Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil
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IGP-M recua e fecha 2025 com queda acumulada de 1,05%

Período marcado por desaceleração da atividade global, elevada incerteza e melhora nas safras agrícolas

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O Índice Geral de Preços–Mercado (IGP-M) registrou variação de -0,01% em dezembro de 2025, após alta de 0,27% em novembro. Os dados foram divulgados nesta segunda-feira (29) pela Fundação Getulio Vargas (FGV).

Com o resultado, o índice encerrou 2025 com queda acumulada de 1,05%. O desempenho reflete a desaceleração da atividade global, o aumento da incerteza econômica e a melhora das safras agrícolas, que pressionaram para baixo os preços de matérias-primas.

“Esse resultado está muito relacionado ao comportamento do IPA [Índice de Preços ao Produtor Amplo] ao longo do ano. Diferentemente do que se observou em novembro, quando houve altas em algumas commodities agrícolas, em boa parte de 2025 prevaleceram quedas expressivas de preços, tanto de produtos industriais quanto agropecuários.

Em vários meses, o IPA registrou variações negativas, o que levou a uma desaceleração mais nítida a partir de maio: naquele momento, a taxa em 12 meses recuou de 7,68% em maio para 4,02% em junho, até alcançar os atuais -2,06%. A queda do IGP-M em 12 meses seria ainda maior não fosse a compensação exercida pelos preços ao consumidor e pelos custos da construção”, analisa Matheus Dias, economista do FGV IBRE.

Dias aponta menor pressão de custos para 2026, mas riscos em itens sensíveis à atividade econômica dependendo da política monetária.

Desempenho dos Componentes

O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) recuou 0,12% em dezembro, após avanço de 0,27% em novembro. Houve queda em Matérias-Primas Brutas (-0,30%),

Bens Intermediários (-0,04%) e Bens Finais (0,00%)

O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,24%, ligeiramente abaixo dos 0,25% registrados no mês anterior. As principais altas ocorreram em Habitação (0,42%), Educação, Leitura e Recreação (1,53%) e Transportes (0,28%). Houve recuo em Saúde e Cuidados Pessoais (-0,09%), Vestuário (-0,60%) e Alimentação (-0,07%).

O Índice Nacional de Custo da Construção (INCC) avançou 0,21%, após 0,28% em novembro. O grupo Mão de Obra acelerou para 0,32%, enquanto Serviços registrou variação de 0,27%.

Influências 

No IPA, as principais pressões positivas vieram de minério de ferro (2,42%), carne bovina (2,73%), farelo de soja (3,56%) e milho em grão (1,42%). As maiores quedas foram observadas em leite in natura (-6,26%), café em grão (-1,83%), óleo de soja em bruto (-5,60%) e ovos (-5,41%).

No IPC, destacaram-se as altas de passagem aérea (12,49%), tarifa de eletricidade residencial (1,97%), refeições fora do domicílio (0,61%) e aluguel residencial (0,52%). As principais quedas foram registradas em tomate (-14,29%), perfume (-5,58%) e leite longa vida (-4,89%).

No INCC, os maiores impactos de alta vieram de pedreiro (0,37%), eletricista (0,61%), armador ou ferreiro (0,38%) e encarregado (0,41%). Tubos e conexões de PVC (-1,04%) e material para instalação de gás (-2,16%) exerceram pressão de queda.
 

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LOC.: O Índice Geral de Preços–Mercado, o IGP-M, ficou estável em dezembro. O indicador recuou 0,01%, depois de subir 0,27% em novembro. Os dados foram divulgados pela Fundação Getulio Vargas.

Com esse resultado, o IGP-M fechou 2025 com queda acumulada de 1,05%.

Segundo a FGV, o desempenho do índice reflete a desaceleração da economia global, o aumento da incerteza e a melhora das safras agrícolas, que ajudaram a reduzir os preços de matérias-primas.

De acordo com o economista Matheus Dias, do FGV IBRE, a queda do IGP-M no ano está ligada principalmente ao comportamento dos preços no atacado. Ele explica que, ao longo de 2025, houve redução nos preços de produtos industriais e agropecuários, o que puxou o índice para baixo.

Mesmo assim, os preços ao consumidor e os custos da construção ajudaram a conter uma queda maior.
No detalhe dos componentes, o Índice de Preços ao Produtor Amplo, caiu 0,12% em dezembro.

O Índice de Preços ao Consumidor subiu 0,24%, com altas em habitação, educação e transportes, e queda nos preços de alimentos, vestuário e itens de saúde.

Já o custo da construção, medido pelo INCC, avançou 0,21%, com impacto da mão de obra.

Entre os destaques do mês, as passagens aéreas subiram mais de 12%. Por outro lado, o leite in natura caiu 6,26% e o tomate teve queda de mais de 14%.

Reportagem, Paula Coutinho