ECONOMIA: Mudança no modelo tributário é essencial para diminuir desigualdade social, diz presidente do Cofecon

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LOC: Dados do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, o IPEA, mostram que a desigualdade social no Brasil continua grande. Quase 50 por cento de todo o patrimônio declarado à Receita Federal está nas mãos de apenas meio por cento da população economicamente ativa do país. De acordo com o Conselho Federal de Economia, 72 por cento da arrecadação de tributos no país é sobre o consumo e renda do trabalho, e apenas 28 por cento são sobre a renda do capital e da riqueza. Ou seja, quem mais paga impostos é justamente quem recebe menos ao final do mês.
 
Para o economista Júlio Miragaya, que é presidente do Conselho Federal de Economia, Cofecon, o modelo tributário atual do país contribui para a concentração de riquezas e não diferencia os contribuintes de acordo com a renda. Ele é a favor da implantação um sistema tributário mais justo para diminuir a desigualdade no país.    
 
TEC/SONORA: Presidente do Cofecon, Júlio Miragaya
 
A gente precisa mudar o modelo tributário. Ele é o principal mecanismo de perpetuação da desigualdade. Eu não tenho dúvida nenhuma disso. Quando eu compro um celular, eu estou pagando dois mil reais. Aquela pessoa que tem uma renda, por exemplo, de três mil reais por mês, ela vai entrar no crediário para pagar aquilo ali e, se naquele celular de dois mil reais tiver 800 reais de tributo, ela vai pagar 800 reais. Mas, uma pessoa que tem uma renda de 200 mil reais por mês vai pagar os mesmos 800 reais. Evidentemente que isso é absolutamente injusto”.
 
LOC: A mudança do modelo tributário, a ampliação dos direitos sociais e a valorização do trabalho e da educação, são alguns dos eixos da Campanha Pela Redução da Desigualdade Social no Brasil, que será lançada no dia 11 de maio. A campanha é iniciativa do Cofecon e conta com apoio de 26 entidades como a CNBB, Oxfam Brasil e Ordem dos Advogados do Brasil. O Presidente do Cofecon, Júlio Miragaya, lembra que a população precisa conhecer os mecanismos geradores da desigualdade para exigir ações que possam diminuir as injustiças sociais no país.      
 
 TEC/SONORA: Presidente do Cofecon, Júlio Miragaya
 
“Quando a gente fala em desigualdade, a gente primeiro tem que fazer um processo de conscientização.  Por mais que as pessoas percebam que a desigualdade está aí, porque ela é muito evidente, mas as pessoas não conhecem exatamente os mecanismos que reproduzem a desigualdade. O modelo tributário  pode corrigir essa imensa distorção e minorar essa diferença. E a gente realmente conta que essa campanha possa ser uma contribuição importante para termos um país melhor”.  
 
LOC: O lançamento da Campanha Pela Redução da Desigualdade Social no Brasil vai ser no dia 11 de maio, no auditório Nereu Ramos, da Câmara dos Deputados, em Brasília.
 
Reportagem, Cristiano Carlos

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