Foto: Divulgação/CFM
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CFM avalia uso do Enamed para registro profissional e defende exame de proficiência

Avaliação dos cursos de medicina aponta deficiências na formação; entidades divergem sobre medidas


O Conselho Federal de Medicina (CFM) avalia utilizar as notas do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) como critério para conceder registro profissional aos recém-formados. O resultado da avaliação foi debatido pela plenária do conselho na terça-feira (20) e, segundo a entidade, os números refletem “um problema estrutural gravíssimo” na formação médica.

A proposta, ainda em estudo, prevê que estudantes com desempenho insuficiente, níveis 1 e 2, não recebam autorização para atuar. Para viabilizar a medida, o CFM solicitou ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), responsável pela aplicação da prova, os microdados com identificação dos candidatos. Até o momento, o instituto não respondeu.

Em nota, a Associação Médica Brasileira (AMB) também demonstrou “extrema preocupação” com os resultados do exame. O documento ressalta que, atualmente, basta o diploma de graduação para que o profissional obtenha registro junto ao Conselho Regional de Medicina e comece a atuar. 

“Nestas circunstâncias, equivale dizer que esses 13 mil médicos apontados pelo Enamed como não proficientes podem, de acordo com a legislação atual, atender pacientes em nosso país. Isso nos permite afirmar, sem sombra de dúvidas, que a nossa população atendida por esse contingente de médicos não proficientes ficará exposta há um risco incalculável de má prática médica”, complementa o texto da associação. 

Exame de proficiência

Para o presidente do CFM, José Hiram Gallo, os resultados do Enamed reforçam a necessidade de um exame de proficiência médica como requisito para o exercício da profissão, nos moldes do exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). 

A AMB também apoia a criação de uma prova obrigatória. “Esta não é uma medida contra o egresso de medicina. É uma medida com finalidade voltada única e exclusivamente à boa prática da medicina e à segurança dos pacientes”, argumenta. 

Atualmente, dois projetos de lei que tratam da criação do exame estão em tramitação avançada no Congresso Nacional, um na Câmara dos Deputados e outro no Senado.

Expansão dos cursos

A associação critica ainda a “expansão desordenada” de cursos de medicina sem infraestrutura adequada, corpo docente qualificado ou programas de residência. De acordo com a AMB, isso fica evidente com os resultados do Enamed, já que os piores resultados foram apresentados por alunos de faculdades municipais e privadas com fins lucrativos. 

Para Gallo, abrir escolas sem hospital universitário é inviável. “Se você vai abrir uma escola e não tem um hospital universitário preparado para esses futuros médicos atuarem, não tem que autorizar essa faculdade. Não tem como você formar um médico se não tiver um hospital-escola, não tem como você fazer medicina se não tiver um leito ao lado”, defende o presidente da CFM.

Posição das faculdades

Na direção oposta, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES) alerta para o “uso punitivo” do exame. A entidade alega que o Enamed avalia apenas conteúdos das Diretrizes Curriculares Nacionais (DCNs), sem medir aptidão profissional. 

“Conforme estabelecido pelo MEC, o Enamed tem como finalidade avaliar o desempenho dos estudantes em relação aos conteúdos e competências previstas nas DCNs. O exame não avalia aptidão profissional, não habilita nem desabilita médicos e não substitui os mecanismos legais para o exercício da profissão”, afirmou em nota.

A ABMES também ressalta que os estudantes não foram previamente informados sobre o corte mínimo de 60 pontos e que muitos ainda estavam no 11º semestre, “com seis meses de prática pela frente”. Apesar disso, 70% dos alunos atingiram o nível de proficiência, o que, segundo a associação, demonstra padrão de qualidade relevante.

O diretor-presidente da ABMES, Janguiê Diniz, classificou a declaração do CFM como “preocupante, embora sem validade legal”, e afirmou que o discurso atende a “interesses corporativistas, em detrimento das reais necessidades da população”.

Enamed

Criado em 2025, o Enamed é obrigatório para estudantes no fim da graduação e recém-formados. O exame avalia a formação médica e pode ser usado como referência no Exame Nacional de Residência (Enare). 

Embora não seja requisito para o exercício da profissão, a primeira edição revelou que cerca de um terço dos cursos de medicina apresentou desempenho insatisfatório, sobretudo instituições municipais e privadas com fins lucrativos.

Com informações da Agência Brasil

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LOC.: O Conselho Federal de Medicina, o CFM, avalia usar as notas do Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica, o Enamed, como critério para conceder o registro profissional de recém-formados.

Para viabilizar a medida, o CFM solicitou ao Inep, responsável pela aplicação da prova, os microdados com identificação dos candidatos. Até o momento, o instituto não respondeu.

A proposta prevê que estudantes com baixo desempenho fiquem impedidos de atuar. Segundo o Conselho, os resultados do Enamed 2025 revelam [ABRE ASPAS] “um problema estrutural gravíssimo na formação médica.” [FECHAS ASPAS]

A Associação Médica Brasileira, a AMB, também demonstrou preocupação. Em nota, ressaltou que, atualmente, basta o diploma de graduação para que o profissional obtenha registro junto ao Conselho Regional de Medicina e comece a atuar. 

A entidade alerta que mais de TREZE MIL médicos considerados não proficientes nesta edição já podem atender pacientes, o que representa risco à população.

Para o presidente do CFM, José Hiram Gallo, os resultados reforçam a necessidade de criar um exame de proficiência, semelhante ao da Ordem dos Advogados do Brasil. A AMB também apoia a ideia de uma prova obrigatória.

Dois projetos de lei que tratam da criação do exame já estão em tramitação avançada no Congresso Nacional.

Na direção contrária, a Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior, a ABMES, afirma que o Enamed não mede aptidão profissional e não pode ser usado [ABRE ASPAS] “de forma punitiva.” [FECHA ASPAS]

O diretor-presidente da ABMES, Janguiê Diniz, declarou que o discurso do CFM atende a [ABRE ASPAS] “interesses corporativistas, em detrimento das reais necessidades da população”. [FECHA ASPAS]

Criado em 2025, o Enamed é obrigatório para estudantes no fim da graduação. Na primeira edição, um terço dos cursos de medicina teve desempenho insatisfatório.

Com informações da Agência Brasil

Reportagem, Maria Clara Abreu