Foto: Lyon Santos/ MDS
Foto: Lyon Santos/ MDS

Bolsa Família: TCU aponta falhas no monitoramento de beneficiários do programa

Auditoria identificou dificuldades para localizar famílias, cadastros desatualizados e diferenças regionais no acompanhamento das condicionalidades


Auditoria do Tribunal de Contas da União (TCU) identificou falhas no acompanhamento das condicionalidades do Programa Bolsa Família e apontou diferenças entre regiões e municípios na execução da política pública. Entre os principais problemas estão a dificuldade de localizar beneficiários, a desatualização de cadastros, a demora na aplicação de sanções e limitações na atuação da rede de assistência social.

Relançado em 2023, o Bolsa Família atende famílias com renda mensal de até R$ 218 por pessoa inscritas no Cadastro Único. Em 2024, o programa movimentou mais de R$ 170 bilhões e beneficiou 20,8 milhões de famílias. Além da transferência de renda, a iniciativa envolve o acompanhamento de 19,2 milhões de crianças e adolescentes na educação e de 25,1 milhões de mulheres na área da saúde.

Ao analisar a execução do programa, o TCU constatou diferenças expressivas entre municípios e regiões no monitoramento das exigências relacionadas à frequência escolar e ao acompanhamento de saúde. 

Segundo a auditoria, parte dos beneficiários deixa de ser acompanhada em razão da falta de atualização cadastral, da dificuldade dos municípios em localizar as famílias e da ausência de ações voltadas à conscientização sobre a importância dessas obrigações. O cenário compromete a efetividade da política pública e contribui para a manutenção de desigualdades territoriais.

Beneficiários fora do radar dificultam fiscalização

A fiscalização também verificou que um número significativo de beneficiários não é localizado pelos sistemas de controle, dificultando tanto a verificação do cumprimento das regras quanto o acesso dessas famílias aos serviços públicos. Entre os fatores apontados estão a alta mobilidade das famílias, informações desatualizadas no Cadastro Único e falhas na integração entre bases de dados.

O relatório ainda destaca problemas de coordenação entre diferentes áreas e esferas de governo. De acordo com o TCU, poucos municípios mantêm comissões formais para acompanhar a execução do programa. Atualmente, 35,8% das crianças monitoradas na área da saúde e 13,7% dos beneficiários acompanhados na educação permanecem invisíveis aos sistemas de controle. Mesmo assim, as famílias continuam recebendo os benefícios, já que não é possível verificar se as condicionalidades estão sendo cumpridas.

As desigualdades regionais também aparecem nos índices de acompanhamento. A auditoria aponta que não existem metas específicas para diferentes contextos regionais nem estratégias direcionadas aos municípios com desempenho mais baixo. Para o tribunal, a adoção dessas medidas poderia contribuir para melhores resultados.

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Outro ponto identificado foi a demora na aplicação das consequências previstas para casos de descumprimento das regras, especialmente na área da saúde. Segundo o TCU, essa lentidão reduz o efeito pedagógico das medidas e pode comprometer o acesso de crianças beneficiárias aos serviços de saúde e educação.

O trabalho social voltado às famílias que descumprem as exigências do programa também foi considerado insuficiente. O tribunal verificou sobrecarga nos Centros de Referência de Assistência Social (Cras), escassez de profissionais qualificados e subnotificação dos atendimentos realizados. Na avaliação da auditoria, esses fatores limitam a capacidade do programa de promover inclusão social e contribuir para a superação da pobreza entre gerações.

TCU cobra medidas para corrigir falhas

Diante dos resultados, o TCU determinou que o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, Família e Combate à Fome (MDS) apresente, em até 90 dias, um plano de ação para enfrentar o problema dos beneficiários não localizados, incentivar a atualização cadastral e acelerar a aplicação das medidas previstas nos casos de descumprimento das condicionalidades.

O tribunal também recomendou que o MDS atue em conjunto com os Ministérios da Educação e da Saúde na implementação das melhorias apontadas pela auditoria.

Segundo o TCU, a adoção dessas medidas pode fortalecer a gestão do Bolsa Família, ampliar a integração entre os órgãos envolvidos, reforçar a capacidade técnica dos municípios e melhorar o acesso das famílias vulneráveis aos serviços de saúde e educação. O objetivo é aumentar a efetividade do programa e ampliar sua contribuição para a interrupção do ciclo de pobreza.
 

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LOC.: Uma auditoria do Tribunal de Contas da União identificou falhas no acompanhamento das exigências do Programa Bolsa Família e apontou diferenças entre municípios e regiões na execução da política pública.

O levantamento mostra que parte dos beneficiários deixa de ser monitorada por causa de cadastros desatualizados, dificuldades para localizar as famílias e falhas na integração de informações entre os sistemas do governo.

Relançado em 2023, o Bolsa Família atende famílias com renda mensal de até DUZENTOS E DEZOITO REAIS por pessoa. No ano passado, o programa movimentou mais de CENTO E SETENTA BILHÕES DE REAIS e beneficiou VINTE MILHÕES E OITOCENTAS MIL FAMÍLIAS.

Segundo a auditoria, atualmente mais de TRINTA E CINCO POR CENTO das crianças acompanhadas na área da saúde e cerca de TREZE POR CENTO dos beneficiários monitorados na educação não são localizados pelos sistemas de controle. Nesses casos, as famílias continuam recebendo o benefício porque não é possível verificar se as exigências do programa estão sendo cumpridas.

O TCU também identificou demora na aplicação das medidas previstas para quem descumpre as regras, principalmente na área da saúde. Para o tribunal, essa lentidão reduz a eficácia do acompanhamento e pode prejudicar o acesso de crianças aos serviços públicos.

Outro problema apontado está na rede de assistência social. A auditoria verificou sobrecarga nos Centros de Referência de Assistência Social, os Cras, além de falta de profissionais e registros incompletos dos atendimentos realizados.

Diante dos resultados, o TCU determinou que o Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social apresente, em até NOVENTA DIAS, um plano de ação para enfrentar os problemas identificados, ampliar a atualização cadastral e melhorar o acompanhamento das famílias beneficiárias.

Reportagem, Marquezan Araújo