Data de publicação: 12 de Dezembro de 2018, 15:05h, Atualizado em: 17 de Julho de 2020, 18:32h
Em 1980, receber um diagnóstico de HIV positivo era sinônimo de sentença de morte. Durante a década, que ficou conhecida pela famosa epidemia devastadora, era praticamente impossível ter aids e viver normalmente. Essa relação com a vida não existia. As pessoas se escondiam atrás do anonimato e do medo pela falta de informação da doença. Atualmente, o Brasil já não representa mais o mesmo cenário. Durante esses 30 anos, o país foi marcado por avanços e conquistas. Atualmente, 866 mil pessoas vivem com HIV, sendo que 75% estão em tratamento, ou seja, tendo uma vida totalmente controlada por antirretrovirais que são distribuídos gratuitamente pela rede pública, que também faz parte das vitórias. O silêncio está sendo quebrado, e o anonimato já não faz mais parte da identidade das pessoas que vivem com HIV. Gabriel Estrela, ator de Brasília, e criador do “Projeto Boa Sorte”, é uma dessas pessoas que escolheu não querer mais associar o HIV com a vergonha do passado.
Eu decidi que o HIV, ao invés de ser algo que eu guardo no fundo do armário e deixo lá quietinho, vai ser algo que eu carrego comigo e estampo no peito, e falo isso com orgulho, não pelo diagnóstico, mas pelo caminho que eu tracei desde que eu fui diagnosticado, com 18 anos. Toda a minha vida adulta foi com HIV, toda a minha formação como homem foi com HIV. Eu não posso ignorar isso.”
Aos 18 anos, assim que recebeu o diagnóstico, Gabriel teve o apoio da família, dos amigos e do namorado. O artista decidiu abrir não só o coração para as pessoas próximas, mas quis ir além. Com a intenção de criar estratégias para alcançar o público e interagir sobre o HIV/aids, Gabriel então lançou o “Projeto Boa Sorte”, nome de uma música em que ouviu quando saiu do consultório com o diagnóstico ainda em mãos. Escreveu uma peça com a sua biografia para mostrar como é possível ter uma vida com HIV sem ser de forma trágica e triste. Hoje, depois de quase seis anos da peça escrita, ele conta que o projeto foi além das cortinas de um pequeno teatro.
“A gente faz um musical, um show, um ensaio fotográfico. A gente faz oficina, palestra, revista e televisão. Colaborei com malhação, quando eles escreveram uma websérie chamada “Eu só quero amar”, e que foi indicada ao “m kids” e a gente foi pra ONU, em Nova York, falar sobre isso. A gente faz muita coisa mesmo. Temos uma longa metragem que vai sair em abril e o youtube.”
Esse é apenas o começo da vida que Gabriel Estrela decidiu trilhar, depois de receber o diagnóstico positivo de HIV. Entre projetos realizados e os que ainda estão saindo do forno, o jovem, hoje com 27 anos, motiva todas as pessoas a buscarem saber sobre a sorologia por meio de testagens.
“O diagnóstico parece ser um fim da linha, mas de onde a gente enxerga hoje em 2018, o diagnóstico é um começo. É a partir do diagnóstico que você vai decidir qual é a sua prevenção. É a partir de entender que a sua sorologia naquele instante está positiva ou negativa para o HIV, que você vai entender qual é o próximo passo.”
Já são 30 anos em que o Brasil e o mundo comemoram a luta contra a aids. Apesar dos avanços nos tratamentos e pesquisas, ainda assim precisamos estar atentos aos tipos de prevenção combinada, disponíveis no SUS. Por isso, use camisinha e conheça as outras formas de prevenção combinada, disponíveis no SUS. Proteja-se. Trinta anos da luta mundial contra a aids. Uma bandeira de histórias e conquistas. Saiba mais em aids.gov.br. Ministério da Saúde, Governo Federal.