CÂMARA DOS DEPUTADOS: Conselho de Ética decide pela continuidade de ação contra Eduardo Cunha

Para Eduardo Cunha decisão foi ilegal. Presidente da Câmara diz que vai recorrer da decisão

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REPÓRTER: Foi aprovado no Conselho de Ética da Câmara dos Deputados, por 11 votos a 9, o parecer preliminar do deputado Marcos Rogério, do PDT de Rondônia, que pede a continuidade do processo que pode levar a cassação do mandato do presidente da casa, Eduardo Cunha do PMDB carioca. Cunha é acusado dos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro. O presidente da Câmara também é alvo de acusação de quebrar o decoro parlamentar, por ter prestado suposto falso testemunho quando depôs na CPI da Petrobras negando ter contas secretas no exterior, como explica o relator do caso, deputado Marcos Rogério.
 
SONORA: Deputado Marcos Rogério
 
“Eduardo Cunha e respectivos familiares tem contas na suíça as quais foram bloqueadas pelas autoridades daquele país. Tais contas foram bloqueadas em virtude de investigações que vem sendo realizadas pelo ministério publico suíço pela pratica dos crimes de corrupção e lavagem de dinheiro. Entretanto, é de conhecimento publico e consta nos autos que o representante afirmou não ter nenhuma conta no exterior. Nota-se portanto, a conduta imputada ao representado estaria, em tese, configurando a pratica de decoro parlamentar.”
 
REPÓRTER: Durante a sessão, parlamentares aliados de Cunha fizeram um pedido de vista, o que significa a solicitação de um tempo a mais para analisar o processo, o que poderia atrasar a votação do relatório. O presidente do Conselho de ética, deputado José Carlos Araújo do PSD da Bahia colocou o pedido em votação. Por 11 votos a 9, os deputados decidiram não aceitar a solicitação de vista. No entanto, para Eduardo Cunha, a ação foi contra o regimento da Câmara e, portanto, ilegal. Cunha disse que vai recorrer do parecer. Para o peemedebista, a decisão foi tomada apenas para influenciar a opinião pública.
 
SONORA: Deputado Eduardo Cunha
“Essa sessão de hoje, ela obviamente é nula. Eu vou entrar com meu recurso, provavelmente eu entro no Supremo Tribunal Federal por cerceamento de defesa. Alguma coisa será feita. Todo mundo que tem um mínimo de conhecimento de regimento dessa casa sabe que fizeram jogo para a plateia e que é nulo o que foi feito aqui hoje. Agora se alguém quisesse levar a custo o processo de uma forma correta, já teria sido votado sem constatação há muito tempo. Parece impressão que estão até a meu serviço. Parece impressão que são até meus aliados que dão essas decisões tão equivocadas para que me permitam anulá-las.”

REPÓRTER: Caso o recurso do presidente da Câmara não seja aceito, Eduardo Cunha vai ter até 10 dias úteis para apresentar sua defesa escrita ao conselho de ética. O prazo começa a correr depois que o deputado for notificado.
 
Reportagem, João Paulo Machado
 

 

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