PARÁ: Meninas de 11 a 13 anos devem tomar segunda dose da vacina contra HPV

Estado precisa imunizar 30% das meninas entre 11 e 13 anos com a segunda dose da vacina contra HPV, que é segura e protege contra o câncer do colo do útero. A doença mata 14 mulheres por dia, no Brasil

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REPÓRTER: A segunda dose da vacina contra o HPV, vírus que provoca o câncer do colo do útero, está disponível nos postos de saúde de todo o país para as meninas de 11 a 13 anos de idade. A vacina é de graça e todas as meninas que têm essa idade têm que ser vacinadas. Apesar do sucesso da vacinação na primeira fase, nesta segunda fase, o número de meninas vacinadas está abaixo do necessário. No Pará, por exemplo, apenas 30 por cento das meninas que precisam tomaram a vacina. Na primeira fase, 95 por cento das adolescentes foram vacinadas. Mas não adianta nada tomar a primeira dose e não tomar a segunda. A assistente social, Selma Couto, mora em Belém e tem uma filha de 12 anos que já tomou a segunda dose. Ela garante que os pais não precisam ter medo, já que a vacina é totalmente segura e ajuda a salvar vidas no futuro.
 
SONORA: assistente social – Selma Couto
 
“Podem ficar tranquilas todas as mães, as meninas podem ficar tranquilas porque a vacina não causa reação nenhuma. A reação é para o bem, que é se prevenir. Não tem febre, não dói, é uma picada de uma agulha normal e não tenham medo, não tenham receio. Pelo contrário, encorajem-se. Como prevenção é superimportante. A picada não se compara ao benefício que vai ter no futuro com a prevenção do câncer, que é um índice muito alarmante de câncer de útero, principalmente na nossa região aqui do Pará”.
 
REPÓRTER: O secretário de Saúde do Pará, Hélio Franco, explica que a segunda fase está prejudicada no estado porque não houve vacinação nas escolas, como ocorreu na primeira fase. Além disso, as grandes distâncias entre as comunidades dentro dos municípios dificultam a estratégia de vacinação e, principalmente, o boato espalhado nas redes sociais de que a vacina causaria efeitos colaterais.
 
SONORA: secretário de Saúde do Pará – Hélio Franco
 
“Começaram a divulgar um monte de bobagem, dizendo que tinha alguns efeitos adversos, aconteceu não sei aonde. E aí, muita gente, muitos pais ficaram muito preocupados com isso. Tanto que a gente tem conversado, feito um corpo a corpo aqui em vários locais, em rádios, televisão, falando nisso o tempo todo. Todos os prefeitos que a gente atende aqui, a gente tem conversado muito com eles sobre essa questão da importância do próprio prefeito, da prefeita, do secretário e secretária trabalhar essa questão, sensibilizar, convencer, para a gente pode ver se a gente consegue aumentar para a gente chegar pelo menos nos 70 por cento dessas meninas que tomaram a primeira dose”.
 
REPÓRTER: As grandes distâncias entre as diversas comunidades que vivem no Pará são um problema que prejudica bastante a estratégia de vacinação. Isso ocorre principalmente no Oeste do estado e na região de Marajó, formada por comunidades ribeirinhas e também que residem em ilhas. A secretária de Saúde do município marajoara de Chaves, Rosi Dias, por exemplo, vai pessoalmente de barco a essas comunidades para levar as doses da vacina. Ela conta que, muitas vezes, viaja quase um mês inteiro de barco para levar vacina a toda a população que é dividida em 120 vilarejos. Além disso, em alguns períodos do ano, muitas comunidades ficam isoladas devido à seca dos rios. Em algumas delas, a vacinação vai ser possível somente em fevereiro. A secretária Rosi Dias conta as dificuldades que enfrenta.
 
SONORA: secretária de Saúde de Chaves (PA) – Rosi Dias
 
“Por exemplo, a região da Caviana é a questão da Pororoca. É uma Pororoca que ela se dá todos os dias. A última vez que a gente esteve lá nós encontramos com a Pororoca e o medo foi muito grande porque a gente achava que a gente não iria conseguir sair de lá, que poderia acontecer uma fatalidade. Tiveram algumas localidades que nós fomos que nunca tinham ido ainda lá. Que a gente teve que pegar um búfalo e andar no búfalo e colocar o isopor de vacina e carregar. Fomos descer um igarapé e a gente foi fora do trilho e todo mundo ficou com a lama quase na cintura”.
 
REPÓRTER: O Ministério da Saúde recomenda aos governadores, prefeitos e gestores municipais e estaduais da Saúde e da Educação que abram as escolas para aplicar a vacina contra o HPV. Isso porque o público adolescente não costuma ir aos postos de saúde e, além disso, experiências anteriores com outras campanhas de vacinação tiveram mais sucesso com a aplicação das doses nas escolas. O secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, garante aos pais, responsáveis e meninas de 11 a 13 anos que não há motivos para medo, já que a vacina é segura e utilizada em todo o mundo.
 
SONORA: secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde – Jarbas Barbosa
 
“Vale lembrar que essa vacina já é usada em mais de 100 países do mundo. Essa vacina tem mais de 50 milhões de doses aplicadas na Europa, nos Estados Unidos. É recomendada, essa vacina, porque é uma vacina eficaz para prevenir o câncer do colo do útero e é uma vacina segura. Nós não tivemos nenhuma reação grave associada a essa vacina no Brasil, como não houve em nenhum lugar do mundo. Há reações adversas, como em qualquer produto injetável, reações alérgicas, reações locais. Isso é infinitamente menor que os grandes benefícios que essa vacina pode produzir”.
 
REPÓRTER: Vale repetir que não adianta ter tomado a primeira dose da vacina e não tomar a segunda. Para se prevenir contra o HPV, vírus que provoca o câncer do colo do útero, é preciso tomar todas as doses. Segundo dados do Ministério da Saúde, a doença mata 14 mulheres por dia no Brasil. De acordo com a secretaria de Saúde do Pará, é a principal causa de mortes por doença entre as mulheres no estado. Meninas de 11 a 13 anos devem procurar o posto de saúde mais próximo para se vacinar de graça.
 
Reportagem, Fábio Ruas

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