CONSCIENTIZAÇÃO: Campanha mobiliza população contra racismo no SUS

“Racismo faz mal à Saúde. Denuncie!”. Este é o tema da campanha publicitária que busca envolver usuários e profissionais da rede pública de saúde na luta contra o racismo

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Tempo de áudio: 02'53''

REPÓRTER: "Racismo faz mal à Saúde. Denuncie!". Este é o tema da campanha publicitária que busca envolver usuários e profissionais da rede pública de saúde na luta contra o racismo. Lançada nesta terça-feira pelo Ministério da Saúde e pela Secretaria de Direitos Humanos, a ação tem o objetivo de conscientizar a população de que a discriminação racial também se manifesta na saúde. A coordenadora-geral da Federação Nacional de Associações de Pessoas com Doença Falciforme, Maria Zenó, é negra. Ela conta que sofre preconceito racial quando procura atendimento médico.

SONORA: coordenadora-geral da Federação Nacional de Associações de Pessoas com Doença Falciforme – Maria Zenó

"A gente convive com isso diariamente. O nosso sofrimento se dá devido ao racismo, mesmo. Então, isso tudo leva a um sofrimento desnecessário que essas pessoas vivem no dia a dia no serviço público de saúde, principalmente nas urgências e emergências. A falta de entendimento, das pessoas não acreditarem na sua dor, de você ficar ali naquela cadeira quatro horas, cinco horas, aguardando atendimento médico e chega lá dentro para entrar e o médico simplesmente fala que você é um viciado em morfina, isso te causa muito dor. Eu não gosto nem de lembrar porque me causa dor".

REPÓRTER: O ministro da Saúde, Arthur Chioro, repudia qualquer forma de discriminação racial no Sistema Único de Saúde.

SONORA: ministro da Saúde – Arthur Chioro

"Ser diferente é uma coisa. Agora, isso se transbordar para manifestações de preconceito, racismo, que façam, por exemplo, que uma mulher negra se submeta a dor, a um tempo de espera ou que receba um grau de orientação sobre aleitamento materno diferente de uma mulher branca é absolutamente inaceitável. Portanto, nós teremos, e temos medido isso através dos indicadores epidemiológicos, como acompanhar o impacto. Agora, fundamentalmente precisa ser problematizado junto à sociedade brasileira e aos profissionais de saúde para enfrentar de uma maneira transparente. Sem denuncismo, mas acima de tudo para correções de rumos que são fundamentais para a promoção da dignidade e o respeito aos direitos humanos".

REPÓRTER: A ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República, Ideli Salvatti, acredita que o preconceito racial no Brasil é um problema histórico que ainda atinge a população negra do país.

SONORA: ministra da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República – Ideli Salvatti

"Quando nós tivemos a abolição da escravatura, nós não tivemos a solução econômica e social para esta população. O Brasil que concedeu terra aos imigrantes europeus não concedeu terra aos africanos que foram, com a escravidão, retirados das plantações. Então, digamos assim, que nós temos historicamente, culturalmente e socialmente uma discriminação institucionalizada à população negra no país".

REPÓRTER: Qualquer ato de discriminação racial no Sistema Único de Saúde deve ser denunciado pelo Disque Saúde 136. Para saber mais sobre a campanha publicitária que busca envolver usuários e profissionais da rede pública de saúde na luta contra o racismo acesse www.saude.gov.br.

Reportagem, Fábio Ruas

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