Foto: Marcello Casal/Agência Brasil
Foto: Marcello Casal/Agência Brasil

RORAIMA: Equipes de Atenção Básica realizaram 2,5 mil consultas de pré-natal com seis ou mais atendimentos por gestante em 2021

Mesmo com pré-natal disponível pelo SUS em todas as regiões do estado, quadro de mortalidade materna e infantil deixa autoridades de saúde em alerta


Para prevenir e detectar precocemente doenças em gestantes e bebês, o Ministério da Saúde recomenda que as mulheres façam  ao menos seis consultas de pré-natal durante a gravidez. . 
No estado de Roraima, as equipes de Atenção Básica realizaram 2,5 mil atendimentos médicos que englobam essa quantidade mínima, entre janeiro e dezembro de 2021. 

Em todo Brasil, foram feitas 407.9 mil consultas de pré-natal no recorte de seis ou mais por gestante, no mesmo período. Os dados são do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica (Sisab). 

Ainda que a assistência esteja disponível pelo SUS em todas as regiões do país, o quadro de mortalidade materna e infantil é uma preocupação das autoridades de saúde. Isso porque, segundo o Ministério da Saúde, grande parte dos óbitos ocorrem durante a gravidez ou por complicações durante o parto, sendo que 90% das causas, como hipertensão, hemorragia e síndromes infecciosas, são consideradas evitáveis com atenção à saúde precoce e de qualidade.

“O Ministério da Saúde acredita que a mortalidade materna é uma tragédia social sem precedentes. A perda de uma mãe significa a desestruturação total do núcleo familiar. Há uma frase que a gente veicula [em campanhas educativas] que diz o seguinte: ‘A cada mulher que morre, há uma família que sofre, uma comunidade que fica mais fraca e um país que fica mais pobre”, afirma a ginecologista, obstetra e diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas (DAPES), Lana de Lourdes Aguiar.

Com o propósito de reverter essa situação, o Ministério da Saúde vai investir, em 2022, mais R$ 624 milhões ao financiamento atual de R$ 977 milhões para reestruturar a rede de saúde materna-infantil brasileira. Na avaliação das autoridades de saúde, aprimorar a assistência oferecida da Atenção Primária à Atenção Hospitalar, desde o fortalecimento das maternidades até a criação dos ambulatórios de assistência a gestantes com alto risco para complicações, assegura à mulher o direito ao planejamento familiar, ao parto e ao puerpério e, às crianças, o direito ao nascimento seguro e ao crescimento e desenvolvimento saudáveis. 

Garantir atendimento humanizado e mais próximo possível do cidadão, lembra Lana, é responsabilidade compartilhada pelo governo federal com estados e municípios. “O enfrentamento da mortalidade materna é uma causa dos gestores nas três esferas de governo, bem como de toda a sociedade. Aos estados e municípios cabe a organização da rede de atenção materna e infantil, de modo a atender as necessidades das gestantes e puérperas, ofertar acesso ao pré-natal de qualidade, à atenção ambulatorial e à atenção hospitalar”, ressalta a diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas.

Benefícios do pré-natal

O pré-natal segue um protocolo para monitoramento da saúde da gestante e do bebê. Inclui anamnese (histórico de sintomas narrados pelo paciente sobre determinado caso clínico), exame físico e análise de exames laboratoriais e de imagem. Como o acolhimento é um dos eixos e diretrizes da Política Nacional de Humanização e de Atenção Obstétrica e Neonatal do Ministério da Saúde, os profissionais de saúde preparam as mulheres para a maternidade por meio de orientações sobre hábitos de vida e higiene pré-natal, conversam sobre a importância de manter o estado nutricional apropriado e sobre o uso de medicações que possam afetar o feto ou o parto. As consultas também tratam das manifestações físicas próprias da gravidez, servem de apoio psicológico para as futuras mamães e são um momento importante para a gestante tirar dúvidas e dividir preocupações e experiências.

