Saúde·26 de novembro de 2016

TIRA-DÚVIDAS: Infectologista esclarece dúvidas sobre a microcefalia

Por Agência do Rádio
LOC: Todo mundo já ouviu falar que a picada do mosquito pode transmitir Zika, né? E que esse novo vírus pode infectar as mulheres que estão grávidas e fazer os nenéns nascerem com microcefalia, certo? Mas muitas dúvidas sobre a microcefalia ainda persistem. Então, quem vai contar um pouquinho mais sobre isso para a gente é o Doutor José Cerbino, que é vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz. Doutor Cerbino, para começar, o que é a microcefalia?
TEC/SONORA: José Cerbino, vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz
“Microcefalia significa cabeça pequena. A tradução do termo significa isso. É uma das alterações que é observada quando se tem a forma congênita de Zika. O bebê pode nascer com a cabeça menor, porque ele tem problemas de má formação do sistema nervoso e do cérebro. E o que nós temos visto ainda é que tem muitas gradações de más-formações. Você tem casos de Zika congênita muito, muito graves, com o acometimento muito importante dos bebês. E outras mais leves, com o acometimento não tão importante”
LOC: Doutor Cerbino, só para esclarecer. Existe algum tipo de cura para a microcefalia?
TEC/SONORA: José Cerbino, vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz
“A microcefalia, como eu falei, ela é um sinal. A doença em si não é a microcefalia. A microcefalia é o fato de a criança ter o perímetro encefálico, a cabeça, menor do que o normal para a idade gestacional ou para idade dela. Isso significa, na verdade, um problema de crescimento do cérebro. O cérebro não cresce na velocidade, do tamanho que deveria. Por isso, a cabeça não fica do tamanho que era esperado para aquela idade. Então não existe uma cura específica para a microcefalia, porque a microcefalia, em si, não é a doença. O que pode ser feito com as crianças que apresentam essa má-formação é a estimulação precoce”.
LOC: Muito bem. E agora uma pergunta importante para as futuras mamães e papais de plantão. Qual é o período da gestação mais perigoso para as grávidas pegarem Zika?
TEC/SONORA: José Cerbino, vice-diretor de Serviços Clínicos do Instituto Nacional de Infectologia da Fiocruz
“Os dados que a gente tem até o momento sugerem que é no início da gravidez, nos primeiros três meses. A maioria das doenças infecciosas se comporta dessa forma. Quando a infecção é no primeiro trimestre da gestação isso tende a ser mais grave, as más-formações são mais graves. Mas, de novo, isso ainda são dados preliminares. A gente precisa de mais informação para ter essa certeza e saber exatamente com que frequência isso acontece. Mas os dados até agora indicam que, quanto mais precoce, quanto mais cedo a infecção na gravidez, maiores são os comprometimentos.”

LOC: O importante mesmo é a gente lembrar sempre de limpar todos os lugarezinhos de casa que podem ser foco do mosquito. Aí ninguém corre o risco de ficar doente e, de quebra, a gente ainda protege quem mora perto da gente. Se você tem mais alguma dúvida sobre a microcefalia ou sobre as doenças que o mosquito pode transmitir, acesse: saude.gov.br/combateaedes.

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