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LOC.: Para garantir condições de renegociar dívidas rurais, manter investimentos e evitar impactos na produção de alimentos e na economia, parlamentares e representantes do setor produtivo defendem medidas de apoio aos produtores.
Aprovada no Senado e enviada à Câmara dos Deputados, a proposta de uso do Fundo Garantidor de Investimentos, o FGI, incluída pela vice-presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária, senadora Tereza Cristina, do PP de Mato Grosso do Sul, no Projeto de Lei número 5.122 de 2023, pode alavancar até 200 bilhões de reais em crédito.
A medida é apontada como instrumento para preservar investimentos no campo e reduzir reflexos na economia.
O presidente da Confederação das Associações Comerciais e Empresariais do Brasil, a CACB, Alfredo Cotait Neto, alerta para os efeitos do endividamento rural no comércio e no consumo das famílias.
TEC./SONORA: Alfredo Cotait Neto, presidente da CACB
“Falar de endividamento rural é falar de alimentos, de comércio e da economia brasileira. Quando o produtor perde capacidade de investir na próxima safra, os impactos chegam à mesa das famílias e aos negócios em todo o país. Menor produção significa risco de alta nos preços, redução do consumo e mais pressão sobre a economia. Por isso, criar condições para a renegociação das dívidas rurais é proteger o consumidor, fortalecer os pequenos negócios e garantir segurança a quem produz.”
LOC.: O deputado federal Tião Medeiros, do PP do Paraná, avalia que a solução para o endividamento rural precisa ter caráter estrutural e de longo prazo.
TEC./SONORA: deputado federal Tião Medeiros (PP-PR)
“A solução precisa vir acompanhada de uma medida de longo prazo, porque não vai haver condições de todo mundo conseguir pagar suas dívidas no curto prazo. A provisão no orçamento tem que ser imediata, colocar o dinheiro já para que esse produtor consiga sair dessa dívida, aderir a essa solução que tem que ser ofertada pelo governo.”
LOC.: Além de criar mecanismos para reorganizar as dívidas já existentes, o Congresso também discute formas de evitar que os produtores voltem a enfrentar a mesma situação nos próximos anos. Nesse contexto, ganha espaço o debate sobre o seguro rural, considerado uma ferramenta de proteção diante das perdas provocadas por eventos climáticos.
Em análise no Senado, o Projeto de Lei número 2951 de 2024 reformula a política agrícola e o Programa de Subvenção ao Prêmio do Seguro Rural, o PSR.
O deputado federal Zé Silva, do União de Minas Gerais, afirma que o seguro rural precisa garantir proteção ao produtor e recursos estáveis para o programa.
TEC./SONORA: deputado federal Zé Silva (União - MG)
“Um ponto fundamental é que o seguro rural tem que ser para segurar os riscos que o produtor tem com atividade, que é o que tem mais risco na economia de um país. E principalmente garantir para que não haja contingenciamento.”
LOC.: A proposta que reestrutura a política agrícola e o PSR prevê taxas de juros menores e prioridade em operações de crédito rural para produtores que contratarem seguro. O prêmio será financiado por um Fundo Catástrofe, abastecido com recursos públicos, com o objetivo de garantir a execução dos contratos e ampliar a adesão ao seguro.
Reportagem, Bianca Mingote. Locução, Álvaro Couto.