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A Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (ABIMAQ) acompanhou a decisão anunciada, em 02 de abril, pelo Governo dos Estados Unidos, de elevar a alíquota do imposto de importação em 10% - entram em vigor a partir de 5 de março - , além de aplicar uma tarifa adicional recíproca para países que apresentam elevados déficits comerciais. As tarifas, segundo comunicado da Casa Branca, ficarão vigentes até que os déficits comerciais sejam resolvidos ou mitigados.
O presidente americano Donald Trump justificou essa nova medida como uma forma de aumentar a arrecadação e ao mesmo tempo reagir às tarifas aplicadas por outros países sobre produtos dos Estados Unidos. Com isso, ele busca pressionar os países a reduzirem suas taxas de importação ou ajustarem suas políticas comerciais.
O objetivo, segundo ele, é fortalecer a economia americana, incentivando a substituição de importações pela produção local e promovendo investimentos no país. “Entendemos que alterações abruptas nas tarifas de importação tendem a resultar em insegurança comercial e econômica. Essa elevação de tarifa pode gerar impactos negativos significativos para nossa economia e para a indústria brasileira de máquinas e equipamentos”, disse a ABIMAQ, em nota.
Do total da receita do setor de máquinas e equipamentos, cerca de 20% é direcionado ao mercado externo. Em 2024, o setor exportou US$ 13,2 bilhões, dos quais 25% ou US$ 3,5 bilhões direcionados para os Estados Unidos, equivalente a 7% da receita total do setor. O Brasil importou cerca de US$ 4,7 bilhões em máquinas e equipamentos de origem norte-americana, portanto somos deficitários.
A ABIMAQ acredita que a medida anunciada pelo Governo americano impactará negativamente o Brasil em suas exportações para os Estados Unidos, pois o País será menos competitivo em relação à indústria local de máquinas e equipamentos. “Podemos citar como exemplo máquinas agrícolas, rodoviárias e máquinas para a indústria de transformação. Esses produtos, entre outros, são produzidos tanto pelo Brasil como pelos Estados Unidos, assim o aumento da tarifa significará perda de competitividade em relação aos produtos norte-americanos. Sabemos que o Governo brasileiro vem buscando resolver a questão por meio de negociações, o que para a ABIMAQ é o melhor caminho. Temos expectativas que tal decisão, no caso do Brasil, seja revista, a fim de que a relação comercial seja preservada”.
Alumínio
A Associação Brasileira do Alumínio (ABAL) mostra-se preocupada com os impactos da sobretaxa sobre os produtos de alumínio brasileiros. O documento recentemente divulgado pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) não faz menção específica a uma nova medida para produtos de alumínio, que já enfrenta uma sobretaxa de 25% desde 12 de março deste ano.
“Embora ainda seja cedo para medir os efeitos diretos dessas sobretaxas nas exportações brasileiras de alumínio para os EUA — visto que não se completou sequer um mês da sua aplicação, a ABAL chama atenção para os potenciais efeitos indiretos e estruturais de médio e longo prazo, especialmente no que diz respeito à suscetibilidade do país aos desvios de comércio e à desestruturação da cadeia de reciclagem de alumínio nacional, que hoje configura uma das maiores vantagens competitivas do Brasil para seu reposicionamento na cadeia global de suprimento”.
A participação do Brasil nas importações americanas de produtos de alumínio é de menos de 1%, entretanto os Estados Unidos são um parceiro comercial estratégico, representando 16,8% das exportações brasileiras do metal em 2024 — o equivalente a US$ 267 milhões e 72,4 mil toneladas, das quais 54,2 mil estavam sujeitas à Seção 232. Desse volume, 76% corresponderam a chapas e folhas de alumínio.
Segundo a ABAL, a medida tem implicações que vão além do impacto comercial imediato. “Ela reflete uma estratégia mais ampla de coordenação entre políticas industriais, tarifárias e de defesa comercial, em curso tanto nos Estados Unidos como em outras economias, como resposta a um processo global de desindustrialização, impulsionado por práticas comerciais anticompetitivas e pelo aumento dos custos de energia. Embora conceitualmente legítima, essa estratégia precisa considerar a complexidade, a interdependência e os riscos associados à fragmentação da cadeia global do alumínio”.
A associação comenta que há ainda dúvidas sobre a efetividade dessas tarifas no alcance dos objetivos propostos. A desproporcionalidade das medidas pode elevar significativamente os custos de produção de setores estratégicos para a economia americana, como automotivo, aeroespacial, de defesa e de embalagens, com potenciais efeitos inflacionários.
Além disso, a retomada da produção doméstica de alumínio americana exige tempo e demanda grandes volumes de energia, o que impõe limitações práticas no curto prazo. Nesse cenário, há o risco de que tarifas aplicadas com o objetivo de revitalizar a economia acabem, paradoxalmente, fragilizando a competitividade da própria indústria americana, na medida em que mantêm o país exposto à dependência externa de insumos estratégicos, como bauxita e alumina.
“É fundamental que o debate sobre proteção da indústria e fortalecimento de novas capacidades produtivas seja conduzido a partir de uma visão sistêmica. A trajetória da indústria brasileira do alumínio — que, de forma resiliente, vem conseguindo reverter o quadro de desindustrialização por meio de investimentos em ativos estratégicos — posiciona o Brasil em uma janela de oportunidade singular para seu reposicionamento na cadeia global”.
Além de deter a quarta maior reserva de bauxita do mundo e figurar entre os três maiores produtores globais de alumina, a indústria nacional investiu significativamente na diversificação e autogeração de energia a partir de fontes limpas e renováveis, o Brasil é um dos maiores recicladores de alumínio do mundo: hoje, cerca de 60% do alumínio consumido no Brasil tem origem em material reciclado — o dobro da média global (inferior a 30%) e muito acima da média americana.
Tudo isso resulta em uma indústria cuja principal vantagem competitiva é a verticalização, que garante desempenho e rastreabilidade à cadeia de custódia e contribui para a menor exposição do País às externalidades observadas em momentos críticos, como os vivenciados durante a pandemia, escaladas geopolíticas e disputas comerciais internacionais.
“Para que o fortalecimento de uma indústria nacional seja sustentável no longo prazo, é necessário considerar a totalidade e a interdependência dos elos produtivos, com base em uma cadeia integrada, resiliente e orientada ao atendimento da demanda doméstica. Proteger um elo específico da cadeia não é suficiente se persistir a dependência de insumos estratégicos externos”.
Nesse sentido, a ABAL alerta que a nova tarifa não incide sobre a sucata de alumínio, o que sugere uma estratégia deliberada de abastecimento por meio da importação desta matéria-prima, o que suscita preocupações com o risco de o Brasil, que tem feito investimentos relevantes para ampliar sua capacidade de reciclagem – orientados, prioritariamente, ao atendimento da crescente demanda doméstica por produtos de alumínio – passe a ser visto como fonte estratégica de suprimento do metal por países que optaram por estratégias de curto prazo em detrimento da construção de uma cadeia produtiva sustentável e autônoma.
A ABAL informa que segue dialogando com as autoridades competentes, contribuindo com dados, análises e propostas para garantir condições isonômicas para o setor e preservar sua capacidade de competir, de forma sustentável, nos mercados nacional e internacional. Reforça, ainda, a importância do fortalecimento dos instrumentos de defesa comercial e da recalibração da política tarifária nacional, com o objetivo de corrigir distorções e evitar que práticas assimétricas comprometam a competitividade da indústria brasileira do alumínio.
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