Saúde - Covid-19·25 de setembro de 2020

Estudo aponta que refluxo pode aumentar o risco de morte por Covid-19

“Células esofágicas se tornaram mais suscetíveis à infecção pelo coranavírus”, explica Helder Nakaya, professor da USP

Por Luíza TinéLuíza Tiné é formada em jornalismo e especialista em estratégias aplicadas às redes sociais. Repórter multimídia, com 10 anos de experiência em mídias online, impressas, rádio e TV. Trabalhou como assessora de imprensa no Ministério da Saúde, em partidos políticos. Além de ter trabalhado como produtora na TV Justiça. Foi assessora do Open Media Center RJ - 2014 FIFA World Cup Brazil e no Conselho Nacional de Saúde - CONASS.
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Desde que o mundo entrou em crise por causa da pandemia, diversas pesquisas têm sido realizadas no Brasil. Uma dessas foi pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que destaca: distúrbios digestivos como o refluxo e a síndrome de Barrett, uma doença com refluxo de longa duração, podem estar associados a um risco aumentado de morte por Covid-19.

Segundo os pesquisadores, a agressão ao esôfago pelo ácido estomacal induziria no tecido um aumento na expressão do gene ACE2, responsável por codificar a proteína à qual o novo coronavírus se liga para entrar nas células humanas.

O professor da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Universidade de São Paulo (FCF-USP) e coordenador da investigação, Helder Nakaya, explica que as células esofágicas se tornaram mais suscetíveis à infecção pelo coranavírus. “Uma das moléculas mais alteradas era justamente a proteína que o novo coronavírus precisa para entrar nas células, que é chamado de ACE2”, explicou.

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Nakaya conta que a descoberta ocorreu por um aluno de doutorado Leandro Jimenez e outros pesquisadores que analisavam dados de transcriptoma (conjunto de moléculas de RNA expressas em um tecido) de portadores da síndrome de Barrett. “Quando descobrimos que a ACE2 estava em altos níveis de pessoas que tinham essa doença, abriu-se a possibilidade de ser uma comorbidade desconhecida para Covid-19”, contou.

Com a colaboração de Pedro Moraes-Vieira, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (IB-Unicamp) e coautor do artigo, experimentos in vitro foram conduzidos para testar essa hipótese. “O refluxo faz com as pessoas tenham uma maior acidez no esôfago, esse aumento está relacionada a maior expressão de ACE2, que é a molécula que o vírus entra nas nossas células. Foi o que comprovamos no laboratório”, relatou.

O colaborador explicou que culturas de monócitos humanos – células de defesa presentes no sangue – foram colocadas em meios com diferentes graus de acidez e incubadas com o SARS-CoV-2. “Observamos que no PH ácido, o monócito, expressa uma quantidade maior de molécula, que é porta de entrada do vírus para nosso corpo. Além dele expressar mais essa molécula que o vírus usa para infectar as células, quando jogamos o vírus do coronavírus, nós observamos que ele infecta mais esse monócitos”, contou.

Evidências clínicas

O pesquisador Nakaya conta que um dos passos para realizar o estudo, foi analisar dados de dois grupos de pacientes hospitalizados por complicações associadas à Covid-19 – 551 em Manaus (AM) e 806 em São José do Rio Preto (SP) – e verificar se, de fato, havia uma associação entre a severidade da doença e distúrbios gástricos preexistentes.

Segundo Nakaya, dentre as pessoas analisadas foi observado que o fato delas terem problemas no estômago aumenta o risco de morte por Covid-19. Para ele, esse trabalho abre novas perspectivas no entendimento dos fatores de gravidade da doença.

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Para Nakaya esse trabalho abre novas perspectivas no entendimento dos fatores de gravidade da Covid-19.

Reportagem, Luíza Tiné 
 

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Sobre a repórter

Luíza Tiné

Luíza Tiné é formada em jornalismo e especialista em estratégias aplicadas às redes sociais. Repórter multimídia, com 10 anos de experiência em mídias online, impressas, rádio e TV. Trabalhou como assessora de imprensa no Ministério da Saúde, em partidos políticos. Além de ter trabalhado como produtora na TV Justiça. Foi assessora do Open Media Center RJ - 2014 FIFA World Cup Brazil e no Conselho Nacional de Saúde - CONASS.