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LOC.: Faltam menos de 2 meses para as eleições de 2026 e os resultados das eleições presidenciais de 2022 podem ajudar a traçar os caminhos nesse período. Há 4 anos, tanto o então candidato Luís Inácio Lula da Silva quanto o presidente em exercício na época, Jair Bolsonaro, registraram aumento de votos do primeiro para o segundo turno. O crescimento do petista foi de mais de 3 milhões de votos, enquanto o adversário que buscava a reeleição angariou mais de 7 milhões de votantes.
O desempenho de Bolsonaro não foi suficiente para impedir o terceiro mandato de Lula na presidência da República. No entanto, conforme o mapa eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral, o candidato do Partido Liberal conseguiu reverter a derrota na primeira etapa do pleito em 259 municípios onde o petista havia sido o mais votado.
Em nenhuma outra cidade, o inverso aconteceu. Ou seja, os votos em candidatos que ficaram pelo caminho, como Simone Tebet, Ciro Gomes, Soraya Thronicke, entre outros, migraram em maioria para o representante da extrema-direita.
Arthur Bezerra Júnior, cientista político e doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Mackenzie, destaca que a virada não significa mudança de viés ideológico dos munícipes.
TEC./SONORA: Arthur Bezerra Júnior, cientista político e doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Mackenzie
“É diferente a dinâmica do primeiro para o segundo, porque o segundo é marcado pela redistribuição dos votos dos candidatos eliminados, de Simone Tebet e Ciro Gomes em 2022. Também existe uma maior polarização, há a atuação de lideranças locais e há campanhas muito direcionadas aos municípios que as estratégias consideram decisivos para o pleito”.
LOC.: Se o cenário de um turno para o outro, realizado em um espaço de 3 semanas, muda, o que dizer de eleições separadas por 4 anos. A primeira diferença no momento são os candidatos em si. Lula segue como nome hegemônico tanto no PT quanto na centro-esquerda brasileira, mas Jair Bolsonaro está inelegível até 2030 por abuso de poder político e econômico, e escolheu o filho Flávio para levar o nome da família nas urnas.
Segundo, a vantagem nas pesquisas: Lula lidera a corrida com 40,7% das intenções de voto para o primeiro turno contra 32,5% de Flávio Bolsonaro, de acordo com o agregador de pesquisas eleitorais do UOL. Em agosto de 2022, Lula também liderava as pesquisas contra Jair, mas com uma diferença menor: 40% x 37%.
Por fim, agora é o petista o incumbente contra um Bolsonaro postulante ao cargo. Para Bezerra Júnior, o sucesso na atual campanha passa por atrair o eleitorado moderado e conquistar os municípios mais competitivos.
TEC./SONORA: Arthur Bezerra Júnior, cientista político e doutor em Direito Político e Econômico pela Universidade Mackenzie
“Agora, ele [Lula] pode apresentar os resultados do seu governo, usar a máquina, mas também não podemos deixar de falar que ele está enfrentando o desgaste natural de quem ocupa o poder. Agora do outro lado, o adversário é o Flávio Bolsonaro e não mais Jair, que sim herda parte do capital político e de eleitorado identificado com o pai, mas que também precisa construir uma candidatura própria e ampliar a sua base para além do núcleo mais fiel do bolsonarismo, porque eu vejo que essa é a maior dificuldade de Flávio.”
LOC.: O primeiro turno das eleições deste ano está previsto para ocorrer no dia 4 de outubro.
Reportagem, Álvaro Couto.