz com que esses disparos excessivos surjam com mais facilidade, podendo ocorrer de forma espontânea nas pessoas”, detalha. 

A condição pode ser causada por traumas na cabeça — recentes ou não — traumas na hora do parto, abuso de álcool e drogas, tumores e outras doenças neurológicas. Segundo o Ministério da Saúde, para que seja caracterizada epilepsia, é necessário recorrência espontânea das crises, com intervalo de, no mínimo, 24 horas entre cada uma delas. Simone Lavorato destaca a importância de conscientizar as pessoas sobre o tema.  

“A conscientização da sociedade acerca da epilepsia, de como ela se manifesta e o que podemos fazer se tivermos ao lado de uma pessoa que está tendo uma crise epilética, no sentido de dar um auxílio, de socorrer, ela é muito importante. Pois a ignorância, muitas vezes, afasta as pessoas e na verdade nós podemos salvar vidas. E o conhecimento vai nos dar a condição social de salvar vidas”, afirma. 

 Ministério da Saúde explica como proceder ao presenciar uma crise epilética:

  • mantenha a calma e tranquilize as pessoas ao seu redor;
  • evite que a pessoa caia bruscamente ao chão;
  • tente colocar a pessoa deitada de costas, em lugar confortável e seguro, com a cabeça protegida com algo macio;
  • nunca segure a pessoa nem impeça seus movimentos (deixe-a debater-se);
  • retire objetos próximos que possam machucar;
  • mantenha-a deitada de barriga para cima, mas com a cabeça voltada para o lado, evitando que ela se sufoque com a própria saliva;
  • afrouxe as roupas, se necessário;
  • se for possível, levante o queixo para facilitar a passagem de ar;
  • não tente introduzir objetos na boca do paciente durante as convulsões;
  • não dê tapas;
  • não jogue água sobre ela nem ofereça nada para ela cheirar;
  • verifique se existe pulseira, medalha ou outra identificação médica de emergência que possa sugerir a causa da convulsão;
  • permaneça ao lado da pessoa até que ela recupere a consciência;
  • se a crise convulsiva durar mais que 5 minutos sem sinais de melhora, peça ajuda médica;
  • quando a crise passar, deixe a pessoa descansar.

Como se manifesta

Pós-doutor e PhD em Neurociências, Fabiano de Abreu destaca que “as convulsões podem afetar as pessoas de maneira diferente, dependendo de qual parte do cérebro está envolvida.” Ele ressalta que “os sintomas incluem espasmos e tremores incontroláveis, chamados de ataques; perdendo a consciência e olhando fixamente para o nada e ficando rígido; sensações estranhas como uma sensação de subir na barriga e cheiros ou gosto incomuns e sensação de formigamento nos braços e pernas”

As crises epilépticas podem se manifestar como crise convulsiva. Nesse caso há possibilidade de queda, contrações musculares, mordedura da língua, salivação intensa, e respiração ofegante. Nesse processo, a pessoa pode também urinar.  Na crise do tipo “ausência”, ocorre um desligamento da pessoa. Ela fica com olhar fixo e perde contato com o meio por alguns segundos.

Outro tipo de manifestação é do tipo “alerta”. Ocorre como se a pessoa estivesse alerta, com movimentos automáticos. No entanto, não há controle nesses atos. Também existem outras formas em que a epilepsia pode se manifestar. 

Segundo o Ministério da Saúde, o Sistema Único de Saúde (SUS) oferece tratamento integral e gratuito para os casos de epilepsia, desde diagnóstico até o acompanhamento e tratamento necessários, inclusive o medicamentoso. 

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SOBRE

Fernando Alves

Formado no Centro Universitário IESB, Fernando atuou como repórter estagiário na Agência Senado e foi assessor de imprensa parlamentar na Câmara dos Deputados. O jornalista também integrou a equipe de produção da CNN Brasil e agora faz parte do time de repórteres da Agência do Rádio.

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