ECONOMIA: Perda do grau de investimento dificulta recuperação do crescimento brasileiro, avalia economista

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REPÓRTER: O Brasil perdeu o grau de investimento na classificação de crédito da Standard and Poor’s, informou a agência na noite desta quarta-feira. A nota do país foi rebaixada de BBB- para BB+, com olhar negativo. A Standard and Poor’s é a primeira entre as principais agências a tirar o selo de bom pagador do País.  Em comunicado, a agência chama atenção para deterioração fiscal e a falta de coesão da equipe ministerial do governo, como causas da decisão de rebaixar a nota. Para o economista da Universidade de Brasília, a UnB, Flavio Basílio, o governo deve tomar medidas enérgicas de redução de gastos para reverter esse quadro.

 

SONORA: Flávio Basílio, economista da UnB


“Não tenho dúvida que o fato do governo ter apresentado um orçamento com déficit para a aprovação do Congresso e colocar isso em discussão teve um papel decisivo na nota da economia brasileira. O que precisa fazer de fato é resolver um problema muito forte no ajuste fiscal e, principalmente, no lado dos gastos. Porque simplesmente aumentar o imposto, além de não ser a melhor alternativa, vai prejudicar a competitividade da nossa economia, que já está cambaleada.”

 

 

REPÓRTER: Após a nota, o dólar opera em alta nesta quinta-feira. A cotação chegou a superar os R$ 3,90, na venda. Para segurar a disparada da moeda americana, o Banco Central já anunciou leilões de linha de compra e venda, com oferta de um bilhão e meio de dólares. Além da valorização do Dólar em frete ao Real, o economista Flávio Basílio complementa que a consequência da perda do grau de rebaixamento vai ter repercussões negativas no mercado real.

SONORA: Flávio Basílio, economista da UnB.
 

“Nós vamos observar, por exemplo, o movimento da subida do dólar. O dólar vai ficar mais caro. Além disso, para as nossas empresas internacionais, vai ficar mais difícil de pegar empréstimo no mercado internacional, vai ficar mais caro. Os juros podem subir, assim como o risco. Então as consequências, do ponto de vista financeiro, a soma do dólar e aumento de juros, tem repercussão no mercado real e pode ter repercussões negativas sobre emprego, sobre a renda, e vai dificultar a economia brasileira retomar sua trajetória de crescimento.”

 

REPÓRTER: De acordo com o ministro da Fazenda, Joaquin Levy, o rebaixamento do país tem impacto em diversos aspectos da economia. Em nota, o ministério da Fazenda afirmou que o governo entende que o esforço fiscal é essencial para equilibrar a economia em um ambiente global de incerteza. Nesta quinta-feira, a presidente Dilma Rousseff convocou uma reunião de emergência com ministros no Palácio do Planalto, para analisar medidas para driblar os problemas apontados pela agência.

 

Reportagem, Vânia Almeida 

 

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