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LOC.: O Simples Nacional, regime de tributação que facilita o trabalho de micro e pequenas empresas, não tem a tabela de limites atualizada desde 2018. A defasagem preocupa empreendedores de todo o país e inibe investimentos, conforme relata a empresária Bia Portela.
Ela preside o Conselho Nacional da Mulher Empreendedora e da Cultura (CEMC) de Águas Claras, no Distrito Federal, e atua no ramo de tecnologia.
Bia Portela afirma que a tributação elevada dificulta investimentos estratégicos para expansão dos negócios.
TEC/SONORA: Bia Portela, empresária e presidente do CEMC Águas Claras
“Toda empresa tem o sonho de crescer, mas também o medo de crescer. Quando a gente cresce, a carga tributária impacta diretamente. E, com esse impacto, deixamos de investir em algumas áreas que, especialmente para o setor de tecnologia, são diferenciais. Investimos muito em treinamento, capacitação, tecnologias de ponta, APIs e ferramentas internacionais. Por isso, a volatilidade do dólar afeta diretamente o nosso negócio — qualquer alteração na moeda internacional traz prejuízos imediatos. Todos nós queremos crescer, mas sabemos que, à medida que a empresa cresce, a carga tributária também aumenta, e isso impacta, inevitavelmente, todo o planejamento financeiro.”
LOC.: Mas a realidade de empresárias brasileiras como Bia Portela pode mudar, considerando que o reajuste da tabela do Simples Nacional foi defendido por lideranças empresariais de todo o país e por parlamentares no 3º Encontro Nacional de Integração do Associativismo.
O evento foi promovido pela Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil (CACB), no Rio de Janeiro, em parceria com a Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ).
Os participantes defenderam que a atualização dos limites respeita a realidade das empresas de menor porte, garante a geração de emprego e renda e, ainda, a igualdade no meio empresarial.
O vice-presidente Jurídico da CACB, Anderson Trautman, mediou o painel sobre o Simples Nacional e mencionou que os limites atuais do regime inibem a atuação dos empresários.
TEC./SONORA: vice-presidente Jurídico da CACB, Anderson Trautman
“Quando nós tratamos dos limites, nós estamos inibindo a oportunidade de empreendedores terem um regime diferenciado e favorecido no sistema tributário que é caótico.”
LOC.: O evento também homenageou Afif Domingos, presidente emérito da CACB. Ele defendeu o papel do reajuste para garantir a igualdade entre os empresários.
No momento tramita na Câmara o Projeto de Lei n° 108 de 2021, que trata do reajuste do Simples Nacional.
Defendido pela CACB, o PL reajusta o teto anual do MEI de R$ 81 mil para R$ 144,9 mil.
Segundo a entidade, a medida pode gerar 869 mil empregos e injetar mais de R$ 81,2 bilhões na economia.
Reportagem: Bianca Mingote. Locução: Marquezan Araújo.