
Novo Ensino Médio será colocado em prática na escola SESI de Maringá
O aprendizado contextualizado e integrado é uma das novidades trazidas pelo novo ensino médio, que começou a ser implementado pelo SESI e SENAI em cinco estados em 2018
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O aprendizado contextualizado e integrado é uma das novidades trazidas pelo novo ensino médio, que começou a ser implementado pelo SESI e SENAI em cinco estados em 2018
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Por Paulo Henrique Gomes
O Paraná irá implantar a metodologia do novo ensino médio, neste ano, em duas turmas da unidade integrada do Serviço Social da Indústria (SESI) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), em Maringá. A meta é que 70 alunos já utilizem o novo método e cursem o ensino médio em conjunto com o curso técnico de eletromecânica.
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O novo modelo oferece um currículo integrado por áreas de conhecimento e não mais por disciplinas e inclui formação técnica que permite aos estudantes iniciarem mais cedo a vida profissional.
Os alunos podem escolher uma formação técnica dentro da carga horária do ensino médio regular. Caso obtenha sucesso, ao final dos três anos, o estudante terá o diploma do ensino médio e o certificado do ensino técnico. É o que explica a Gerente de Educação Profissional da Federação das Indústrias do Estado do Paraná, Vanessa Frason. “O novo ensino médio está trabalhando com as cinco ênfases. Então a gente trabalhar a ênfase da formação profissional dentro da própria grade curricular do ensino médio. Ele complementa a carga horária do ensino médio e o aluno sai com a formação técnica junto. Ele é como se fosse um integrado no que nós temos hoje na lei”, disse.
A nova norma prevê que os alunos do ensino médio terão 1.800 horas de formação geral básica, que será orientada pela Base Nacional Comum Curricular (BNCC), e até 1.200 horas de itinerários formativos como aprofundamento de estudos.
Como funciona
Ao todo, são 3 mil horas para todo o ensino médio, que começa com mais ênfase nos conteúdos gerais e, gradualmente, aumenta-se o número de horas-aula para a formação técnica e profissional.
No primeiro ano, são 800 horas para conteúdos gerais e 200 horas para aulas sobre iniciação ao mundo do trabalho. No segundo ano, são 600 horas para conteúdos gerais e 400 horas para formação técnica e profissional. No terceiro ano, isso se inverte: são 400 horas para formação geral e 600 horas para habilitação técnica.
Vanessa Frason destaca o alto número de pessoas que conseguem oportunidades no mercado de trabalho após finalizarem a capacitação nas unidades SESI/SENAI. “Nós tivemos algumas pesquisas conduzidas pelo próprio Departamento Nacional e conclui-se, nessa pesquisa, que em torno de 70% das pessoas que fazem um curso técnico, elas conseguem ingressar no mercado de trabalho logo após o término do curso, na área de formação. E essas pessoas, elas têm um acréscimo de em torno de 17% na remuneração que elas tinham antes da formação técnica”, defende.
O aprendizado contextualizado e integrado é uma das novidades trazidas pelo novo ensino médio, que começou a ser implementado pelo SESI e SENAI em 2018 em cinco estados – Alagoas, Bahia, Ceará, Goiás e Espírito Santo – com 226 alunos. O estudante Douglas Oliveira, aluno do primeiro ano do ensino médio da escola SESI/SENAI José Carvalho, em Feira de Santana, que utilizou o modelo de ensino do novo ensino médio no ano passado, destaca a diferença entre o antigo e o novo método. “A diferença é assim, bastante notável e bastante extrema. É de um universo para outro, na verdade. Porque, primeiro que agora a gente tem mais liberdade e autonomia, tanto para estudar, quanto para poder procurar mais, pesquisar. Você tem mais essa motivação de procurar estudar”, defende o aluno
Itinerários de conhecimento
Cada município terá de oferecer pelo menos dois dos cinco itinerários previstos: linguagens, matemática, ciências da natureza, ciências humanas e formação técnica profissional.
Segundo a pedagoga especialista em gestão escolar Juliana Diniz, o novo ensino médio é positivo e não pode esvaziar o papel da escola, que, por essência, precisa dar conta da formação do sujeito em todas as suas funções: integral, ético, justo e capaz de transformar o mundo no qual atua. “Nos parece que essa proposta traz um quê de modernidade, possibilitando que cada um dos alunos escolha determinados interesses e com isso tenha chance de melhorar a qualidade daquilo que se constrói, processo de escolha, o empoderamento desse aluno, o considerando pessoa de potência. Olhando ainda para uma concepção, essa ideia de trabalhar o ensino médio por percursos formativos tende a ser uma boa experiência. ”
Para 2019, o SESI e o SENAI programam uma expansão do modelo em suas unidades. Novos estados serão atendidos e novas habilitações serão ofertadas. Além de Eletrotécnica, os estudantes poderão optar pelas áreas de Matemática, Ciências da Natureza, Técnico em Mecânica ou Técnico em Rede de Computadores.
O ministro da Educação na época, Rossieli Soares, homologou no fim de novembro de 2018, as Diretrizes Curriculares Nacionais do novo ensino médio. A proposta foi relatada pelo diretor-geral do SENAI, Rafael Lucchesi, que é integrante do Conselho Nacional de Educação.
Segundo Lucchesi, nenhum país se desenvolveu sem fazer uma grande aposta em educação, ciência, tecnologia, inovação, que são pilares fundamentais de uma agenda de país, e no Brasil não poderá ser diferente. “A expectativa é da população brasileira. É claro que temos um grave problema na indústria brasileira que a baixa qualidade, a baixa escolarização da média populacional brasileira, o que faz com que a produtividade do trabalho no Brasil seja muito baixa”, defende.
Brasileiros são a favor de mudanças no ensino médio
Segundo uma pesquisa do IBOPE de 2016, 72% dos entrevistados são a favor de mudanças no ensino médio e 70% são a favor de que os estudantes escolham as disciplinas em que irão se aprofundar e possam optar pela formação técnica no ensino médio.
O que é o Novo Ensino Médio?
A Lei nº 13.415/2017 alterou a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional e estabeleceu uma mudança na estrutura do ensino médio, ampliando o tempo mínimo do estudante na escola de 800 horas para 1.000 horas anuais (até 2022) e definindo uma nova organização curricular, mais flexível, que contemple uma Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e a oferta de diferentes possibilidades de escolhas aos estudantes, os itinerários formativos, com foco nas áreas de conhecimento e na formação técnica e profissional. A mudança tem como objetivos garantir a oferta de educação de qualidade à todos os jovens brasileiros e de aproximar as escolas à realidade dos estudantes de hoje, considerando as novas demandas e complexidades do mundo do trabalho e da vida em sociedade.
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