LOC.: Um estudo da LCA Consultores mostra que a cumulatividade dos impostos encarece em 7,4% os produtos industrializados brasileiros. Caracterizado por extensas cadeias produtivas, o setor sofre com a incidência "em cascata" de tributos sobre as etapas de fabricação. O problema é um dos alvos da reforma tributária.
O pesquisador do Ipea Sergio Gobetti explica que a cumulatividade dos impostos pode ocorrer quando um tributo incide sobre si ou sobre outros. É o caso do ICMS – imposto de competência estadual –, que, por vezes, é cobrado não apenas sobre o valor da mercadoria, mas sobre o PIS e a Cofins – impostos federais.
A cumulatividade clássica, por sua vez, acontece quando o imposto é cobrado várias vezes ao longo da cadeia de produção sem gerar compensação na forma crédito para a empresa, explica Gobetti.
TEC./SONORA: Sergio Gobetti, pesquisador do IPEA
"A cumulatividade clássica está ligada com o fato de que o tributo incide sobre os insumos que foram utilizados na produção do que se quer fazer. Ou seja, o imposto incide sobre todas as etapas da cadeia produtiva sem gerar uma compensação ou um crédito pelo imposto que foi pago já na fase anterior da cadeia produtiva."
LOC.: Na hora de calcular o preço de venda do produto para o comerciante ou para o consumidor final, a fábrica inclui o chamado resíduo tributário no valor.
A reforma tributária em debate no Congresso Nacional diz que os novos impostos sobre o consumo de bens e serviços vão seguir o modelo de tributação sobre valor agregado. Isso vai eliminar a cumulatividade do sistema atual, como explica o senador Rogério Carvalho, do PT de Sergipe.
TEC./SONORA: senador Rogério Carvalho (PT-SE),
"Você paga imposto uma vez só, na hora que compra, no consumo. E o recolhimento é sobre o produto final."
LOC.: Isso vale para a Contribuição sobre Bens e Serviços, a CBS, que vai substituir IPI, PIS e Cofins, e para o Imposto sobre Bens e Serviços, o IBS, que entra no lugar de ICMS e ISS.
Reportagem, Felipe Moura.