Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil
Foto: Antônio Cruz/ Agência Brasil

Calendário eleitoral deve reduzir ritmo do Congresso e adiar decisões estratégicas em 2026

Com recesso ampliado por causa das eleições, temas como segurança pública, jornada de trabalho e aplicativos ficam para o próximo ano


O calendário eleitoral de 2026 deve reduzir significativamente o ritmo de votações no Congresso Nacional e adiar decisões sobre projetos considerados estratégicos para o país. Os trabalhos legislativos começam em fevereiro, mas serão interrompidos já em julho, quando tem início o recesso informal para as campanhas eleitorais. As sessões plenárias só devem ser retomadas em outubro, após o primeiro turno.

Segurança pública

Na área da segurança, ao menos duas iniciativas de grande impacto devem voltar à pauta na volta do recesso, em 2026. A PEC da Segurança Pública (PEC 18/2025), elaborada pelo Ministério da Justiça, pretende inserir na Constituição o Sistema Único de Segurança Pública e integrar forças federais, estaduais e municipais no combate ao crime organizado.

Apesar de já ter parecer favorável na Comissão de Constituição e Justiça, o texto sofreu alterações profundas na comissão especial. A resistência de governadores e líderes partidários levou ao adiamento da votação.

Outro projeto travado é o PL Antifacção (PL 5582/2025). A proposta, que busca endurecer o combate às organizações criminosas, virou alvo de disputa política entre Câmara e Senado. Enquanto deputados ampliaram o protagonismo dos Estados e aumentaram penas, senadores retomaram uma versão mais alinhada ao governo federal. A definição sobre qual texto prevalecerá ficou para o próximo ano.

CPMIs, trabalho e impasses institucionais

Além da segurança, temas ligados às relações de trabalho também foram adiados. A PEC da Jornada 6x1 (PEC 8/2025) divide parlamentares. Na Câmara, o relatório propõe manter o modelo atual, com redução da carga semanal para 40 horas. No Senado, a CCJ já aprovou uma jornada 5x2, mas o texto ainda aguarda votação em plenário.

Outro tema sensível é a regulamentação do trabalho por aplicativo (PLP 152/2025). Após meses de audiências públicas, a comissão especial da Câmara apresentou um texto sem consenso entre trabalhadores, plataformas e parlamentares, o que levou ao adiamento da votação.

No campo institucional, também ficou para 2026 a sabatina de Jorge Messias, indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva para uma vaga no Supremo Tribunal Federal aberta em setembro. A avaliação do nome enfrentou resistência no Senado e a sabatina, inicialmente prevista para dezembro de 2025, acabou sendo cancelada — movimento que, nos bastidores, foi visto como uma estratégia para reduzir tensões políticas.

Já no âmbito investigativo, duas comissões parlamentares devem encerrar seus trabalhos ainda no primeiro semestre de 2026: a CPMI do INSS, que apura descontos indevidos em aposentadorias, e a CPI do Crime Organizado, no Senado, voltada à investigação e ao enfrentamento das facções criminosas.

Receba nossos conteúdos em primeira mão.

LOC.: O calendário eleitoral de 2026 vai reduzir o ritmo de votações no Congresso Nacional e empurrar projetos estratégicos para o próximo ano. Os trabalhos legislativos começam em fevereiro, mas devem ser interrompidos já em julho, por causa do recesso ampliado para as eleições. A retomada das votações está prevista apenas para outubro, após o primeiro turno.

Com isso, propostas importantes acabaram ficando para 2026. Na área da segurança pública, a chamada PEC da Segurança deve voltar à pauta este ano. O texto pretende integrar as forças federais, estaduais e municipais no combate ao crime organizado, mas enfrenta resistência de governadores e líderes partidários.

Também ficou para 2026 a votação do Projeto Antifacção, que endurece o combate às organizações criminosas. A proposta virou disputa entre Câmara e Senado, com versões diferentes sobre penas e o papel dos Estados.

Na área trabalhista, a PEC da Jornada 6x1 segue sem consenso. Enquanto a Câmara discute a redução da carga semanal, o Senado já avançou em um modelo diferente. A regulamentação do trabalho por aplicativo também foi adiada após divergências entre trabalhadores, empresas e parlamentares.

No campo institucional, este ano tambem deve ser feita a sabatina de Jorge Messias, indicado ao Supremo Tribunal Federal.

Além disso, duas comissões parlamentares devem encerrar os trabalhos no primeiro semestre: a CPMI do INSS, que investiga descontos indevidos de aposentados, e a CPI do Crime Organizado, no Senado.