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LOC - Antes de falar em números e modais logísticos, o produtor Cícero Gonçalves pensa no que cabe dentro de cada saca de algodão: o adubo que ficou mais caro, o diesel que não para de subir e as contas que chegam antes mesmo da colheita. No Cariri, longe dos grandes centros comerciais, ele aprendeu que o custo do frete pode pesar tanto quanto o clima. É dessa realidade que ele fala ao comparar os preços dos insumos entre outras regiões e o sul do Ceará.
TEC./SONORA: CÍCERO
"Você vê uma tonelada de determinado adubo lá em Luiz Eduardo, ele é 1.600 reais. Aqui é 3.000 reais, 4.000 reais a tonelada. E você tendo essa logística de chegar aqui mais barato, com certeza vai baratear os custos da gente de produção."
LOC - Tesoureiro e cofundador da Associação dos Produtores de Algodão do Estado do Ceará, Cícero acredita que a chegada da ferrovia Transnordestina representa mais do que uma alternativa de transporte. É a chance de dar escala à produção, alcançar novos mercados e garantir renda para as famílias que vivem no campo.
TEC./SONORA: Cícero
“O escoamento da produção. A Transnordestina vai viabilizar que a gente venha escoar essa produção nossa para outros países, né? Chegando ao Porto do Pecém e lá, tomando um destino para a Europa.”
LOC: Visando o comércio em larga escala da pluma e do caroço do algodão, que tem baixo valor agregado, a associação começou a participar de oficinas de consultoria da Organização das Cooperativas Brasileiras. A iniciativa tem como objetivo orientar grupos de produtores rurais na formação de cooperativas e ampliar o acesso a políticas públicas, assistência técnica e novos mercados.
O analista de Desenvolvimento de Cooperativas do Sistema OCB, Lucas Bonfim, afirma que, para enfrentar os custos logísticos e alavancar operações comerciais, a organização pretende explorar futuramente o transporte de cargas da Transnordestina.
TEC./SONORA: LUCAS BONFIM
“Como organização de defesa do cooperativismo, buscamos desenvolver as cooperativas para que elas se tornem fortes. A ferrovia traz essa possibilidade de fortalecer cada vez mais as cooperativas, dando acesso a novos mercados. Está sim no nosso radar estar mais próximo dessa oportunidade.”
LOC - Por meio do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste, o Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional contribui fortemente para o avanço da Transnordestina. O Ministro Waldez Góes ressalta que a ferrovia é um projeto público que visa alavancar a geração de oportunidades, melhorando a renda e a economia nordestina.
TEC./SONORA: WALDEZ GÓES
“Cada obra estruturante gera a possibilidade do investidor acreditar e fazer também seu investimento. Então quando o presidente Lula investe em luz para todos, em água para todos, conectividade, em educação, crédito, em assistência, obviamente que a iniciativa privada vem junto. E a Transnordestina está aí para isso. Ela corta quase todo o estado do Ceará, ela beneficia o Piauí, também Pernambuco, porque a outra perna está no PAC. Então é transformador isso para o Brasil, para o nordeste brasileiro.”
LOC: A Transnordestina tem extensão total de 1.206 quilômetros, e registra 80% de avanço físico. Atualmente, os oito lotes remanescentes estão contratados. Após a autorização da Agência Nacional de Transportes Terrestres e a concessão da licença de operação pelo IBAMA, os trens de carga da ferrovia começaram a circular de forma experimental em um trecho de quase 680 quilômetros. Para saber mais sobre as ações do governo federal em desenvolvimento regional, acesse: mdr .gov .br
Reportagem, Giulia Luchetta