“Não só financiamos as ações, como também estabelecemos diretrizes e orientações técnicas para o desenvolvimento de todas elas. Um dos nossos indicadores de desempenho é o pré-natal das gestantes. Há instrumentos e material de orientação para que as equipes se organizem e possam oferecer um bom cuidado, desde o necessário do ponto de vista de equipamento até a conduta clínica, ou seja, como tratar as patologias, doenças, como prevenir e reabilitar para esses dois grupos: mulheres e crianças”, detalha a diretora do Departamento de Saúde da Família (DESF), Renata Maria de Oliveira Costa.

“Queremos evitar que crianças fiquem órfãs, quando perdem a mãe na hora do parto, e que mães não percam seus filhos por conta de uma morte infantil que seria evitável se tivesse o cuidado adequado”, completa.

Na esteira de proporcionar e expandir o atendimento humanizado e integral, a Secretaria de Saúde de Roraima, aprovou, em março deste ano, a ampliação do Centro de Referência de Saúde da Mulher Maria Luiza Castro Perin, na capital Boa Vista, para aumentar a capacidade de atendimento do espaço.

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LOC.: As equipes de Atenção Básica de Roraima realizaram duas mil e quinhentas consultas de pré-natal que abrangem seis ou mais atendimentos por gestante, em 2021. Essa é a quantidade mínima recomendada pelo Ministério da Saúde. 

No Brasil, o número foi de quase 408 mil durante o mesmo período. Os dados são do Sistema de Informação em Saúde para a Atenção Básica.

Mesmo com cobertura pré-natal pelo SUS em todas as regiões do país, o quadro de mortalidade materna e infantil é uma preocupação das autoridades de saúde. Isso porque 90% das causas de mortes durante a gravidez ou parto, como hipertensão, hemorragia e síndromes infecciosas, podem ser evitadas com atenção à saúde precoce e de qualidade.

Para reverter essa situação, o Ministério da Saúde vai investir, em 2022, mais R$ 624 milhões ao financiamento atual de R$ 977 milhões para reestruturar a rede de saúde materno-infantil brasileira. 

Segundo a diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas, Lana Aguiar, garantir atendimento humanizado e mais próximo possível do cidadão é uma responsabilidade compartilhada entre governo federal, estados e municípios.
 

TEC./SONORA.: Lana Aguiar, diretora do Departamento de Ações Programáticas Estratégicas do Ministério da Saúde

“O enfrentamento da mortalidade materna é uma responsabilidade de todos os gestores das três esferas de governo, bem como uma responsabilidade de toda a sociedade. Aos estados e municípios cabe a organização da rede de atenção materna e infantil do seu território, de modo a atender a necessidade específica dessa população feminina. Acesso à pré-natal de qualidade, acesso à atenção ambulatorial especializada, oferecimento e acesso à atenção hospitalar."

LOC.: O pré-natal segue um protocolo para monitoramento da saúde da gestante e do bebê. Durante os atendimentos, os profissionais de saúde preparam as mulheres para a maternidade por meio de orientações sobre hábitos de vida e higiene pré-natal, conversam sobre a importância de manter o estado nutricional apropriado e sobre o uso de medicações. As consultas também tratam das manifestações físicas próprias da gravidez, servem de apoio psicológico para as futuras mamães e são um momento importante para a gestante tirar dúvidas e dividir preocupações e experiências. 

Um trabalho estruturado que oferece acolhimento e respeito, mas também depende de planejamento e organização, como detalha a diretora do Departamento de Saúde da Família, Renata Costa.

TEC./SONORA.: Renata Costa, diretora do Departamento de Saúde da Família do Ministério da Saúde
 
“Não só financiamos as ações, como estabelecemos diretrizes e orientações técnicas para o desenvolvimento de todas elas. Um dos nossos indicadores de desempenho é o pré-natal das gestantes. Queremos evitar que crianças fiquem órfãs, quando perdem a mãe na hora do parto, e que mães não percam seus filhos por conta de uma morte infantil que seria evitável se tivesse o cuidado adequado.”

LOC.: Na esteira de proporcionar e expandir o atendimento humanizado e integral, a Secretaria de Saúde de Roraima, aprovou, em março deste ano, a ampliação do Centro de Referência de Saúde da Mulher Maria Luiza Castro Perin, na capital Boa Vista, para aumentar a capacidade de atendimento do espaço.