Ciência & Tecnologia - Desenvolvimento Científico·19 de agosto de 2020

Rio Grande do Sul é um dos estados mais beneficiados pelo FNDCT, fundo que teve 88% da verba redirecionada em 2020

Dos 233 projetos finalizados no ano passado, 29 eram de instituições gaúchas

Por Daniel MarquesJornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB), com passagens em redações da capital. Trabalhou como repórter no Correio Braziliense e Rádio CBN, além de agências de comunicação. Atualmente, integra a redação do Brasil 61 com pautas de saúde e política.
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O Rio Grande do Sul é um dos estados mais beneficiados pelo Fundo Nacional de Desenvolvimento da Ciência e Tecnologia (FNDCT), vítima de contingenciamentos frequentes nos últimos anos. Dos 233 projetos concluídos em 2019 que tinham o financiamento do fundo, 29 eram de instituições ou empresas situadas no estado gaúcho - 12% dos projetos. Os dados são da estatal Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). No tempo em que esses projetos eram produzidos, eles receberam R$ 93 milhões em investimentos do FNDCT.

Contudo, a verba liberada pelo fundo em 2019 representa menos da metade do que estava previsto no orçamento do ano. A Lei Orçamentária Anual indicava que R$ 5,65 bilhões seriam aplicados na ciência e tecnologia brasileiras no ano passado. No entanto, as aplicações que realmente aconteceram somaram apenas R$ 2 bilhões, um contingenciamento de mais de 60%. Em 2020, o corte foi de 88%. Sempre que falta dinheiro, o governo recorre ao FNDCT para pagar uma parte da dívida pública e fechar as contas no final do ano, relatando superávit fiscal.

Em uma tentativa de acabar com essas limitações, cientistas e empresários se uniram em apoio ao Projeto de Lei Complementar (PLP) 135. Aprovada no Senado na última quinta-feira (13), a proposta proíbe que o FNDCT seja contingenciado. Além disso, transforma o fundo contábil em um fundo financeiro. Isso significa que o FNDCT vai poder, por exemplo, aplicar o dinheiro que tem em caixa e ser remunerado pelas aplicações.

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O professor Glauco Arbix, ex-presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que gere o FNDCT, defende que o Brasil tinha potencial de fazer um combate mais eficaz à Covid-19, o que não aconteceu por conta da pouca quantidade de recursos destinados à ciência.

“Ciência ajuda a salvar vidas. Não tem nenhuma condição da gente, com um país como o nosso, não aproveitarmos o potencial humano que nós temos para produzir algo novo, produzir ciência de altíssima qualidade”, destaca Glauco.

Fundamental para a indústria

Além da importância para a área de saúde, a verba aplicada pelo FNDCT é essencial para o desenvolvimento industrial. Nos últimos anos, o fundo financiou a inovação, por exemplo, do Laboratório de Metalurgia Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Em outra frente, a Secretaria de Agricultura, Pecuária e Desenvolvimento Rural do estado também acessou a verba para financiar pesquisas. Grande exportador de produtos agropecuários, o Rio Grande do Sul também viu a aplicação de fundos para a inovação no setor diminuir com a passagem dos anos. O investimento do FNDCT por meio do Fundo Setorial do Agronegócio, quase deixou de existir. Passou de R$ 71 milhões em 2010 para menos de um milhão em 2019, o que representa uma queda de 98%.

O senador Lasier Martins, do Podemos do Rio Grande do Sul, ressaltou, em sessão plenária no Senado, que a verba deveria auxiliar pesquisas e inovações tecnológicas, mas acaba servindo a outros propósitos.

“São bilhões de reais que são carreados por anos pelas empresas contribuintes para pesquisa e inovações, mas a verba não chega. Então, nós não participamos desse concurso de inovações e pesquisa. Não sobra nada. Tudo vai para pagar dívidas. Não podemos perder esta oportunidade”, avaliou o senador.

Segundo dados da Iniciativa para Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP =.br), entre 2004 e 2019 o FNDCT apoiou cerca de 11 mil projetos. Entre eles estão as pesquisas, por exemplo, que permitiram a descoberta e a exploração do Pré-Sal. O fundo também foi usado na reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira de pesquisas científicas no Polo Sul.

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Segundo dados da Iniciativa para Ciência e Tecnologia no Parlamento (ICTP br), entre 2004 e 2019 o FNDCT apoiou cerca de 11 mil projetos. Entre eles estão as pesquisas, por exemplo, que permitiram a descoberta e a exploração do Pré-Sal. O fundo também foi usado na reconstrução da Estação Antártica Comandante Ferraz, base brasileira de pesquisas científicas no Polo Sul.

Reportagem, Daniel Marques

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Sobre a repórter

Daniel Marques

Jornalista brasiliense formado pela Universidade de Brasília (UnB), com passagens em redações da capital. Trabalhou como repórter no Correio Braziliense e Rádio CBN, além de agências de comunicação. Atualmente, integra a redação do Brasil 61 com pautas de saúde e política.