O dólar comercial encerrou o último pregão em outra queda, de 0,29% frente ao real, cotado a R$ 4,98, abaixo do patamar de R$ 5,00 pela primeira vez desde março de 2024. O câmbio acompanhou a tendência externa, com o indicador DXY — que compara o dólar a uma cesta de seis divisas globais como euro e libra — apresentando baixa de 0,26%.
O desempenho do câmbio foi influenciado por uma reviravolta nas tensões entre Estados Unidos e Irã. Após o aparente fracasso das negociações de paz em Islamabad, no Paquistão, durante o último fim de semana — o que chegou a empurrar o petróleo Brent para acima de US$ 100 por barril na abertura do pregão —, o mercado reagiu positivamente a novas declarações do presidente estadunidense, Donald Trump, sobre o conflito.
Em postagem na rede Truth Social, Trump afirmou que o governo iraniano entrou em contato com Washington manifestando "muito interesse" em firmar um acordo para encerrar o conflito. A sinalização de uma possível trégua reduziu o temor de uma escalada militar no Estreito de Ormuz, onde Trump havia ameaçado um bloqueio naval caso as conversas não avançassem. Segundo estrategistas do setor, a declaração do republicano foi o gatilho necessário para que investidores retomassem o apetite por moedas de países emergentes, como o real brasileiro.
No cenário doméstico, os investidores também repercutiram os dados do Boletim Focus, divulgado na manhã desta segunda-feira (13) pelo Banco Central. O mercado financeiro elevou a projeção para a inflação oficial, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) de 2026, que subiu de 4,36% para 4,71%, ultrapassando o teto da meta estabelecida pelo BC, que é de 3% com margem de erro de 1,5% para mais ou para menos. A revisão ocorreu após o IPCA de março ter surpreendido com uma alta de 0,88%, pressionado pelos combustíveis.
Apesar da pressão inflacionária, o câmbio seguiu favorecido pelo forte fluxo de capital estrangeiro. Dados apontam que os investidores externos já aportaram cerca de R$ 65 bilhões no mercado nacional apenas em 2026. Analistas argumentam que, embora o cenário externo continue volátil, o diferencial de juros brasileiro e a perspectiva de novos recordes no Ibovespa têm sustentado a valorização do real frente à moeda estadunidense.
Cotação do euro
O euro, por sua vez, encerrou a sessão em alta de 0,30%, cotado a R$ 5,88.
Cotações
A tabela abaixo mostra as cotações cruzadas entre as principais moedas internacionais e o real. Cada célula indica quanto vale 1 unidade da moeda da linha em relação à moeda da coluna.
| Código |
BRL |
USD |
EUR |
GBP |
JPY |
CHF |
CAD |
AUD |
| BRL |
1 |
0,2000 |
0,1700 |
0,1480 |
31,8783 |
0,1567 |
0,2757 |
0,2817 |
| USD |
5,0012 |
1 |
0,8504 |
0,7405 |
159,44 |
0,7839 |
1,3789 |
1,4091 |
| EUR |
5,8824 |
1,1759 |
1 |
0,8708 |
187,49 |
0,9218 |
1,6214 |
1,6571 |
| GBP |
6,7562 |
1,3505 |
1,1485 |
1 |
215,32 |
1,0587 |
1,8624 |
1,9031 |
| JPY |
3,13693 |
0,627235 |
0,53342 |
0,464447 |
1 |
0,4917 |
0,86489 |
0,88386 |
| CHF |
6,3799 |
1,2758 |
1,0850 |
0,9446 |
203,39 |
1 |
1,7593 |
1,7977 |
| CAD |
3,6269 |
0,7252 |
0,6167 |
0,5370 |
115,63 |
0,5686 |
1 |
1,0218 |
| AUD |
3,5500 |
0,7096 |
0,6035 |
0,5255 |
113,14 |
0,5563 |
0,9785 |
1 |
Os dados são da Investing.com