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LOC.: O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, pediu vista à Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 7.633, que trata da prorrogação da desoneração da folha de pagamento para 17 setores da economia e de municípios com até 156 mil habitantes. Agora, Moraes tem 90 dias para devolver o processo para julgamento, que segue no plenário virtual.
Em nota, a Confederação Nacional de Municípios (CNM) avaliou que a suspensão é importante para possibilitar uma análise mais criteriosa da ação.
Inclusive, estimativas da confederação apontam que, caso o julgamento suste os efeitos da desoneração em 2026, os municípios terão suas despesas elevadas na ordem de R$ 3,5 bilhões.
Na sexta, o relator da ação, ministro Cristiano Zanin, votou pela inconstitucionalidade da lei aprovada pelo Congresso. Porém, manteve a reoneração prevista da Lei 14.973/2024 de forma gradual, até 2027.
Até o pedido de vista de Moraes dessa quarta (22), o julgamento contava com três votos. Os ministros Gilmar Mendes e Edson Fachin já haviam acompanhado o voto do relator em sessões anteriores.
O advogado especialista em direito tributário, Eduardo Halperin, sócio do escritório Duarte Garcia, Serra Netto e Terra, de São Paulo (SP), analisa que o possível revés judicial no planejamento fiscal dos 17 setores envolvidos – como de comunicação, calçados, construção civil, entre outros, poderão sofrer economicamente. Segundo ele, é natural que haja um encarecimento da mão de obra, assim como para os municípios.
TEC./SONORA: Eduardo Halperin, especialista em direito tributário, sócio do escritório Duarte Garcia, Serra Netto e Terra
“Os municípios também, que usufruíram da desoneração da folha, vão ter um aumento no custo de contratação, naturalmente, o que faz com que eles tenham um cenário desafiador, principalmente em relação à mão de obra. Vai ser mais caro contratar do que já é.”
LOC.: Ainda na sexta (17), a CNM apresentou uma petição em que solicitava à Corte a transferência do julgamento em cenário virtual para o plenário físico.
A entidade alertou no documento que a medida traz impactos diretos no financiamento público, na segurança jurídica e no planejamento orçamentário local. Além disso, pode afetar a continuidade da prestação de serviços públicos pelos entes municipais.
Reportagem, Bianca Mingote