Agronegócios - Queimadas·31 de agosto de 2024

Queimadas em SP: empobrecimento do solo pode ser consequência grave

Prejuízos dos produtores podem chegar a R$ 1 bilhão — R$ 350 milhões estão ligados apenas à cana de açúcar, que tem São Paulo como maior estado produtor no Brasil

Por Lívia Braz
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Foto: Reprodução Paulo Pinto/Agência Brasil

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Mais da metade — 53,2% da produção nacional de cana de açúcar no país vem do  estado de São Paulo. O maior produtor do Brasil terá um prejuízo milionário, na casa dos R$ 350 milhões, por conta dos incêndios que destruíram parte das lavouras na última semana. Mas o prejuízo total estimado pelo estado chega a R$ 1 bilhão. 

Empobrecimento do solo

As queimadas trazem impacto econômico, social e ambiental, mas não só isso. Nos solos atingidos pelo fogo, elas modificam as propriedades físicas, químicas e biológicas, isso por que são perdidas grandes quantidades de carbono, nitrogênio, potássio e enxofre no processo de combustão. 

O pesquisador Alberto Bernardi, da Embrapa Pecuária Sudeste, explica que a queima da cobertura vegetal deixa o solo descoberto, exposto à radiação solar e com elevação de temperatura, o que leva ao ressecamento ao longo do dia.

“À noite ocorre uma perda de calor por que esse solo está exposto, então há um aumento da amplitude das variações térmicas. Essas variações de temperatura vão prejudicar a absorção de nutrientes e toda a vida do solo.”

As queimadas ainda trazem outros prejuízos, avalia o pesquisador. “Outro problema desse solo exposto é a erosão, seja pela ação do vento ou pelo impacto das gotas de chuva. Quando vierem as primeiras chuvas, essas gotas vão chegar a um solo descoberto, que pode levar a uma compactação, um selamento superficial. Então há uma diminuição da infiltração de água, um aumento do escorrimento e o processo de erosão está estabelecido.” 

O processo de recuperação do solo é longo — pode levar cerca de três anos — e os custos para os produtores são altos, afirma o pesquisador. 

A Organização de Associações de Produtores de Cana do Brasil (ORPLANA) com sede em Ribeirão Preto, representa mais de 12 mil produtores de cana-de-açúcar, parte deles prejudicados com os incêndios.

De acordo com o Protocolo Agroambiental – Etanol Mais Verde é proibido o uso de fogo na colheita de cana no estado de São Paulo, medida que segundo a ORPLANA é seguida rigorosamente pelos associados. E que os produtores de cana-de-açúcar e as usinas não são os responsáveis pelos incêndios e, sim, que atuam para afastar o fogo de suas produções.

Impactos na economia

Segundo o Cepea/USP os preços dos principais derivados da cana-de-açúcar ainda não sofreram qualquer modificação ou impacto por conta do prejuízo nas lavouras. No estado paulista, o açúcar ainda mantém os preços de R$ 130 pela saca de 50kg e o segue cotado a R$ 2,600/m³. 

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SOBRE

Lívia Braz

Formada em Comunicação Social pela Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) em 2007, é repórter do Brasil 61 desde 2022. Ao longo de 18] anos de carreira, atuou nas redações da Record TV e na assessoria de comunicação do Governo do Distrito Federal (GDF), cobrando fatos relevantes da história do pais, como posses presidenciais e eventos jurídicos, como o julgamento do Mensalão no STF.

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