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LOC.: O Brasil enfrenta um déficit estrutural em infraestrutura e precisa dobrar os investimentos no setor para alcançar o patamar médio global. A conclusão está no estudo Raio-x do Setor de Infraestrutura Brasileiro 2025, lançado pelo Sindicato Nacional da Indústria da Construção Pesada, o Sinicon, em parceria com a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro, a Firjan.
O levantamento revela que o país ocupa a 62ª posição, em um ranking de 67 países em desenvolvimento, quando o assunto é infraestrutura.
Nos últimos 15 anos, os investimentos médios ficaram em apenas 2,31% do PIB, chegando a 2,22% em 2024. O dado chama a atenção, porque, segundo o estudo, o Brasil vem investindo abaixo da taxa de depreciação anual dos ativos de infraestrutura.
O gerente de Infraestrutura da Firjan, Isaque Ouverney, reforça a relevância do estudo ao mostrar como o setor é estratégico para o país.
TEC./SONORA: Gerente de Infraestrutura da Firjan, Isaque Ouverney.
“O que o Raio-X mostra é a importância do setor da construção pesada, não só pelos empregos e geração de riqueza que o próprio setor consegue produzir, mas por todo o impacto na cadeia produtiva da construção, além, claro, do impacto na competitividade nacional. O Brasil tem a necessidade de reduzir esse gap de infraestrutura em relação aos países desenvolvidos. E é fundamental que haja bons planos setoriais, para atender a essa demanda nos próximos anos.”
LOC: O diretor-executivo do Sinicon, Humberto Rangel, destacou ainda a necessidade de o país tratar o investimento em infraestrutura como prioridade nacional.
TEC./SONORA: Diretor-executivo do Sinicon, Humberto Rangel.
“Eu chamo atenção para um dos dados fundamentais que estão aqui expressos nesse raio-x, que se refere ao estoque de infraestrutura que o Brasil tem na sua totalidade, que corresponde a 35% do PIB nacional. Uma parte do investimento, talvez cerca de 2% do PIB, seria o valor necessário só para você ficar no mesmo lugar e nós não podemos ficar no mesmo lugar. O Brasil precisa atingir cerca de duas vezes esse valor, 60% seria um patamar mínimo de valor de estoque de infraestrutura para que o Brasil possa se colocar na posição de equivalência com países desenvolvidos.”
LOC: O estudo aponta entraves históricos que prejudicam a competitividade do Brasil e a qualidade de vida da população.
Os principais desafios internos são as rodovias, pois mais da metade da malha viária apresenta problemas, gerando um prejuízo logístico anual estimado em OITO BILHÕES E OITOCENTOS MILHÕES de reais; o saneamento básico apresentar o quadro com cerca de 32 milhões de brasileiros sem acesso à água potável e mais de 90 milhões vivem sem coleta de esgoto adequada; o setor de logística é marcado por ineficiências, como ferrovias subutilizadas, portos congestionados e uma rede metroferroviária insuficiente para atender às necessidades dos grandes centros urbanos; e as telecomunicações, que mesmo com avanços tecnológicos, como a fibra ótica e o 5G, ainda há desigualdade no acesso em áreas rurais e periféricas.
O Raio-x do Sinicon e da Firjan reforça que ampliar os investimentos em infraestrutura é essencial para destravar o crescimento econômico, melhorar a competitividade do Brasil e garantir avanços sociais e ambientais.
Reportagem, Deborah Souza.