Foto: Prasesh Shiwakoti / Unsplash
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Covid-19: qual o melhor teste para detectar o vírus?

Atualmente, existem mais de 10 opções de testagem com diferentes metodologias e coletas de amostras biológicas distintas


As farmácias devem começar a vender o autoteste para a detecção do coronavírus agora em março. Essa é mais uma opção para auxiliar no diagnóstico da Covid-19 e poderá ser feita pela própria pessoa que desconfia estar com o vírus. 

Atualmente existem no mercado mais de 10 opções de testes para detecção do vírus com diferentes métodos e amostras biológicas. “Todos são confiáveis, com sensibilidade acima de 90%. A escolha depende da finalidade, se a pessoa vai viajar, se esteve com alguém que apresentou sintomas, se vai fazer uma cirurgia eletiva”, exemplifica a biomédica sanitarista, especialista em microbiologia clínica, Fabiana Nunes. 

Para a identificação do vírus, podem ser usadas diferentes amostras biológicas: secreção nasal (com o Swab, que é coleta material da nasofaringe com cotonete), saliva ou sangue. Os métodos podem ser a contagem de anticorpos (IGG e IGM), a detecção molecular ou do antígeno do vírus (conhecido como teste rápido). 

“Os testes diagnósticos são indicados para esclarecer se o paciente está ou não infectado pelo vírus SARS-COV-2. No caso da pesquisa de anticorpos, o caráter é mais epidemiológico, ou seja, de monitoramento para saber se o paciente teve contato com o vírus seja por uma infecção ou mesmo através da vacina”, esclarece o médico Luiz Roberto Giacomelli, especialista em Patologia Clínica e Medicina Laboratorial.  

O médico atua em um laboratório que possui unidades em 12 estados do país. A rede oferece 11 opções de exames para a detecção da Covid-19 com preços que variam de R$ 135,00 a R$ 430,00. Alguns dos exames podem ser realizados por meio de convênio, sempre com o pedido médico. É possível encontrar testes em farmácias a partir de R$ 75,00. 

As opções para a coleta também variam: podem ser feitas dentro do carro (drive thru), em domicílio ou em unidades particulares. A maior parte das unidades básicas de saúde também realizam o teste para a identificação do vírus pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Nesses casos, a maior parte dos testes é teste rápido, ou seja, pesquisa o antígeno do vírus que é a identificação de partes do vírus na amostra colhida. “Esses testes têm um alto índice de confiabilidade e são importantes, especialmente para a decisão do isolamento social para evitar que o vírus se espalhe”, afirma Fabiana Nunes. 

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Como detectar variantes

Os exames de diagnóstico disponíveis no mercado não detectam com que tipo de variação do SARS-COV-2 a pessoa está infectada. Identificam apenas se há a presença de partes do vírus no organismo analisado. Para identificação de variantes, são realizados  testes adicionais. “Faz-se outro teste cuja técnica também é molecular e por meio dele laboratórios de referência e para a segurança genômica, não para uso de diagnóstico clínico. O sequenciamento genético do vírus pode ser completo ou parcial”, esclarece a biomédica Fabiana Nunes que também é mestre em medicina tropical. 

O teste molecular identifica estruturas mais completas do vírus dentro de uma amostra, é o chamado RT-PCR. Padrão ouro dos laboratórios que têm sensibilidade acima de 95%. Outra opção mais recente para testagem é o de anticorpos neutralizantes. “Buscamos detectar anticorpos com a capacidade de neutralizar ou bloquear a ligação do vírus com a célula humana, impedindo assim a sua replicação. Ocorre que ainda não é possível afirmar com todas as letras que a quantidade encontrada desses anticorpos pode ser considerada como uma proteção ou efetividade da vacina”, pondera o médico Luiz Roberto Gioacomelli. 

No caso de dúvidas, os especialistas recomendam a repetição do exame. Para quem teve Covid-19, Dr. Luiz Roberto reforça a importância de se fazer exames de rotina para monitorar a saúde, mesmo após a infecção. 

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Confira as opções

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LOC.: RT-PCR, pesquisa de antígeno, investigação molecular e sorologia. Termos complicados, mas que pouco a pouco foram entrando no vocabulário cotidiano. Mas afinal, qual a diferença de cada um? 
 

TEC./SONORA: Povo fala 

“Você sabe qual é a diferença entre os testes para detecção de Covid? Sinceramente não sei. Não, não sei. Não sei. Não não sei.”
 


LOC.: Para a pesquisa do SARS-COV 2, mais conhecido como coronavírus, existem hoje mais de 10 testes disponíveis no Brasil. A coleta pode ser feita por amostras de sangue, da secreção nasal ou pela saliva. O que traz uma sensibilidade maior é o chamado RT-PCR que dá o resultado a partir da análise molecular. Contudo, opções mais baratas e rápidas são obtidas a partir de testes feitos pela pesquisa de antígeno, que é um pedaço do vírus que pode ser detectado pela secreção nasal ou saliva. A biomédica sanitarista especialista em microbiologia clínica, Fabiana Nunes, ressalta que a escolha varia de acordo com a disponibilidade e a finalidade: 

TEC./SONORA: Fabiana Nunes, biomédica

“Para saber qual teste escolher é sempre importante que se passe por uma avaliação de um profissional de saúde que vai determinar qual seria  o melhor teste. Ou você saber se a pessoa quer fazer aquele teste porque ela vai viajar, porque ela vai de uma reunião no trabalho, ou porque ela vai se submeter a um procedimento eletivo como, por exemplo, uma cirurgia plástica. Qual é a finalidade do teste, né? Para gente poder escolher o melhor teste que a gente teria para aquele tipo de situação.” 
 


LOC.: Fabiana exemplifica que em casos de contaminação em escolas ou asilos, a aplicação de testes rápidos é fundamental para controlar a disseminação da doença. O médico Luiz Roberto Giacomelli, especialista em patologia clínica, explica que as não há contraindicação para a realização dos testes e detalha a finalidade dos exames.
 

TEC./SONORA: Dr. Luiz Roberto Bigão Giacomelli , médico do Sabin.

“Os testes diagnósticos são indicados para esclarecer se o paciente está ou não infectado pelo vírus SARS-CoV-2.  No caso da pesquisa de anticorpos, o caráter é mais epidemiológico, ou seja, de monitoramento: se o paciente teve contato com o vírus seja por uma infecção ou mesmo através da vacina que contém o vírus ou parte dele.”
 


LOC.: Em março os auto-testes deverão estar disponíveis nas farmácias. A nova modalidade também detecta a presença do vírus pela pesquisa de antígeno. Com ela, a pessoa que está com sintomas ou teve contato com alguém que testou positivo poderá verificar se tem o vírus por meio da coleta nasal. Os resultados saem em até 30 minutos. 

Reportagem, Angélica Córdova