Meio Ambiente - Transporte·20 de novembro de 2020

Travessias com balsa do Passarão voltam a patamares normais

No final de setembro foram estabelecidos nove horários diários de travesse da balsa

Por Flávio MacedoFlávio Macêdo faz parte da produção de reportagem do Brasil 61 desde janeiro de 2020. Antes disso, teve passagem como freelancer pelo SBT Brasília, Prezz Comunicação e fez estágio na redação da TV Band, em Brasília.
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A situação que envolve a redução dos níveis na calha do Rio Branco ainda pode perdurar por mais alguns meses, caso sejam mantidas as previsões de baixos índices de chuva para esta região. No entanto, o problema que comprometia o serviço de transporte de veículos e de pessoas pela balsa do Passarão deixou de existir. 

Segundo o diretor responsável pela balsa, Diego Barberena, as travessias pela embarcação via Rio Uraricoera, na zona rural de Boa Vista, voltou a patamares considerados dentro da normalidade. “Nós fazemos aproximadamente 3.670 travessias e transportamos cerca de 40 a 50 mil pessoas por ano. Tivemos alguma dificuldade relacionada a encalhamento logo no início da estação da seca, porque o nível do rio baixou muito rápido. Mas, arrumamos o porto do lado das reservas indígenas, e estamos cuidando do manejo da balsa para que não ocorra esse tipo de problema.”

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Barberena explica que, no final de setembro foram estabelecidos nove horários diários de travesse da balsa. “6h30, 8h, 9h30, 11h30, 13h, 14h30, 16h, 17h30 e às 19h”. Com isso, aumentou o número de atendimento da balsa do Passarão. Até então, a embarcação transportava entre 1.200 e 1.500 veículos por semana, atendendo cerca de quatro mil pessoas. Agora, transporta, em média, dois mil veículos por semana, ampliando o atendimento para cerca de seis mil pessoas.

Período de seca

De acordo com dados do Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), a precipitação observada dos últimos dias em Roraima, mostra que o acumulado de chuva no sul do Estado foi abaixo de 50mm.

Segundo o analista ambiental e meteorologista, Ramón Alves, o período seco nesta área deve seguir até março de 2021. Sendo assim, ele avalia que o nível do rio continue caindo ao longo dos próximos dias. “Nesse período, o acumulado de precipitações mensais, às vezes, é abaixo de 100mm.”

E ainda complementa: “a tendência é de que o nível dos rios realmente baixe, por estarmos dentro do período seco. Só em abril, quando começam as primeiras chuvas do período chuvoso, é que os rios tendem a aumentar novamente”, explica o analista.

Dados da Agência Nacional de Águas e da Diretoria de Hidrologia e Gestão Territorial do Serviço Geológico do Brasil, revelam que o nível do rio Branco, que chegou a 6,96m no final do mês de junho, estavam no início deste mês, com 1,23m. Quando, por algum problema técnico, a balsa não está funcionando, um percurso alternativo é feito pelo município de Normandia. No entanto, o trajeto passa a ter um aumento de aproximadamente 100 quilômetros.

Transporte fluvial no Brasil

As características geográficas do Brasil incluem o País entre os mais favoráveis para adotar o modo hidroviário, já que contam com uma rede fluvial e lacustre com 63 mil km de extensão. Desse total, de acordo com a ANTAQ, quase 27 mil km de rios navegáveis e 15 mil km de vias potencialmente navegáveis.  

Além disso, de acordo com informações de um estudo da FGV Transportes, “a Confederação Nacional do Transporte (CNT) levantou que o Brasil utiliza somente 19 mil km de seus rios para o transporte comercial de cargas e passageiros, extensão que corresponde a cerca de 30% de toda sua rede fluvial.

Sobre o transporte de passageiros a estimativa da CNT é de que foram transportados aproximadamente 9,8 milhões de pessoas pelos rios do Amapá, Amazonas, Pará e Rondônia. Na área que abrange a região Amazônica o transporte fluvial de passageiros é essencial para o deslocamento da população e o abastecimento das comunidades ribeirinhas. Em determinadas localidades, os rios são praticamente o único canal de transporte.

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Quando, por algum problema técnico, a balsa não está funcionando, um percurso alternativo é feito pelo município de Normandia. No entanto o trajeto passa a ter um aumento de aproximadamente 100 quilômetros.

Reportagem, Marquezan Araújo

 

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Sobre a repórter

Flávio Macedo

Flávio Macêdo faz parte da produção de reportagem do Brasil 61 desde janeiro de 2020. Antes disso, teve passagem como freelancer pelo SBT Brasília, Prezz Comunicação e fez estágio na redação da TV Band, em Brasília.