Foto: Livia Braz
Foto: Livia Braz

“Agora a gente existe no mapa”: programa leva CEP a todas as favelas do país

Programa coordenado pelos ministérios das Cidades e das Comunicações garante CEP para 12 mil comunidades em todo o Brasil e amplia o acesso a direitos, serviços públicos e oportunidades econômicas


“Quando eu fazia um pedido pela internet, não chegava. Nem a carteirinha do posto de saúde eu conseguia fazer, porque o sistema dizia que meu endereço não existia.”

O desabafo é de Thamires Santos, moradora há 18 anos da comunidade Fazendinha, na periferia do Recife (PE). Como ela, milhares de famílias em favelas de todo o país enfrentavam dificuldades para acessar serviços básicos — até agora.

O governo federal anunciou o cumprimento da primeira meta do programa CEP para Todos, que garante endereçamento oficial a todas as favelas brasileiras — cerca de 12 mil. A iniciativa é conduzida pelo Ministério das Cidades, por meio da Secretaria Nacional de Periferias, e pelo Ministério das Comunicações, em parceria com os Correios.

De acordo com o ministro das Cidades, Jader Filho, a ação representa um passo histórico na inclusão social. “Ter um CEP é mais do que receber correspondência. É garantir dignidade, acesso a políticas públicas e o reconhecimento de que essas pessoas fazem parte da cidade.”

Primeira meta concluída

O programa tem três metas principais. A primeira — o endereçamento de todas as favelas do país — foi concluída um ano antes do prazo previsto. Agora, o governo avança para as próximas etapas, que devem ser cumpridas até 2026.

O secretário nacional de Periferias, Guilherme Simões, explica os próximos passos.  “Nos territórios periféricos do programa Periferia Viva — são 59 territórios que abrangem cerca de 300 favelas e comunidades urbanas — vamos endereçar rua por rua, organizar o arruamento e promover o atendimento dos Correios por meio do Correio Essencial. Essa é a meta dois, que deve ser concluída até o final do ano que vem.”

Simões detalha ainda a etapa final do projeto. “A meta três prevê o mesmo processo em mais 100 favelas e comunidades do país. Levar o endereçamento significa dinamizar a economia desses territórios. Imagine o impacto de a população das favelas poder consumir via internet, algo que hoje ainda é negado a muita gente. Não é apenas a garantia de um direito, mas também a inserção dessa população no mercado de consumo.”

Muito além do endereço

Com o CEP oficial, moradores de áreas antes invisíveis no mapa passam a ter acesso a uma série de serviços: podem abrir contas bancárias, receber entregas, acessar saúde, educação e programas sociais.

O governo afirma que o CEP para Todos é parte de um esforço mais amplo para reconhecer e integrar as periferias à vida urbana, promovendo inclusão, mobilidade e desenvolvimento.

Para Tamires, que foi citada lá no comecinho da reportagem, o impacto é imediato. “Agora eu posso colocar meu endereço completo em qualquer cadastro. É como se a gente finalmente existisse no mapa.”

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LOC.: Em Recife, a moradora Thamires dos Santos enfrentava uma dificuldade comum a quem vive em comunidades sem endereçamento oficial. Sem um CEP, ela não conseguia comprovar residência nem acessar serviços básicos.

TEC/SONORA – Thamires dos Santos, moradora de Recife (PE)

“Era muito constrangedor, porque a gente precisava de uma vaga na escola, de um acompanhamento médico, de regularizar o CadÚnico... e tudo isso exige comprovante de residência. Muitas vezes, a gente não tinha nem o CEP.”
 


LOC.: Situações como a de Thamires começam a mudar com o programa CEP para Todos, lançado pelo Governo Federal. A iniciativa garante endereço oficial para todas as favelas brasileiras, cerca de 12 mil em todo o país. Segundo o ministro das Cidades, Jader Barbalho Filho, o programa é um marco na inclusão social.

TEC/SONORA – Jader Barbalho Filho, ministro das Cidades

“Isso representa dignidade — uma mãe poder levar os filhos a uma escola perto de casa, sem precisar mendigar por um favor. Estamos em 2025, com tantas tecnologias, e ainda havia famílias que não tinham nem CEP. Mas, a partir de hoje, essas pessoas vão ter dignidade, vão ter um CEP para chamar de seu.”
 


LOC.: Com o endereçamento, os moradores passam a ter acesso a serviços como saúde, educação, entrega de correspondências e até compras pela internet. O governo afirma que essa é apenas a primeira etapa do projeto, que seguirá até 2026, levando infraestrutura e serviços às comunidades.Para Thamires, a mudança já é motivo de celebração.
 

TEC/SONORA – Thamires dos Santos, moradora de Recife (PE)

“A gente tá conseguindo construir uma relação de respeito entre o governo e a comunidade. E tá sendo um caminho muito massa de felicidade pra gente, pra realmente ter um lar, uma saúde boa e uma educação melhor pros nossos filhos.”
 


LOC.: O programa CEP para Todos é conduzido pelos ministérios das Cidades e das Comunicações, em parceria com os Correios, e promete colocar no mapa milhares de famílias brasileiras que antes viviam em áreas sem endereço reconhecido.

Reportagem, Livia Braz