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LOC.: Auditoria realizada pelo Tribunal de Contas da União, o TCU, revelou que a previdência rural fechou 2024 com um rombo de 187 bilhões e 100 milhões de reais. No ano passado, os gastos com benefícios previdenciários voltados a pequenos produtores rurais, pescadores artesanais, indígenas e trabalhadores da agricultura familiar alcançaram quase 197 bilhões de reais, enquanto a arrecadação de contribuições somou apenas 9 bilhões e 800 milhões de reais.
O levantamento mostrou, ainda, que a política de previdência rural apresenta falhas em sua concepção. Apenas 22% dos requisitos avaliados foram plenamente atendidos, enquanto 78% tiveram cumprimento parcial. Isso indica, segundo a Corte, fragilidades no entendimento das causas do problema e na identificação clara do público-alvo. Além disso, a ausência de dados dos segurados no Cadastro Nacional de Informações Sociais dificulta a comprovação da atividade rural e abre espaço para irregularidades.
Outro dado que chama a atenção é o chamado “gap de sonegação”, que corresponde a valores não arrecadados por informalidade ou omissões fiscais, estimado entre 1 bilhão e 200 milhões de reais e 2 bilhões e 600 milhões apenas em 2024.
Diante do cenário, o TCU determinou que o Ministério da Previdência Social apresente, em até 180 dias, avaliações periódicas da política rural e elabore estudos em conjunto com o INSS e a Receita Federal para combater a sonegação. Além disso, o tribunal cobrou que o Executivo aperfeiçoe o controle da arrecadação entre os segurados especiais e proponha uma revisão estrutural da política pública.
Reportagem, Tácido Rodrigues